Médica que integrou Bando da Degola, em BH, é condenada a 46 anos e seis meses de prisão

A médica Gabriela Ferreira da Costa, de 31 anos, foi condenada, no início da noite desta terça-feira, a 46 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Gabriela era acusada de ser um dos membros do Bando da Degola e foi sentenciada pelos crimes de formação de quadrilha, extorsão, cárcere privado, homicídio triplamente qualificado (praticado com o fim de facilitar a execução de outro crime utilizando meio cruel e dificultando a defesa da vítima) e destruição e ocultação de cadáver.No interrogatório, que durou dez horas, Gabriela afirmou que sua participação no crime foi somente realizar saques nas contas das vítimas, mas ressaltou ter sido obrigada a fazer isso, pois era amedrontada.

Segundo Gabriela, um mês antes dos crimes o chefe da quadrilha, Frederico Flores, ameaçava ferir seus parentes e amigos. Ela contou que era vigiada e seguida o tempo todo por integrantes do bando.

Por outro lado, o promotor Francisco de Assis Santiago disse que Gabriela mente para não sofrer sanções. Para ele, a motivação da médica foi o “dinheiro sujo do crime” e a ré tinha conhecimento de todo o esquema. Santiago não acredita que ela tenha sido coagida por Flores.

A defesa da ré, declarou que só há evidências de que a médica movimentou as contas das vítimas, mas não há provas da participação dela nos outros crimes cometidos pelo grupo.

O júri foi presidido pelo juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes e o conselho de sentença foi composto por seis mulheres e um homem.

O crime

Em abril de 2010, a quadrilha assassinou os empresários Rayder Santos Rodrigues, de 39 anos, e Fabiano Ferreira Moura, de 36, em um apartamento do Bairro Sion, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

As vítimas foram sequestradas e extorquidas antes de serem executadas. Depois, tiveram as cabeças arrancadas e os dedos cortados e jogados em local não identificado. Os corpos foram queimados na MG-030, em Nova Lima.

As investigações apontaram para oito os membros da quadrilha. Destes, Frederico Flores, foi condenado a 39 anos de prisão; Renato Mozer a 59; Arlindo Soares a 44; Adrian Gabriel Gricorcea a 30; e Sidney Eduardo Benjamin a 3 anos, sendo este, em regime aberto.

Ainda aguardam julgamento em liberdade Luiz Astolfo e André Bartolomeu.

 

Médica do Bando da Degola é condenada a 46 anos e seis meses de prisão, mas continua solta

Gabriela Corrêa da Costa foi sentenciada por homicídio qualificado, cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

O júri popular condenou mais um integrante da quadrilha conhecida como Bando da Degola, grupo acusado de matar os empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39, em um apartamento no Bairro Sion, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A médica Gabriela Corrêa da Costa foi sentenciada por homicídio qualificado, cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Ela terá que cumprir 46 e seis meses de prisão. Porém, vai recorrer em liberdade.

O crime aconteceu em abril de 2010. Segundo as investigações, Frederico Flores, apontado como o líder da quadrilha, foi informado que os empresários Rayder e Fabiano estavam envolvidos em estelionato e contrabando, movimentando grande quantidade de dinheiro em várias contas bancárias. A partir daí, o bando sequestrou, extorquiu e matou os empresários com ajuda de outras sete pessoas. Os assassinatos aconteceram em 10 e 11 de abril em um apartamento depois que os acusados realizaram saques e transferências das contadas das vítimas. Em seguida, segundo relato do Ministério Público, eles mataram os empresários, cortando suas cabeças e dedos para dificultar a identificação, e os levaram para a região de Nova Lima, onde foram deixados parcialmente queimados. No dia seguinte, os réus se reuniram para limpar o apartamento. A médica foi apontada nas investigações da Polícia Civil como a gerente da quadrilha.

O julgamento durou aproximadamente nove horas no 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, no Fórum Lafayette. A sessão foi presidida pelo juiz titular Glauco Eduardo Soares Fernandes. Seis mulheres e um homem integraram o Conselho de Sentença. O promotor Francisco Santiago não ficou totalmente satisfeito com o resultado. “Por ela não sair presa, só no futuro vou poder dar uma resposta final a família das vítimas e a sociedade”, disse. Os advogados de defesa afirmaram que vão recorrer da sentença, pois consideraram errado as formas que foram escolhidos os quesitos.

Além de Gabriela e o líder do grupo, outras quatro pessoas foram condenadas. o ex-cabo da Polícia Militar (PM) Renato Mozer, o ex-estudante Arlindo Soares, o garçom norte-americano Adrian Gabriel Grigorcea, e o pastor Sidney Eduardo Beijamin.

O júri

Em depoimento durante o julgamento, Gabriela afirmou que fez os saques nas contas bancárias dos dois empresários mortos pela quadrilha. Ela afirmou que as primeiras transferências foram feitas por uma das vítimas, mas admitiu que fez outras transações semelhantes.

Ao comentar sobre os crimes, tentou deixar claro que cometeu os atos sob ameaças. A médica afirmou que era vigiada e seguida por membros do grupo criminoso. Durante o interrogatório, a médica contou para o advogado de defesa que foi chamada para assistir às agressões contra as vítimas para ser intimidada, caso traísse o líder da quadrilha.

Disse que não procurou a polícia ao ser convencida por Frederico Flores, considerado chefe da organização. Gabriela admitiu que sabia do sequestro, mas negou o envolvimento nos crimes que responde.

Gabriela está solta desde 6 de junho de 2010 depois de um habeas corpus que a tirou do Presídio São Joaquim de Bicas II.

Debates

O debate começou com o Promotor Francisco Santiago. Ele argumentou que a médica mentiu durante o depoimento para não sofrer sanções, como outros membros da quadrilha que já foram julgados. Para Santiago, Gabriela entrou no grupo por causa do ‘dinheiro sujo’ e tinha um conhecimento de todo o esquema. O promotor afirmou que não acredita que a ré era coagida pelos outros integrantes da quadrilha.

O advogado Arthur Kalil, que defende a médica, iniciou a sua argumentação citando o laudo psicológico de Frederico Flores. Durante o processo, a defesa do ex-estudante de direito tentou provar a insanidade mental do réu, mas um laudo indicou que ele é inteiramente capaz de compreender a gravidade dos crimes cometidos. Mesmo assim, Kalil citou a avaliação de especialistas e também histórico psiquiátrico revelado pela mãe do acusado.

O defensor afirmou que Gabriela não tinha condições psicológicas para ‘ser uma heroína’ e denunciar o plano. Segundo ele, há provas que a médica movimentou as contas das vítimas e não há provas de sua participação nos outros crimes.

FONTE: Itatiaia e Estado de Minas.