Policiais mirins de MG que sonham ser profissionais emocionam militares

Miguel, de 4 anos, e João Victor, 11, são apaixonados pela profissão.
Psicopedagoga destaca a importância de incentivar o exemplo positivo.

Muitos já se perguntaram o que querem ser quando crescer. “Policial militar” é a resposta imediata de pequenos mineiros: Miguel, de quatro anos, de Bom Jardim de Minas, sul do Estado; e João Victor, de 11 anos, de Senhora dos Remédios, no Campo das Vertentes.

A admiração é tão grande que os dois têm fardas mirins, são conhecidos dos policiais nas cidades e contam com o apoio das famílias na descoberta sobre as características desta profissão. Em entrevista ao G1, a psicopedagoga Clara Duarte, que participou do quadro MGTV Responde falando sobre o assunto (confira vídeo acima), destacou a importância de oferecer exemplos positivos desde a infância.

“Quanto mais cedo a criança conhecer vários personagens e pessoas que podem ser um exemplo positivo para ela, melhor para abrir o leque de opções. Só vai agregar. Ela vai acabar optando por algum, e aqueles outros que ficam no inconsciente dela vão trazê-lo uma pessoa mais completa, porque nós somos um total de referencias”, analisou.

Os ‘PMs mirins
Miguel Menezes Rodrigues, o garoto de quatro anos de Bom Jardim de Minas, gosta do Corpo de Bombeiros e da equipe de resgate da ambulância. Mas a maior paixão dele é a PM.

Miguel PM Bom Jardim de MG 2 (Foto: Reprodução/ TV Integração)
Fardado, Miguel segue o exemplo dos policiais militares

O pequeno tem até uma farda com todos os apetrechos e imita o gestual dos policiais, até aplicando multas imaginárias quando percebe algo errado nas ruas. E ele leva a rotina de “PM mirim” para as brincadeiras com os irmãos e amigos. “A gente brinca de polícia e ladrão. Eu, ele, nosso irmão e um colega. São dois policiais e dois ladrões. Ele fica sempre para prender”, contou Guilherme Menezes Rodrigues, irmão mais velho de Miguel. Os pais observam as brincadeiras e impõem limites. “Tem horas que ele quer saber de arma. No entanto, a gente diz que arma é só para polícia”, disse o pai, Cleverton Landin Rodrigues.

O interesse de Miguel começou há mais de um ano, quando o sargento Linus Neiva Marçola passava em frente à casa do menino durante patrulhamento e começou a acenar para ele. Miguel habituou-se a esperá-lo. O MGTV acompanhou uma visita do garoto à sede da polícia em Bom Jardim de Minas. Tímido, ele preferiu conhecer, brincar, acionar a sirene e falou pouco. “Isso vem de berço. Ser policial militar é uma honra. A gente nasce com isso. O Miguel, com certeza, vai prosperar nessa carreira”, disse o sargento Marçola.

O comandante da 140ª Companhia da PM, tenente Wagner José da Silva, emocionou-se diante do interesse espontâneo do garoto pela profissão. “A situação dele nos traz admiração por ver que os nossos serviços estão sendo recompensado pelo entusiasmo que ele demonstra pelo trabalho policial. Ao longo dos meus 25 anos de serviço, a gente vê que as crianças nutrem esse gosto, essa admiração pela farda. A gente espera que ele cresça com esse entusiasmo e futuramente venha fazer parte da nossa corporação”, afirmou.

Miguel PM Bom Jardim de MG 3 (Foto: Reprodução/ TV Integração)Miguel ao lado do sargento Marçola, da PM de Bom Jardim de Minas 

A fascinação das crianças com a Polícia Militar também tem um capítulo em Senhora dos Remédios, no Campo das Vertentes. Em 2014, uma família passou pelo trauma de ter a casa invadida por ladrões, como contou ao G1 o comerciante Ângelo Moreira, pai de João Victor Moreira. “Quatro homens armados entraram em nossa casa, nos renderam e nos amarraram, menos o João Victor. Eles ficaram uma hora e meia e levaram tudo. Quando foram embora, achamos que tinham levado o João, mas ele foi trancado em outro cômodo. A PM nos resgatou, encontrou e deteve os bandidos que estão no presídio de Ponte Nova”, lembrou.

João Victor PM Mirim Senhora dos Remédios 2 (Foto: PMR Barbacena/ Divulgação)
João Victor ganhou uma viatura da PM de presente

O comerciante destacou que o apoio da PM ajudou o caçula da família de cinco pessoas, na época com 10 anos, a superar o trauma do roubo. “A gente passou um tempo fora da nossa casa, ninguém queria voltar. Os policiais conversaram conosco e essa presença constante ajudou a superar. Ele criou uma sensação de proteção e sergurança em relação à PM. Depois de ter vivenciado isso, João Victor ficou apaixonado pela Polícia Militar. Diz que vai ser policial porque ladrão não pode agir assim e ele vai combater o crime”, contou o comerciante.

Os pais acompanham e entendem o sentimento do filho pela PM. “Criança é muito pura. É uma admiração que não foi forçada. E os policiais foram acessíveis e sensíveis com a gente”, disse Ângelo Moreira.

Para celebrar esta amizade, os policiais militares da 117ª Companhia foram à festa de aniversário de 11 anos de João Victor, no dia 22 de fevereiro, como um “presente surpresa”. Com direito a sirene na mesa, o garoto usou o presente que ganhou da família, uma farda mirim da PM, e foi presenteado pelos policiais com um chaveiro e a miniatura de uma viatura da corporação. “Essa história representa aquilo que a gente espera que as pessoas vejam no nosso trabalho. Queremos uma sensação de segurança e estreitar os laços de amizade com a comunidade onde a gente vive e trabalha. E aumenta a responsabilidade para corresponder à expectativa desta amizade”, disse o cabo Eder Ângelo dos Santos, da PM de Senhora dos Remédios.

João Victor PM Mirim Senhora dos Remédios 1 (Foto: PM Barbacena/ Divulgação)Policiais de Senhora dos Remédios foram o presente surpresa de João Victor 

Incentivar e oferecer opções
Ao lidar com a admiração infantil por alguma profissão ou pessoa, os pais devem observar e incentivar interesses variados. A orientação é da psicopedagoga Clara Duarte. “Os pais não devem cortar isso, já que vocação é um chamado. Se a criança realmente se identificar com aquilo, nós não vamos conseguir tirar dela. Se cortar esse sonho, vamos transformá-lo em um adulto frustrado. Mas se apresentar outros exemplos, ela pode se tornar um profissional melhor por ter tido acesso a varias opções diferentes”, reforçou.

“Quando eles estiverem em outra área, mesmo que não tenha nada a ver com a PM, essas características, temperamentos e atitudes,  eles acabam usando no trabalho que escolheram.”
Clara Duarte, psicopedagoga

Segundo a psicopedagoga, a forma de abordar o assunto muda de acordo com a idade, que observa pontos diferenciados na construção da personalidade e dos motivos que levam a tomar as decisões.

“Há a fase visual, em que o super-herói chama a atenção porque é colorido, tem capa. Começa-se a ter observação pelos hábitos, se (o personagem) atira, se pula, se é sério; os sons. Depois, a criança começa a prestar atenção na fala, se tem um jargão, se usa expressões. No momento em que fica mais velho, aos 12 ou 13 anos, tem-se uma visão e uma observação mais completas. Aí virão as pessoas da família, do colégio, da vizinhança, das situações ruins que a gente passa na vida e alguém nos acode, nos ouve. Isso marca muito o inconsciente. É daí que a gente vai fazendo as opções”, comentou Clara.

E mesmo que no futuro Miguel e João Victor mudem de ideia e não se tornem PMs, para a psicopedagoga a paixão deles terá contagiado outras pessoas. “Por eles veem o policial como uma pessoa que pode ajudá-los, tornam-se disseminadores disso, transmitem uma ideia séria e real do policial, ajudam a divulgar o trabalho legal do PM”, disse. Segundo a psicopedagoga, com a devida orientação para evitar excessos, essa admiração por uma profissão específica só contribui para o crescimento e formação da personalidade da criança “Quando eles estiverem em outra área, mesmo que não tenha nada a ver com a PM, essas características, temperamentos e atitudes da profissão, eles acabam usando no trabalho que escolheram”, resumiu Clara Duarte.

FONTE: G1.