Goleiro é interrogado na tarde desta quarta-feira

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Após uma breve interrupção, o interrogatório do goleiro Bruno foi retomado no meio da tarde desta quarta-feira no Fórum de Contagem, na Grande BH. Pela primeira vez desde o início das investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, o réu confessou que sua ex-amante está morta. Segundo o réu, Macarrão foi o mandante do crime e agiu por conta própria, sem que ele tivesse conhecimento.

Chorando muito, o jogador relatou os últimos momentos da ex-amante em seu sítio, antes de ser levada para a morte. Segundo Bruno, Eliza já havia recebido os R$ 30 mil acordados entre eles dias antes no Rio de Janeiro, e seria levada por Macarrão e por Jorge Luiz Rosa para um ponto de táxi, junto com o seu filho, Bruninho.

Mais tarde, Macarrão e Jorge voltaram ao sítio sem Eliza, mas com a criança. Segundo Bruno, Macarrão aparentava tranquilidade, enquanto seu primo estava muito nervoso. Foi então que o goleiro perguntou à dupla: “Pelo amor de Deus, o que vocês fizeram com ela?”. O amigo teria sido direto em sua resposta: “Eu resolvi o problema que tanto te atormentava”.

Bruno, então, teria perguntado ao primo o que havia acontecido. Jorge contou que ele, Macarrão, Eliza e Bruninho foram até a região da Pampulha e que o amigo teria feito uma ligação através de um orelhão. Minutos depois, eles passaram a seguir uma motocicleta até uma casa em Vespasiano. Chegando ao local, Eliza foi entregue a um homem conhecido como “Neném”, que a estrangulou e a esquartejou. Em seguida, os restos mortais teriam sido jogados para os cães do assassino.

Ainda de acordo com o jogador, Macarrão contou a ele que contratou o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para matar Eliza. O réu voltou a ser questionado pela juíza sobre seu envolvimento no crime. “Não mandei matar, mas aceitei”, admitiu.

Bruno também disse que Macarrão contratou o Bola para ajudar na execução do crime. 17:00

Após o fato consumado, segundo Bruno, ele ficou sabendo, e concordou em esconder a história. 17:01

A versão que Bruno está admitindo aproxima-se muito do que aponta o inquérito policial, inclusive o fato de que partes do corpo de Eliza teria servido de alimento para cães. Mas ele nega peremptoriamente ter ordenado a morte ou ter sabido do planejamento dela. 17:06

O promotor continua fazendo perguntas para Bruno, mas ele não deve responder nenhuma sob orientação de seus advogados. 17:09

O assistente de acusação, Cidnei Karpinski, comentou as declarações de Bruno fora do Fórum. “Ele tenta se isentar da culpa. Ele sequer assumiu esta responsabilidade. Têm contradições nas respostas. Assinou sua sentença no grau máximo. Ele não confessou absolutamente nada”, informa o repórter Pedro Triginelli. 17:13

O promotor pergunta para Bruno por que o goleiro ligou para o caseiro do sítio, Elenílson [réu no processo], na noite em que estava no Rio com Eliza. “Quero saber se o senhor estava combinando o sítio para servir de cativeiro de Eliza”. 17:14

O advogado Lúcio Adolfo intervém e chama a pergunta de “molecagem” e diz que o promotor “por acaso, passou no concurso e se tornou promotor”. 17:14

O promotor Henry Castro pede que seja assegurado pela juíza o respeito no julgamento. 17:15

Julgamento interrompido, Bruno é retirado do plenário. 17:25

Torcedor mostra cartaz em frente ao fórum:

Bruno

Agora o advogado Lúcio Adolfo pergunta a Bruno por que o advogado Ércio Quaresma saiu da defesa do goleiro. Bruno responde que Quaresma precisava fazer um tratamento. 17:39

Bruno, pela primeira vez, implicou Bola na morte de Eliza. Até agora, ele era citado apenas como “Neném” pelo menor Jorge, que disse à polícia ter presenciado a execução da jovem. No interrogatório, Bruno afirma que Macarrão contou a ele que contratou Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para matar Eliza. 18:04

(Mais informações em instantes)

19:55A juíza questiona quem a imprensa dizia que tinha assassinado sua mulher, se seria ele mesmo. “Era, dizia que eu tinha assassinado minha mulher. Comecei a vivenciar tudo aquilo de novo”, disse Bruno.
19:55O jurado pergunta quando e como Bruno soube que Dayanne foi presa. “Eu tava acompanhando na televisão e eu recebi a notícia que havia matado, naquela época, que a minha esposa tinha sido assassinada. E não consegui contato com a Dayanne”, diz Bruno. “Me desesperei. Mais uma vez me desesperei”.
19:51O jurado pergunta como Macarrão voltou do Rio de Janeiro depois que deixou o BMW e tirou o dinheiro [prometido a Eliza, que esperava no sítio de Esmeraldas]. “De avião”, diz Bruno.
19:50Outro jurado pergunta se Bruno conversou com Fernanda sobre a morte de Eliza e se Macarrão teria comentado algo com a Fernanda. Ele diz que acredita que Macarrão não comentou com ela sobre o que pretendia fazer.
19:50Depois que Bruno recebeu a notícia de que Eliza estava morta, o jurado questiona com quem Bruninho ficou. “Pedi a Dayanne”, diz Bruno.
19:49O jurado pergunta por que Bruno deu uma entrevista falando que esperava Eliza aparecer se já sabia que ela estava morta. “Me sentia acuado, me sentia perseguido. Já tinha começado as investigações. Na época o meu advogado falou para eu não falar com a imprensa. Então uma hora eu tive que falar alguma coisa. Se olhar a entrevista eu estava muito abatido”, disse.
19:46O jurado pergunta por que Fernanda estava na casa do goleiro no Rio de Janeiro com Bruninho no colo. “Ela disse que estava ali para ajudar a pedido do Macarrão”, responde Bruno.
19:45Bruno diz ainda que Macarrão discutia com a Eliza e a xingava. “Eu podia ter impedido isso”, afirma.
19:43A juíza pergunta onde Bruno foi omisso antes de Eliza morrer. “Não passava pela minha cabeça o que estava acontecendo. Depois que aconteceu eu parei para pensar no que estava acontecendo”, diz o goleiro. “Não, eu fui omisso”, diz Bruno, negando ter sido “permissivo” após pergunta da juíza.
19:40O jurado pergunta se Dayanne soube da morte da Eliza no mesmo dia em que Bruno. “Ela ficou assustada com tudo o que estava acontecendo, mas em momento algum ela soube daquela situação. Eu falei para ela só: ‘fica com a criança para mim’. Ela perguntou o que eu estava acontecendo, mas eu quis protegê-la”, respondeu.
19:39O juíza pergunta o motivo dessa mudança de nome. “Pelo fato da criança… para eu poder ficar com a criança, poder protegê-la. E sabia que mais cedo ou mais tarde as investigações iam chegar na criança e eu tentei… é… não tenho como explicar para a senhora… eu tentei…”. A juíza completa: “despistar?” Bruno diz que sim: “É, despistar”.
19:37O jurado pergunta por que Bruno mudou o nome da criança. “Passado aquele dia do fato, eu pedi para que chamassem a criança de Rian”, admite Bruno. “Pedi para que mudasse o nome da criança”. “Rian Iuri”, completa o goleiro. No inquérito policial, testemunhas disseram que o filho de Eliza passou a ser chamado de Rian Iuri.
19:36O jurado pergunta o que Bruno iria fazer com Bruninho depois que Eliza foi morta. “Eu pensei na criança. Eu não queria que acontecesse com ela o que aconteceu comigo. Eu fui criado pela minha avó. Então naquele momento eu pensei em fazer alguma coisa pela criança”, disse Bruno.
19:35″Eu vi que ela [Eliza] era uma mãe que cuidava muito bem da criança”, diz Bruno.
19:34O jurado pergunta porque Bruno deixou que Eliza ficasse no sítio se ele não tinha contato com ela, nem diálogo. “Nós não conversávamos, ou talvez eu não tivesse tipo essa oportunidade de viver no mesmo lugar. Então nessa oportunidade eu pude conhecer um pouco mais sobre a pessoa Eliza. A pessoa que eu falo, excelência, como mãe”, diz o goleiro.
19:34Outro jurado pergunta por que Bruno não procurou um laboratório de DNA para fazer a coleta do sangue da criança no hotel ou própria residência. “Faltou tempo”, diz Bruno. Em seguida, a juíza reforça que a pergunta é por que ele não procurou um local perto. “Talvez por desconhecimento”, diz o goleiro. As perguntas se referem a exame que poderia ter sido feito para comprovar a paternidade do filho de Eliza. O exame foi feito meses depois da morte da jovem.
19:32O jurado pergunta por que Bruno foi a Minas Gerais usando carro. “Excelência, nas minhas folgas eu sempre viajava de carro. Sempre precisava do carro aqui em Belo Horizonte”.
19:30Outro jurado pergunta em que momento Dayanne foi para o sítio. Bruno diz que Dayanne esteve no sítio de quinta para sexta-feira. “Mais para a parte da tarde”, diz o goleiro. “Ela, minhas filhas e a Célia”. A juíza pergunta se Dayanne permaneceu no sítio, e Bruno responde que sim.
19:29A juíza pergunta “medo de quem”. Bruno diz que era de Macarrão e de outras pessoas que no dia estavam envolvidas no crime.
19:29O primeiro jurado pergunta por que Bruno não denunciou Macarrão. “Eu não fiz essa denúncia por medo de acontecer alguma coisa com minhas filhas, até mesmo comigo. E pelo fato de conhecer ele há muito tempo”, afirmou o goleiro.
19:27Os jurados não podem fazer perguntas diretamente a Bruno. Eles devem escrever em um papel, que é lido pela juíza Marixa Fabiane, informa a repórter Rosanne D’Agostino.
19:27Bruno entra novamente no plenário. Ele diz que aceita falar aos jurados.
19:23A juíza pede que Bruno seja novamente trazido ao plenário para que responda a perguntas dos jurados.
20:09A juíza pergunta se Bruno já ameaçou Eliza. “Nós discutimos no carro. Ela me deu tapa e eu revidei”, afirmou.
20:09O jurado pergunta sobre as denúncias de Eliza de que Bruno a agrediu e teria apontado uma arma para sua cabeça. “Arma na cabeça, não, excelência”, diz Bruno.
20:08Bruno afirma que Eliza permaneceu em sua casa no Rio de Janeiro porque conversaram sobre a quantia que ela viria a receber em Minas Gerais.
20:08Bruno disse que não pode responder por Macarrão, mas que acredita que naquele momento ele não deveria querer retirar Eliza do caminho do goleiro.
20:06O jurado pergunta se, mesmo depois que Jorge bateu na Eliza e a machucou, e Bruno a tratou e pos curativo, se o goleiro acha que Macarrão ainda queria tirá-la de seu caminho, mesmo vendo os cuidados que teve com ela. “O cuidado que eu estava tendo, acredito eu que naquele momento ali, não”, afirmou.
20:05Em frente ao fórum, o assistente de acusação José Arteiro falou sobre o interrogatório do goleiro Bruno. “A única coisa que ele fez foi derrubar o Bola”, afirmou. O advogado disse ainda estar confiante na condenação e não acreditar em redução de pena em relação ao goleiro. Mais cedo, o advogado do goleiro disse acreditar em uma pena diminuída para o goleiro.
20:03O jurado pergunta se as pessoas que estavam no sítio não perguntaram o que estavam queimando. “Era normal queimar as coisas no sítio”, diz Bruno. “Acho que elas [Célia, Dayanne] nem viram isso”.
20:03O jurado pergunta se a queima dos pertences de Eliza ocorreu no mesmo dia em que ela foi morta. Bruno diz que sim.
20:02O jurado pergunta se, depois que Macarrão confessou que matou Eliza, o convívio foi o mesmo. “Continuam amigos, irmãos?”, questiona. “No início eu tive um pouco de medo e nossa relação hoje, eu perdoo por tudo, mas ele vai cuidar da família dele e eu vou cuidar da minha família”.
20:01A juíza pergunta se Bruno pediu para Macarrão atender ao telefone quando Dayanne ligou da delegacia. “Só se eu estava longe do telefone”. Bruno diz que não pediu para Macarrão atender seu celular.
20:00A juíza perguntou se não foi Dayanne quem ligou e ele não atendeu. “Ou estava fazendo alguma coisa de trabalho. Eu não deixo de atender ela”, disse o goleiro.
20:26Resumo do interrogatório de Bruno:
– Pela 1ª vez, Bruno admite que Eliza está morta
– Ele diz que não mandou, mas “aceitou” a morte e se sente culpado
– Diz que Macarrão contratou o ex-policial Bola para matar jovem
– Diz que Jorge contou que Eliza foi esganada, esquartejada e jogada para cães
– Não respondeu a nenhuma pergunta do promotor e da defesa de Bola

20:22Hoje ele não foi goleiro. Não ficou na defensiva. Hoje ele foi covarde. Vamos inocentar Marcos Aparecido [Bola] no julgamento dele. Hoje ele foi acusado. O prejuízo foi enorme, mas vamos reverter o quadro quando ele for julgado”

, advogado de Marcos Aparecido, o BolaFernando Magalhães

20:14A juíza encerra a sessão, que deve ser retomada nesta quinta-feira (7) às 9h com os debates entre acusação e defesa, informa a repórter Rosanne D’Agostino.

FONTE: Itatiaia, G1 e internet.