A doença Facebook será erradicada em três anos

B.Piropo

fim facebook

Hoje é dia de ressaca de carnaval e ninguém tem cabeça para tecnologias. Então, vamos abordar um tema menos técnico, mas nem por isso menos relevante: o fim do Facebook. Nessa altura do campeonato, já ouço daqui o clamor que se alevanta. Pirou o Piropo? Fim do Facebook? Só pode ser brincadeira, pensarão aqueles entre vocês que não conseguem passar mais de 10 minutos sem uma visitinha ao Face para ver o que os seus amigos estão postando.

Sinto, mas não é. E nem sou eu quem está prevendo tamanha catástrofe. Quem o faz são os pesquisadores da mui respeitada Universidade de Princeton em um interessantíssimo trabalho científico que pode ser baixado em formato PDF de http://
arxiv.org/pdf/1401.4208v1.pdf. Mas que sugiro aos interessados que consultem seu conteúdo no artigo do The Guardian, que pode ser encontrado aqui: http://bit.ly/1c4j6w5, já que para entender o artigo original são necessários conhecimentos específicos do campo da epidemiologia, mais especificamente no ramo dedicado à transmissão de doenças infectocontagiosas. Acha estranho? Já verá que não.

Antes de prosseguir, asseguro que, ao contrário do que possa ter dado a entender até agora, estou absolutamente sóbrio, meu carnaval foi tranquilo como convém a um senhor da minha idade e nada estou inventando. Quem fez isso foram os cientistas de Princeton, que aplicaram ao estudo da expansão e redução do número de membros das redes sociais o mesmo modelo matemático que simula a disseminação e controle de doenças infectocontagiosas, como, por exemplo, a peste bubônica. E concluíram que o modelo funciona igualmente bem para prever ambos os fenômenos, o que faz com que os jovens dependentes do Facebook e congêneres já não possam reclamar da mamãe quando ela diz que “isso mais parece uma doença”.

John Canarella e Joshua Spechler, do departamento de engenharia mecânica e aeroespacial de Princeton, demonstraram que mamãe tem razão: realmente parece. Dizem eles: “Ideias, como doenças, se disseminam infecciosamente pela população antes de eventualmente se erradicar e modelos epidemiológicos têm sido bem-sucedidos para descrevê-las”. Mas o que interessa não é a simples aplicação do modelo, mas sim os resultados produzidos.

Quando se trata da evolução de doenças contagiosas, o parâmetro a ser examinado é a variação do número de doentes ao longo do tempo. Para estudar a “epidemia” Facebook, os pesquisadores basearam sua predição quantificando não apenas o número de visitas diárias ao sítio do Facebook como também a variação da frequência com que o termo “Facebook” é digitado na caixa de pesquisas do Google (se você não concorda com a metodologia, reclame diretamente com eles; seus endereços de correio eletrônico estão no PDF acima citado). E determinaram que esta frequência atingiu o pico em 2012, a partir de quando começou a declinar (veja gráfico obtido do trabalho original de Canarella e Spechler).

Convém notar que os autores da pesquisa consideraram que uma das razões pelas quais o número de visitas ao sítio vem caindo é o fato de que muitos dos usuários fazem acessos ao Facebook a partir de seus telefones celulares. Mas isso não alterou a tendência. Para estabelecê-la usaram o modelo SIR (Susceptíveis – Infectados – Recuperados) para criar equações que mapeiam a disseminação e erradicação de doenças epidêmicas. Depois, confirmaram a aderência do modelo às redes sociais aplicando-o ao ciclo de vida do Myspace, rede social criada em 2002, cujo pico do número de usuários (300 milhões) foi atingido em 2007 e que caiu em desuso em 2011. E somente então o aplicaram ao Facebook.

E qual foi o resultado? Dizem eles que o Facebook, fundado em 2004 e cujo número de usuários atingiu o pico em 2012 (1,2 bilhão) está declinando e deverá ser praticamente abandonado até 2017. Se você é Facebook-dependente, sugiro buscar um sucedâneo…

FONTE: Estado de Minas.