Bufê acumula dívidas em BH  

Funcionários reclamam que estão sem receber e afirmam que fornecedores também têm prejuízos

Calote

Imóvel. Reportagem entrou na casa onde Buffet Cléo Perrella funcionava: são mais de dez cômodos

O fechamento, até agora sem explicação, do Buffet Cléo Perrella, com sede no bairro Caiçara, na região Noroeste da capital, pode ter prejudicado não só as dez noivas que estavam com casamento marcado, mas também funcionários e fornecedores que prestavam serviços para a empresa.

Todos os 11 empregados do bufê, dispensados pela proprietária no último dia 8, acionaram a Justiça para tentar receber os débitos trabalhistas em atraso. Em alguns casos, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não estava sendo depositado desde 2011. Os trabalhadores estimam que a dona da empresa esteja devendo, apenas em bebidas, R$ 300 mil.

Acompanhados pelo proprietário da casa onde funcionava o bufê, a reportagem conseguiu, com exclusividade, entrar no imóvel. Sob anonimato, uma das funcionárias que trabalhavam no bufê há vários anos também procura respostas. “Não consigo entender os verdadeiros motivos que levaram a isso. Era uma empresa boa, e ela era uma patroa bacana”, contou.

No entanto, a funcionária disse que os salários começaram a atrasar há cerca de um ano e, em dezembro, foram iniciados os revezamentos. “Cada dia da semana um (funcionário) ia à empresa, mas foram cumpridos todos os contratos (de clientes) antes do dia 8 de maio”.

A funcionária, que agora tenta se manter com “bicos”, disse que os colegas resolveram acionar a Justiça para tentar receber o FGTS, os oito dias trabalhados em maio, férias e 13° salário, além de saber se o INSS também estava sendo recolhido. “A gente não está cobrando nada que não é da gente. Só queremos os nossos direitos trabalhistas”, questionou.

Outra funcionária, que também preferiu não se identificar, disse que a dona do bufê não compareceu à primeira audiência, em 27 de maio. A próxima está marcada para 29 de junho.

Oficial

Situação. Procurados pela reportagem, a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), o Fórum Lafayette e a Prefeitura de Belo Horizonte não foram encontrados para confirmar o fechamento do bufê.

Imóvel foi devolvido aos donos sem as reformas necessárias

A reportagem esteve nos mais de dez cômodos da casa de dois andares onde funcionava o bufê, e o cenário, com muita poeira, denuncia o abandono. O proprietário contou que o imóvel foi deixado sujo e com reformas que adaptavam o espaço ao serviço da empresa. Ele disse que há alguns dias viu a dona do estabelecimento, Cléo Perrella, no local. “Ela saiu sem acertar o aluguel e reformar o imóvel”, disse, sob anonimato.

Cléo foi procurada pela reportagem por celular, mas ninguém atendeu. Também procurada, a irmã dela, Tereza Perrella, não explicou a situação do bufê.

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FONTE: O Tempo.

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