Tiroteios e explosões em Paris deixam pelo menos 120 mortos
Presidente da França decretou estado de emergência e ordenou que todas as fronteiras do país sejam fechadas

Terror em Paris

Tiroteios e explosões em sete pontos diferentes de Paris, entre eles o Stade de France, onde as seleções de França e Alemanha disputavam um amistoso, ocorreram na noite desta sexta-feira (13), deixando vários mortos. O número final ainda não foi confirmado pelas autoridades, mas segundo a prefeitura da cidade cerca de 100 pessoas morreram somente em uma casa de shows e pelo menos 20 nos demais locais atacados.

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Só na boite Bataclan, casa de shows centenária, são mais de 100 mortos. O local tinha aproximadamente 1.500 pessoas para o show da banda californiana Eagles of Death Metal. O lugar foi invadido por terroristas, que abriram fogo contra a multidão.

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Por volta de 0h30 em Paris (22h30 em Brasília), o Batalhão de Busca e Intervenção (BRI), força especial da polícia francesa, invadiu o local e matou pelo menos três terroristas que haviam atacado o local com fuzis e granadas.
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A polícia decidiu invadir o local após ouvir detonações no interior da casa de shows, onde dezenas de pessoas ainda eram mantidas como reféns pelos terroristas. Segundo policiais que entraram no Bataclan, localizado no boulevard Voltaire, a cena era de um a “verdadeira carnificina”.

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O presidente francês François Hollande se dirige ao local na noite desta sexta-feira (13). O local é uma sala de espetáculos construída em 1864 pelo arquiteto Charles Duval. O seu nome refere-se a Ba-Ta-Clan, uma opereta de Jacques Offenbach.

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O mandatário francês estava no estádio Stade de France, onde assistia a um amistoso de futebol. Além de bombas no entorno do estádio, houve ataques nos seguintes locais: a Gare Du Nord, o restaurante Petit Cambodge, o bar Le Carrilon, o Bataclan Concert Hall, o Belle Equipe Bar e em Les Halle.

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A prefeitura de Paris pede que a população não saia de casa, uma vez que as ruas não são consideradas seguras neste momento.

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Brasileiros feridos

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Na noite desta sexta-feira o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, confirmou que pelo menos dois brasileiros ficaram feridos durante os atentados. Conforme a assessoria do órgão, não há informações se trata-se de turistas ou de residentes no país europeu. Os nomes das vítimas não serão divulgadas em respeito à privacidade dos feridos.

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Ainda de acordo com o Itamaraty, a situação em Paris está sendo acompanhada por meio do consulado, que tenta neste momento localizar brasileiros feridos. Ainda não se sabe a gravidade dos ferimentos ou se eles estão hospitalizados.

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Relatos

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A série de ataques terrorista desta noite em Paris deixou a população chocada e “cheia de medo”, disse à Agência Lusa a dona do restaurante Chez Celeste, a cinco minutos a pé de um dos cafés onde houve um dos ataques.

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A cabo-verdiana Celeste do Carmo disse que foi obrigada a fechar o restaurante e que a polícia aconselhou toda a gente a ficar lá dentro. “Os cafés fecharam todos aqui na rua porque está todo mundo com medo. A polícia passou e disse que toda a gente tinha que entrar. Agora não podemos ir para a rua, está tudo bloqueado na rua, não se pode sair nem entrar”, disse Celeste do Carmo.

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O filho da cabo-verdiana, Mateus Camões, fumava a cerca de 50 metros do café Le Petit Bayonne quando ouviu os disparos. “Vi toda a gente no chão, uns em cima dos outros, com muito sangue. Balas de pistola no chão, a pessoas fugindo e a gritando”.

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Nos arredores de Paris, José Luis Fernandez estava no Stade de France com o cunhado para assistir ao jogo das seleções de futebol da França e Alemanha e ficou “chocado” com o que viu. “Foi o caos total. As pessoas entraram em pânico. Foi infernal. Estou ainda chocado. Não vi feridos, mas ouvi as explosões muito bem. Vi as ambulâncias, a polícia, bombeiros, helicópteros, foi tudo muito rápido. Ficamos dentro do estádio e não podíamos sair”, disse.

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Emilioi Macchio, de Ravenna, na Itália, tomava uma cerveja na esquina do bar Carillon, perto do restaurante que foi alvo, quando o tiroteio começou. Ele contou não ter visto nenhum atirador ou nenhuma vítima, mas se escondeu em uma esquina e então fugiu. “Pareciam fogos de artifício”, disse. Nas redes sociais, internautas divulgam fotos de vítimas caídas pela cidade.

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Estado Islâmico

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O portal “Site”, que monitora as atividades dos jihadistas na internet, disse que o grupo terrorista Estado Islâmico assumiu a autoria dos ataques na noite desta terça-feira (13) em Paris. Até agora, a polícia contabiliza mais de 100 mortos em sete ataques na capital francesa, a maioria na casa de espetáculos Bataclan.

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Segundo a diretora do portal, Rita Katz, a revista do Estado Islâmico, a “Dabiq”, escreveu que a França “manda seus ataques aéreos para a Síria diariamente” e que essas ações “matam crianças e idosos”. “Hoje vocês estão bebendo do mesmo cálice”, escreveu a publicação.

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Ela ainda informou, por meio de sua conta no Twitter, que há simpatizantes do grupo terrorista “celebrando” a série de ataques. “Fãs do Estado Islâmico celebram os ataques na França com um aviso: ‘isso é só o começo … Aguarde até os istishhadis [suicidas] chegarem com seus carros”, postou a diretora do maior portal de monitoramento das atividades jihadistas.

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FONTE: O Tempo.

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