EDUARDO COSTA

Mater Dei

Anteontem, escrevi sobre a arrogância, tão prejudicial ao nosso dia a dia e o quanto ela prejudica a torcida brasileira às vésperas da Copa que reunirá a nata do futebol entre nós. No caso de Belo Horizonte, a seleção argentina, a mais fascinante, por conta da rivalidade, da história e de incluir na sua delegação o melhor jogador do mundo, não é o bastante para nos animar. 

Em meio a tantas frustrações, uma ótima notícia: começa a operar depois de amanhã a nova unidade do Hospital Mater Dei, construída na Avenida do Contorno dentro de tudo o que foi combinado e prometido. E mais, sem recursos públicos, ao contrário. O terreno onde era o Mercado Distrital da Barroca foi arrematado em licitação que reuniu cinco interessados e o valor pago foi mais de duas vezes superior ao mínimo previsto na avaliação. A diferença é que o hospital tem foco, tem norte, escolhe o caminho, se prepara e vai em frente.  

A matriz é uma cidade. São 1.750 funcionários, 2.500 médicos cadastrados, 250 nascimentos por mês, as principais clínicas, convênios com escolas para estágios de Medicina, Psicologia e outras especialidades e milhares de atendimentos… Só no Pronto Socorro, a média diária é de 1.300 pessoas.

O Mater Dei prometeu uma nova unidade para a Copa. Com o terreno, preparou-se para criar um serviço compatível com sua história de 34 anos, de assistência qualificada, personalizada. Uma equipe de São Paulo foi contratada só para analisar o que deveria ser compartilhado com as duas unidades, o que seria centralizado na nova, etc… Assim é que, a partir de domingo, o pronto socorro de pediatria ficará restrito ao Mater Dei Contorno, enquanto a maternidade continuará na sede histórica, agora unidade Santo Agostinho. Um arquiteto especialista em hospitais também veio de fora, funcionários foram treinados e o que há de mais moderno em termos de tecnologia e equipamentos foi adquirido.

O fundador, doutor Salvador, entregou a rotina do hospital para os filhos – preparados ao longo de décadas – e assumiu as funções de encarregado geral na nova empreitada. O novo Mater Dei vai funcionar por etapas. Começa domingo com 10 das 21 salas de cirurgia, 21 dos 73 leitos de UTI, área ampla, conceito moderno, com acolhimento por fluxos de gravidade, e, aos poucos, haverá a ocupação de 22 andares, dois subsolos, com 14 elevadores que possibilitam operação tanto na vertical quanto na horizontal.

Já existem planos para uma nova unidade em Betim e outra em Nova Lima. Que pena que nem todos possam usar o Mater Dei. Mas isso não diminui a grandeza do empreendimento, sustentável, planejado, dentro da lei, pagando os impostos, cumprindo sua missão e nos ensinando como o Brasil seria diferente se essa seriedade não fosse exceção. Lá, no Mater Dei, filho ou neto do dono só trabalha se, antes, conhecer bem a casa e fazer um MBA em uma das grandes escolas de gestão do mundo. Lá, médico só opera se provar qualificação. Portanto, não há segredo no sucesso!

FONTE: Itatiaia.