O batuque dos indignados
Moradores de Belo Horizonte voltaram a fazer um panelaço contra o governo e a presidente. Buzinas e apitos reforçaram o protesto que durou o tempo do programa do PT em rede de TV
Dilma
Integrantes do movimento Brasil Livre e Patriotas, que pedem o impeachment da presidente, incentivaram o buzinaço na Avenida do Contorno com Olegário Maciel. Na Praça JK, na Avenida Bandeirantes, casal reforçou o panelaço da janela, enquanto no Bairro de Lourdes, dona Rosa, de 70 anos, preferiu ir para a rua

 (Tulio Santos/EM/D.A Press)

O PT até tentou pedir paciência à população e chamar a atenção para os avanços e conquistas do governo Dilma Rousseff a partir de um programa partidário com cara de superprodução. Mas, em vez dos petistas, muitos belo-horizontinos preferiram ouvir o som das panelas e das buzinas. Moradores ignoraram a ironia da legenda em relação à manifestação que usa caçarolas – o programa diz que, com as panelas, o PT continuará fazendo o que mais faz: “enchê-las e comida e esperança” – e, pela quarta vez este ano, orquestraram um sonoro panelaço contra o partido. O barulho vindo de carros e o piscar das luzes reforçaram os protestos, que duraram 10 minutos, tempo do programa.
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O Estado de Minas esteve presente em 20 bairros espalhados por toda a cidade e registrou as mais diferentes manifestações. Houve protesto no Anchieta, Centro, Lourdes, São Bento, Santa Lúcia, Sion, Mangabeiras, Funcionários, Santo Antônio e Serra, na Região Centro-Sul. Na Avenida Bandeirantes, que corta bairros da Zona Sul, junto do barulho nas janelas, motoristas não pouparam as buzinas.
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Os gritos de “Fora, PT” e “Fora, Dilma” reforçaram o coro daqueles que pedem o impeachment da presidente. Ontem, pesquisa Datafolha mostrou que o percentual da população brasileira que defende a abertura do processo de afastamento de Dilma pelo Congresso Nacional já chega a 66%. Os manifestantes também apagavam e acendiam as luzes de casa em sinal da insatisfação com a situação do país.
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Moradores do Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste, também foram para as janelas mostrar a indignação contra o governo Dilma. Enquanto no Alto Barroca e no Grajaú, na Região Oeste, houve panelas e buzinas, do outro lado, no aglomerado Morro das Pedras, moradores ironizavam os manifestantes dos bairros de classe média com gritos de “Zero”.
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Em menor proporção, também houve protesto nos bairros Prado, na Região Oeste, onde os moradores soltaram fogos de artifício, Caiçara, na Região Noroeste, bairros da Graça e Concórdia, na Região Nordeste, e Manacás, na Região da Pampulha. Na Avenida Saramenha, no Bairro Aarão Reis, na Região Norte de BH, não houve manifestação. No interior de Minas, a exibição do programa do PT não gerou tantas reações como na capital.
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Foi o quarto protesto este ano contra o governo de Dilma Rousseff e o PT. O primeiro ocorreu em 8 de março, durante pronunciamento da presidente pelo Dia Internacional da Mulher. Em 15 de março, depois de manifestações de rua, novo panelaço aconteceu enquanto os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rosseto, da Secretaria-Geral da Presidência, concediam entrevista coletiva à imprensa, transmitida ao vivo pelas emissoras de TV. Em 5 de maio, houve novo panelaço durante programa partidário do PT.
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O protesto em decibéis
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Do alto do bairro São Pedro, a reportagem do Estado de Minas conseguiu medir com um decibelímetro o som do protesto de ontem à noite nos vizinhos Santo Antônio, Carmo e Sion. Em menos de 10 minutos, panelas, buzinas e apitos fizeram uma noite que registrava média de 62 decibéis – próximo do volume de uma conversa entre pessoas – saltar para uma média de 75 (altura do som produzido por uma serra circular) até o pico de 86 decibéis (mais alto que uma esmerilhadeira). Os ruídos chegaram a 80 decibéis quando o ex-presidente Lula entrou em cena, mas atingiram o pico quando Dilma apareceu.

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FONTE: Estado de Minas.

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