Carnaval-2

Blocos de rua marcam carnaval de 2015 em BH e arrastam multidões

Alguns grupos ainda participam da programação de pós-carnaval.
Bairros Centro, Santa Tereza e Santa Efigênia receberam muitos foliões.

17.02 - Alegria não falta. Vista seu melhor sorriso e corre para curtir o último dia de folia em BH (Foto: Tábata Poline / G1)
Foliã curte o Juventude Bronzeada, em BH

Caiçara, Centro, Cidade Nova, Santa Efigênia, Santa Tereza. De jazz a samba, de marchinhas a música baiana, o carnaval 2015 em Belo Horizonte foi marcado pelo surpreendente crescimento de público e de blocos de rua. Na despedida da folia, nesta terça-feira (17), pelo menos dez grupos batucaram pelas avenidas da cidade e arrastaram multidões que pareciam querer adiar o fim do feriado.
O movimento que fez renascer a folia na capital não é novo. Começou em 2005, quando amigos se reuniram em alguns pontos da cidade para fazer um carnaval diferente, à moda mineira. Em 2009 os grupos se multiplicaram e começaram a atrair um público de fora da cidade.

Os mineiros mostraram o “jeitinho” acolhedor até para festejar e arrebanharam muitos foliões. Um pouco receosos com crescimento expressivo deste ano, muitos blocos de rua preferiram não se cadastrar na prefeitura. Ou se cadastraram, mas preferiram não ser divulgados. Mesmo assim, muitos turistas vieram e saíram atrás dos blocos. Dos mais conhecidos aos não divulgados.

17.02 - O "mestre dos magos mexicano" passou pelo carnaval de BH (Foto: Michele Marie / G1)
O “mestre dos magos mexicano”, em BH 

Até mexicano vestido de “mestre dos magos” se rendeu ao modo mineiro de “carnavalizar”. O personagem do desenho “caverna do dragão” foi visto no Bloco do Peixoto, no bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul, no início da tarde. A “Alice”, aquela do “País das Maravilhas”, também passou por lá com uma turma grande. Assim como as “mulheres-maravilha”, um grupo de chefs de cozinha que fez muita gente querer investir em culinária, e até um grupo que se cansou de sentir calor, e saiu de casa só de tolha. Afinal, é carnaval!

Mas se engana quem acha que a turma esperou a tarde para sair de casa. A animação começou cedo, com o pessoal do Juventude Bronzeada, no bairro Floresta, na Região Leste da capital. O sorriso no rosto e as pinturas no corpo eram presença certa.

Quem gosta de jazz curtiu o Bloco Magnólia, no Caiçara, na Região Noroeste. O grupo se inspirou nos cortejos de jazz de Nova Orleans e, com instrumentos de sopro, conquistou muitos foliões. Já as crianças se divertiram no Bloquim Dubem, no bairro Cidade Nova, na Região Nordeste. Com marchinhas de carnaval, muitos brinquedos e fantasiados à caráter, os pequenos lotaram o Parque Marcos Mazzoni.

Em Santa Tereza a festa foi intensa. Em todo canto havia um bloco de rua que puxava uma nova canção. O público, fiel, seguia e cantava em coro. Os blocos Balai Lama, Inocentes de Santa Tereza e Maria Baderna foram alguns dos que passaram por lá.

 

17.02 - Público começa a se reunir para show na Praça da Estação, em BH (Foto: Tábata Poline / G1)
Público começa a se reunir para show na Praça da Estação, em BH

A Praça da Estação também recebeu público durante todo o dia. Contudo, o show mais esperado estava marcado para a noite de terça. Dona Jandira, Delega Samba Clube, Alcova Libertina e Aline Calixto se reuniram para a despedida da programação oficial do carnaval na cidade. Outros blocos devem desfilar nos dias 21 e 22 de fevereiro. Eles encerram a folia no pós-carnaval em Belo Horizonte. Um festa intensa, visivelmente maior e que deixa gosto de quero mais em muita gente.

 

Eduardo Costa

De novo, o Carnaval mostrou que a solução para alguns dos males recorrentes de Belo Horizonte é a ocupação das ruas pela população. O que se viu nos últimos cinco dias foi algo realmente arrebatador e definitivo: se a gente quiser, vira o jogo e vive mais feliz nesta cidade. Não foi preciso ordem por ofício, reuniões intermináveis de gabinetes ou pronunciamentos pomposos. As pessoas simplesmente foram para a rua, se encontraram, felizes, não houve violência, nem trânsito engarrafado e nem queixas contra nosso jeito de ser.

Há décadas que defendo um modelo diferente para o nosso Carnaval. Essa história de fazer desfiles das escolas e dos caricatos na Afonso Pena está superada há 30 anos. Não que os sambistas ainda resistentes não mereçam nosso respeito; ao contrário, é em homenagem a eles e à inteligência que precisamos acabar com a conversa de quando todos já estão na avenida, esperando algo pelo menos razoável, e vem a justificativa esfarrapada de sempre: “Não foi possível fazer melhor, a verba só foi liberada pela Prefeitura há três dias…”

É simples. Quem quiser sair com um bloco só precisa avisar, por escrito, à prefeitura. Importante frisar que alguns grupos se recusaram a fazê-lo este ano, o que não é cidadão, não contribui para a ordem pública e não devia ser permitido. Avisada, a prefeitura se limitaria apenas a fornecer a estrutura básica, com fechamento de vias e instalação de banheiros. Por sua vez, a Polícia Militar garante a segurança. Não precisa gastar dinheiro público nem criar burocracias irritantes. Ninguém discorda de que se as ruas são ocupadas elas naturalmente se tornam mais seguras e a ausência de brigas ou vandalismos nos três primeiros dias me autorizaram a escrever essas linhas antes mesmo do término da folia.

O apelo é no sentido de que não tentem capitanear em cima das “Baianas Ozadas” ou de qualquer um dos blocos. Ano que vem tem eleição e, claro, vai aparecer um monte de espertalhão querendo assumir o filho bonito.

Que a cidade não permita retrocessos! Que a turma da tristeza não vença de novo! Que não seja necessário impor término da festa às 7h da noite! Que os mais cansados fiquem em casa (como eu), descansando, sem atrapalhar! E que os chatos viajem nos próximos carnavais, de preferência onde serão bem recebidos… Como em Guarapari, por exemplo!

.

.

FONTE: G1, Hoje Em Dia e O Tempo.