Morre, aos 87 anos, o médico e cronista Adelmar Cadar

Belo-horizontino foi jornalista, médico, viajante e responsável por uma trilogia de crônicas

 

Cristina Horta/EM/D.A Press - 22/09/2014
Um homem cheio de histórias, vibrante e curioso, que viveu mais de cinco décadas como jornalista, médico, viajante e observador do mundo. Assim – e muito mais – era o belo-horizontino Adelmar Cadar, falecido ontem, aos 87 anos, na capital. Em setembro, ao lançar o terceiro volume da trilogia Diário de um médico, com centenas de crônicas, muitas delas retratando o cotidiano da cidade, doutor Cadar, como era conhecido, fez questão de reafirmar o amor pela cidade: “Nasci em 11 de junho de 1927, na Rua Aimorés”.

Na casa no Bairro Sion, na Região Centro-Sul, onde morava, o otorrinolaringologista gostava de se lembrar de passagens memoráveis, e também de contá-las e colocá-las no papel. “Escrever é uma forma de libertação. E essa libertação vem da força do pensamento e da vontade de criar”, destacou o médico, que trabalhou na redação do extinto Diário da Tarde e Estado de Minas. “No tempo da máquina de escrever, eu datilografava 125 palavras por minuto. Não gastava mais do que 10 minutos para compor um texto”, orgulhava-se.

As frases grafadas no papel eram fruto dos casos que o doutor Cadar escutava no consultório e nas ruas – e a memória invejável se encarregava de armazenar tudo. Com a longa experiência profissional, o médico, viúvo, que teve três filhos e trabalhou meio século na Santa Casa de BH, considerava fundamental aproveitar o lado bom da vida. E se alguém achava isso meio etéreo, respondia sem medo: “Só depende de nós. O mundo só precisa mesmo de bondade de coração”.

ESPORTE Futebol e turfe foram duas grandes paixões do doutor Cadar. Atleticano doente, tornou-se conselheiro do time do coração. Um amigo do peito do qual não nunca se esqueceu foi Geraldo Teixeira da Costa, “o Gegê, lá de Santa Luzia”, conforme se referia ao antigo diretor-geral dos Diários Associados. Ele contou ao repórter, em setembro: “Ao ingressar na Folha de Minas, já ouvia dos companheiros referências, as mais elogiosas, a Gegê. Transferindo-me para o EM, passei a ter contato diário até o dia da minha formatura, quando abandonei profissionalmente o jornalismo para me dedicar exclusivamente à medicina”. Nas lides do esporte, o médico operou muitos jogadores de nome, entre eles o atacante Reinaldo.

Para doutor Cadar, a medicina sempre foi um sacerdócio e, o médico, muito mais do que um profissional da área de saúde. Afinal, garantia, ele precisa ser caridoso, meio psicólogo, fazer um trabalho social para ajudar na composição familiar. Em resumo, a profissão é como tudo na vida: “Tem gente boa, tem gente ruim; médico bom, médico ruim e por aí vai”. O enterro será às 16h, no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

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FONTE: Estado de Minas.

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