ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 04/06/2015, 06:30.
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Mais um bufê deixa noivos no prejuízo
Casais reclamam de perdas e falta de informação por parte do Cléo Perrella, que registrou extinção na Jucemg em maio

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Pelo menos 10 casais de noivos dizem viver um pesadelo após descobrirem que o bufê de suas festas de casamento, o Cléo Perrella, fechou as portas sem avisar e sem devolver o dinheiro já pago pelos contratantes. A empresa funcionava em uma casa no Bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte, e está fechada há pelo menos duas semanas. Nas redes sociais, a clientela, a maioria composta por noivas, compartilha os calotes para tentar reaver os prejuízos, que chegam a R$ 20 mil. O site do bufê foi retirado do ar e a página no Facebook virou alvo de denúncias e reclamações. De acordo com a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), a empresa registrou extinção no dia 26 de maio de 2015.
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Um noivo que não quis se identificar conta que fechou o contrato com o bufê em agosto do ano passado e que escolheu a empresa por causa das boas referências que recebeu. Ele e a mulher desembolsaram R$ 8 mil para as despesas com a festa do casamento, que está marcado para setembro. No entanto, após ouvir boatos de que a proprietária Cléo Perrella estaria endividada, resolveu cancelar o contrato. “Surgiu uma conversa de que ela já tinha prejudicado um fornecedor de bebidas e eu procurei me informar melhor. Descobri que ela tinha dado vários cheques sem fundo no estabelecimento e achei melhor suspender a contratação”, disse.
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O noivo afirmou que não teve dificuldade para cancelar o contrato. No entanto, segundo ele, até hoje, não recebeu a restituição do valor pago. “Ela chegou a nos passar dois cheques sem fundo e mandou uma mensagem de texto,  informando que vendeu o fundo do bufê e que nos devolveria o dinheiro pago em prestações. Ela chegou a fazer um depósito de R$ 900 em nossa conta. Depois disso, ela desapareceu”, lamenta.
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Há cerca de um mês, o Estado de Minas entrou em contato com a proprietária Cléo Perrella, após rumores de que a empresa deixaria de honrar os contratos firmados. Na ocasião, a empresária admitiu passar por um período de dificuldades, mas afirmou que honraria todos os compromissos deste ano. Ontem, a reportagem tentou novo contato por telefone, mas ninguém atendeu às ligações. Até o fechamento desta matéria não havia informação oficial sobre o posicionamento da empresa em relação aos contratantes prejudicados. Os clientes sabiam apenas, por meio de boatos, que Cléo Perrella estaria desfrutando férias com a família em Bariloche, na Argentina.
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PRECAUÇÕES Segundo especialistas, planejar com antecedência é a sugestão para evitar armadilhas na contratação de fornecedores. Conhecer a história e a tradição da empresa, e não só considerar apenas o preço do serviço, também é uma orientação importante. “É preciso desconfiar de orçamentos com valores muitos baixos”, alerta o presidente do Sindicato dos Bufês de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindbufê) João Teixeira Filho.
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Exigir que a empresa apresente, antes de fechar o evento, o contrato de serviço, o contrato social, o alvará de localização e funcionamento, o alvará sanitário, a inscrição estadual e a inscrição municipal permite consulta de possíveis denúncias e queixas sobre a empresa. “A falta de alguns desses documentos, como o alvará sanitário, pode indicar que o bufê não tem produção própria, o que não é ilegal, mas cabe ao contratante questionar a origem dos produtos, que deverá ser uma empresa devidamente legalizada”, observa o presidente do Sindbufê.
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Outra recomendação importante é que o contratante se envolva sempre na organização do evento. “Participe da negociação. É preciso conhecer cada detalhe do trabalho. Delegar a função a outra pessoa pode resultar em frustrações. Estar envolvido na contratação também garante que o bufê tenha a oportunidade de perceber melhor a expectativa do cliente. Só assim é possível indicar o melhor serviço, que vá atender o sonho do cliente com excelência”, garante Teixeira.
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CAIÇARA

Dona de bufê dá calote em ao menos dez noivas  

Empresa é suspeita de ter cancelado serviços pouco antes de casamentos

Buffet Cleo Perrella

Perdas. Proprietária de empresa não devolveu adiantamento nem pagou multa prevista em contrato

 

Falta pouco mais de um mês para o grande dia da noiva Raíssa Lott, 24. Há mais de um ano, a professora tem preparado a festa de casamento, especialmente planejada com cardápio que inclui apenas comidas vegetarianas. Tudo estava dando certo, até que o bufê cancelou o contrato sem devolver os R$ 10 mil adiantados pelo serviço nem pagar a multa. Solidária com o prejuízo da jovem, a família faz “vaquinha” para conseguir fechar com outro fornecedor, de última hora.

Raíssa e ao menos outras nove noivas que alegam ter sido vítimas de calotes do Buffet Cléo Perrella criaram grupo em uma rede social para compartilhar o problema e tentar reaver o prejuízo, que começou em setembro de 2014. A professora havia contratado a empresa por R$ 18.500, e faltava quitar apenas R$ 8.500, que seriam pagos até o dia da festa. No entanto, há 15 dias, a Cléo Perrella enviou e-mail desfazendo o contrato e avisando que pagaria a multa. “Agora ela está mandando mensagem dizendo que não tem dinheiro, que sente muito, que vai pagar, mas não sabe quando”, contou a diretora escolar Adriana Lott, que tomou as dores da filha Raíssa e está à frente da situação.

Os bufês que a família da jovem encontra e que aceitam fazer as comidas vegetarianas estão cobrando cerca de R$ 23 mil. “Já gastamos R$ 70 mil com os fornecedores do casamento. Ela (Cléo) teria que pagar R$ 15 mil pela multa e pelo que já paguei. Vou até o fim, acionarei a Justiça para pedir o temos direito, nem que veja o dinheiro apenas para o casamento dos meus netos”, desabafou Adriana.

Outra vítima. Prima de Raíssa, Gabriela Drumond contratou e indicou o bufê à parente após ter ido a uma festa feita pela empresa, que considerou “excelente”. Ela também foi vítima do calote, mas teria que receber um pouco menos de Cléo Perrella, R$ 6.500, já que o evento foi cancelado três meses antes da data da festa.

“Pesquisamos o bufê porque já tinha tido outros casos de calote, como o Tereza Cavalcanti, mas não esperávamos que isso aconteceria com a gente. Agora, ela (Cléo Perrella) está se fazendo de vítima, dizendo que não tem condições de pagar, que já vendeu o carro, mas no Instagram tem fotos dela em viagens ao exterior”, contou Gabriela.

Falência. De acordo com clientes, o imóvel onde a empresa é sediada, no bairro Caiçara, na região Noroeste, está fechado. O site está fora do ar. Ainda não há informações de que o Cléo Perrella tenha decretado falência. Nas redes sociais, há várias reclamações sobre a empresa. A dona do bufê teria alegado às clientes que cancelou os contratos porque teve oportunidade de vender a empresa.

Outro. Em maio de 2014, clientes do bufê Tereza Cavalcanti, também na capital, foram surpreendidos com a informação de que a empresa teria falido e os funcionários, demitidos. A dívida da empresa chegaria a R$ 10 milhões.

Direitos. Clientes que se sintam lesados por fornecedores podem fazer boletim de ocorrência sobre o caso em delegacia do consumidor. O Procon indica que, antes de contratar uma empresa, as pessoas verifiquem se ela tem registro na junta comercial da cidade e alvará de funcionamento da prefeitura, e se há ações na Justiça e nos Procons. Outro cuidado importante é pesquisar referências pessoais.

Sem resposta

Empresa. Procurada por O TEMPO por telefone,a dona do Buffet Cléo Perrella escreveu mensagem pedindo um número de telefone fixo do jornal, mas não ligou nem respondeu mais.

FONTE: O Tempo.

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