Relação do MEC inclui duas graduações da PUC Minas, que contesta critérios. Faculdades são proibidas de ampliar vagas

O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem mais uma lista de cursos penalizados por receber nota baixa no Conceito Preliminar de Cursos (CPC), obtida por meio de avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Dos 38 listados, dois são de Minas Gerais: ciências biológicas da PUC Minas, câmpus Betim, e ciências sociais também da PUC Minas, câmpus Coração Eucarístico. Em ambos os casos, as notas se referem à prova de 2011, e a universidade está impedida de abrir novas vagas. Em dezembro, o ministério publicou outras duas listas em que dá bomba em cursos que tiveram desempenho considerado insuficiente VEJA A RELAÇÃO COMPLETA CLICANDO AQUI. Ao todo, 445 cursos, no Brasil, já sofreram sanções como proibição de aplicar vestibular e matricular alunos aprovados. Em Minas, foram 37.

As instituições, de acordo com despacho publicado ontem no Diário Oficial da União (DOU), serão obrigadas a cumprir medidas cautelares para melhoria dos cursos, como assinar um protocolo de compromissos com o MEC e gerar relatórios a cada 60 dias sobre o andamento das mudanças. Elas terão dois meses para contratar mais mestres e doutores e 180 dias para adequar a infraestrutura e projeto pedagógico. Todas as universidades e centros universitários tiveram nota menor que 2 no CPC 2011.

A PUC Minas informou, por meio da assessoria de imprensa, que, no caso do curso de ciências biológicas, entrou com recurso em dezembro pedindo revisão da nota e alegando que o item relativo ao corpo docente não foi contabilizado pelo MEC. Ontem, diante da publicação da nova lista, a PUC entrou em contato com o ministério para tentar um retorno sobre o recurso, mas oretorno foi de que ainda não há resposta. A instituição avalia que a nota no CPC deveria ser 4, acrescentando que a universidade não tem intenção de aumentar o número de vagas para ciências biológicas em Betim neste ano. Sobre o curso de ciências sociais, a PUC Minas informou que há a suspeita de que houve boicote à prova do Enade. De acordo com a assessoria, a instituição vai aguardar a notificação oficial do MEC para acatar as medidas determinadas, mas já planeja uma ação para sensibilizar os alunos sobre a importância da avaliação.

PRECIPITAÇÃO Para a diretora da Carta Consulta, empresa de pesquisa na área de educação, Roberta Muriel, as decisões do MEC com base na nota do Enade são precipitadas. “Não é que não existam cursos ruins, que não precisem melhorar e parar de oferecer vagas até que melhorem, mas quando se tem uma medida que é estatisticamente inválida, como é o caso, você elimina os ruins e prejudica também os bons. Uma turma pode boicotar uma prova porque está insatisfeito com a instituição e isso não quer dizer que o curso é ruim, mas foi prejudicado sem ter feito nada de errado”, afirmou. De acordo com a especialista, a infraestrutura, por exemplo, é avaliada pelos alunos na prova e não in loco pelo MEC, o que dá ao aluno 70% de peso da decisão. No percentual restante entram o número de professores doutores, mestres e em tempo integral e a avaliação da pós-graduação na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Enquanto isso…

…UFJF entre as mais procuradas

O curso de medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) é o terceiro mais procurado no Brasil pelos alunos inscritos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e primeiro em Minas. Antes dele estão também medicina das universidades federais do Ceará, em primeiro, e do Rio de Janeiro, em segundo. O curso tem as notas de corte mais altas: 819,27 na UFRJ; 813,03 na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e 808,70 na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Em entrevista coletiva ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, lembrou que a nota de corte é revista todos os dias e o candidato deve procurar o curso que lhe oferece mais chances de conquistar a vaga. No estado, o segundo mais procurado é administração do Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet-MG), câmpus BH. Até as 17h de ontem, mais de 1,2 milhão de estudantes haviam feito a inscrição, sendo que cada um pode fazer duas opções de cursos e devem informar se desejam concorrer às vagas pela livre concorrência ou pelas cotas. O ministro anunciou que o MEC estuda fornecer ainda este ano uma bolsa de R$ 400 para os alunos de baixa renda que entrarem nas universidades federais por meio das cotas.

FONTE: Estado de Minas.