“Com a ajuda do Céu, eu venci um império enorme. Mas minha vida era muito curta para alcançar a conquista do mundo. Essa tarefa é deixada para você” – disse Temudjin (1162-1227), ou mais conhecido como Gêngis Khan (o Khan dos Khans). Impiedoso e violento, ele conquistou o maior império que um só homem já dominou durante o século XIII. Em seus 65 anos de vida, o líder nascido na Mongólia construiu o maior império em extensão, da costa do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio. Seus descendentes chegaram à Europa e ao Golfo Pérsico.

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“É a carreira militar mais fulminante da história. É como se um chefe de uma tribo indígena brasileira conquistasse hoje a América do Sul”, afirma Mario Bruno Sproviero, professor de Língua, Literatura e Cultura Chinesas da Universidade de São Paulo (USP). A comparação faz todo sentido. Além de dispersos geograficamente, os mongóis não possuíam leis escritas, na verdade não tinham sequer escrita. Não conheciam a agricultura e seus modos eram pouco civilizados, mesmo para os padrões da época.

 National Palace Museum in Taipei - Domínio Público.

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Mas nem só o terror construiu o império de Gêngis Khan. Ele foi um líder carismático, com profundo senso de justiça. Atos de bravura conquistavam seu coração e os guerreiros mais valentes, mesmo entre os inimigos, eram recompensados com posições de comando em suas tropas. Foi o primeiro líder a instituir a meritocracia na escolha dos seus generais, alto funcionários e conselheiros. Por outro lado, os traidores eram castigados com a morte. O líder era grato aos amigos e respeitava a religião alheia, incorporando cristãos, budistas e muçulmanos em seus quadros.

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Valorizava o conhecimento a seu modo: entre os prisioneiros, aqueles que tinham profissões ou alguma habilidade eram enviados para Caracorum, fortaleza militar que servia de capital para os mongóis. Preferia a recuar a ter grandes perdas em uma batalha, não dormia em palácios – apenas em tendas e vivia no modo simples mongol, ganhando muita admiração e lealdade do soldado comum.

Bill Toroli - Mural of seige warfare, Genghis Khan Exhibit, Tech Museum San Jose, 2010 (CC)

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O Legado Mongol

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A “Pax Mongolica” – enquanto perdurou – garantiu a expansão do comércio entre o oriente e a Europa, como a “Estrada da Seda” e abertura das antigas rotas da Antiguidade. A restauração das rotas de comércio trouxe para o oriente muitos mercadores europeus e embaixadores ocidentais. Com efeito, a “Pax Mongolica” foi um dos mais importantes mecanismos que movimentou o renascimento comercial da Europa Medieval. 

CC BY-SA 3.0

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Na cultura, o maior legado de Gengis Khan foi a propagação do “Yassak”, ou código de leis e de moral dos mongóis por toda a Ásia e parte da Europa. Fazem parte do “Yassak” normas morais, como amar ao próximo, não roubar, não cometer adultério e não mentir; normas educacionais, como honrar o justo e o inocente, respeitar os sábios; éticas, como não trair ninguém, poupar os idosos e os pobres; normas religiosas, que obrigavam todos os mongóis a honrar todas as religiões. Apesar da simplicidade das leis, a punição pela a maior parte dos delitos na época era a morte. E os mongóis desse período tinham uma incrível criatividade para as penas de morte…

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FONTE: Percurso Pré-vestibular e Enem.

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