Termômetros marcam 37,40C em BH, maior temperatura registrada desde 1910. Moradores recorrem a fontes, praças e locais climatizados para se refrescar

Garoto se refresca com roupa e tudo na fonte da Praça da Estação, no Centro de BH: calor combinado com umidade do ar de apenas 12% castigou belo-horizontinos (TULIO SANTOS/EM/D.A PRESS
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Garoto se refresca com roupa e tudo na fonte da Praça da Estação, no Centro de BH: calor combinado com umidade do ar de apenas 12% castigou belo-horizontinos

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As irmãs Beatriz, de 34 anos, e Aline Laurita Rodrigues, de 30, chegaram por volta das 15h30 à Praça da Estação, no Centro. A ideia era pegar o mais rápido possível o ônibus para casa, em Santa Luzia, mas o calor insuportável mudou os planos: de roupa e tudo, as duas resolveram se refrescar antes na fonte luminosa da praça. “A gente não resistiu. Hoje esquentou demais”, justificou Beatriz. Assim como as irmãs, moradores de Belo Horizonte e da Região Metropolitana recorreram a fontes, bicas, praças e locais climatizados para enfrentar a tarde mais infernal já registrada na capital em mais de um século. Exatamente às 14h15, a estação da Pampulha marcou 37,40C, maior temperatura medida na cidade desde 1910.
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O calor de ontem superou o recorde anterior, de 37,10C, de 30 de outubro de 2012. O dia foi tão quente que já às 13h40, a estação de medição na Região Centro-Sul já marcava 370C, temperatura que ainda não havia sido registrada este ano. Os termômetros em alta, dizem os meteorologistas, são reflexo de massa de ar quente e tem relação com El Niño – fenômeno  que aquece a temperatura da água no Oceano Pacífico, na costa do Peru e do Equador. “A gente já esperava que as temperaturas batessem recordes porque o El Niño é um mais intensos dos últimos 65 anos”, diz o o meteorologista Ruibran dos Reis, do Instituto ClimaTempo. A situação deve se repetir outras vezes até o fim do ano. “Ainda vamos ter temperaturas elevadas em novembro e dezembro, com várias ondas de calor”, afirma Ruibran.
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Para piorar, a umidade relativa do ar ficou em torno de 12%, o que é considerado estado de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – índice abaixo de 30% já é prejudicial à saúde. Tanta secura levou a cozinheira Neide Almeida, de 47, a atender aos pedidos da filha Hilary, de 6, e do neto Thales, de 4, para tomar banho na fonte da Praça da Estação. “Não tive como negar, é muito calor”, disse a avó.
Calorão 3
Perto dali, na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul, as sombras das árvores eram disputadas por frequentadores. A funcionária pública Heloísa Gouvêa, de 49, recorreu ao chapéu para proteger o rosto. “Minha pele é muito sensível e tenho que me proteger”, justificou. “Peguei a roupa mais leve que tinha para suportar esse calorão”. A amiga Edelvais Queirós, de 47, comprou sorvete e uma garrafa d’água. Já os estudantes Henrique Guimarães, de 18, e Kamila Xavier, de 19, preferiram ir para a Praça do Papa, no alto do Bairro Mangabeiras. Os dois deram sorte: uma leve brisa aliviou um pouco o calor.
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Mais sorte ainda teve a encarregada de expedição Geise Soares, de 24. Ela trabalha em um local que ontem dava inveja a muita gente: uma fábrica de gelo na Avenida Presidente Carlos Luz, no Bairro Caiçara, Região Noroeste da capital. “Sempre vou à câmara fria verificar o estoque de gelo e para mim é a melhor hora”, disse Geise.
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Calor em todo o estado
No interior de Minas Gerais, o calor também castigou moradores. A maior temperatura foi registrada em Ituiutaba e Campina Verde, no Triângulo Mineiro. Nestas cidades, os termômetros atingiram 410C, próximo ao recorde do ano, que foi de 41,40C, registrado em Mocambinho em 5 de outubro. A previsão do tempo para os próximos dias indica possibilidade de chuva em cidades da Zona da Mata e do Sul de Minas, mas Belo Horizonte não deve registrar precipitações durante o fim de semana, embora a passagem de frente fria no domingo pelo litoral de São Paulo possa contribuir para o aumento da umidade.
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INCÊNDIO Bombeiros e brigadistas não conseguiram controlar ontem o incêndio que consome há três dias a vegetação do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, entre Belo Horizonte e Brumadinho. Os trabalhos foram encerrados por volta das 20h e seriam retomados às 5h de hoje. As chamas se concentram próximo ao manancial da Região do Barreiro, na capital mineira e chegaram a ameaçar casas. “Se aproximaram da casa de um funcionário do IEF (Instituto Estadual de Florestas) e de residências de uma ocupação, mas não chegaram a atingir nenhuma. Outras 18 unidades de conservação em Minas seguem sendo destruídas por incêndios.

 

Além do calor, BH enfrenta incêndios, como o que consome reserva do Rola-Moça  (Túlio Santos/EM/D.A Press)
Além do calor, BH enfrenta incêndios, como o que consome reserva do Rola-Moça

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FONTE: Estado de Minas.

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