Vítimas divulgam lista com ruas mais perigosas de bairro
Manifestação foi feita pelas redes sociais; violência teria crescido nos últimos seis meses

Santo Antônio
Douglas Nascimento teve uma surpresa desagradável ao buscar o carro e ver que os retrovisores, que custam cerca de R$ 650 cada, haviam sido roubados

Cansados de conviver com inúmeros assaltos e roubos à mão armada e de não ter uma resposta satisfatória do poder público, moradores e comerciantes do bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, partiram para uma nova estratégia: divulgar nas redes sociais uma lista com endereços e tipos de crimes nas redondezas. Por enquanto, são oito locais discriminados, com delitos dos últimos 15 dias. A reportagem percorreu a região e ouviu descrições desesperançosas sobre a rotina no bairro. As vítimas alegam que o Santo Antônio, tradicionalmente com muitos relatos de roubo, teve um incremento no problema nos últimos seis meses.

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Os relatos se expandem a ruas no limite com outros bairros, em especial o Luxemburgo e o Coração de Jesus, ambos na região Centro-Sul. Os assaltos, segundo moradores e comerciantes, não têm hora para acontecer. Os bandidos focam pequenos pertences, fáceis de carregar e de revender, como celulares, bolsas, carteiras, fones de ouvido, mas têm crescido os casos de arrombamentos de casas e de carros. Na maior parte das ocorrências, as vítimas contam que seus algozes são jovens, de até 25 anos, normalmente andando em grupos.

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Prejuízos. Acostumado a voltar do trabalho a pé, o caixa de bar Felipe Eduardo Lages Lellis, 42, morador da rua João Junqueira, no Santo Antônio, foi assaltado por volta da meia-noite. “O ladrão me seguiu até a rua Gentios (Coração de Jesus), quando me parou e pediu minha carteira, mas eu só estava com o celular e um maço de cigarros, que foram levados”. A rua Gentios está na lista como uma das mais perigosas do bairro.
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O chefe de Lellis, o comerciante Flávio Júnior Ferreira, 40, teve furtadas duas câmeras de segurança instaladas, segundo ele, para intimidar ladrões que atuam na região. “Um dia após a inauguração, as duas câmeras foram roubadas, às 7h”, contou. Desde então, ele não deixa todo o dinheiro no caixa e investiu R$ 4.000 em câmeras internas.

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Na rua Macau, logo atrás da Gentios, o administrador Douglas Nascimento, 39, teve os dois retrovisores do seu carro roubados. “Deixei o carro lá por algumas horas, e, quando voltei, estava sem os retrovisores. A situação aqui está péssima”.

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Outro ponto citado pelos moradores é a avenida Prudente de Morais. Estudantes contam que nos últimos seis meses ao menos 15 alunos foram assaltados na via. “Só neste início de ano foram três. Minha mãe nem gosta que eu ande sozinha”, relatou uma aluna de 14 anos.

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PM. A Polícia Militar informou que está intensificando a rede de proteção a moradores e comerciantes no Santo Antônio e região. Disse também que está ouvindo a população sobre os crimes e monitorando os infratores.

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Extraoficialmente, dois militares ouvidos no bairro confirmaram que os assaltos são frequentes e que ocorrem a qualquer hora.

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Estado. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) afirmou que não se pronunciará sobre o assunto, pois a responsabilidade sobre o policiamento é da Polícia Militar.

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Números. De acordo com levantamento da Seds, Belo Horizonte teve, de janeiro a novembro de 2015, 38.407 roubos. O número é 21,5% maior que o mesmo período de 2014, quando foram 31.614. Os dados de 2015 também são maiores que os de 2013 e 2012, com 26.129 e 21.071, respectivamente.

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Morador quer Olho Vivo

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Moradores do bairro Santo Antônio, no Centro-Sul da capital, reclamam que uma das demandas mais antigas da região, a instalação de câmeras do projeto Olho Vivo, nunca foi atendida.

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É o que afirma o presidente da Associação de Moradores do Bairro Santo Antônio, Gabriel Coutinho. “Já pedimos várias vezes, fizemos reuniões com a PM e nada. A violência aqui só aumenta, e nem promessas de instalação nos fizeram”, reclamou Coutinho.

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Procurada nesta quinta pela reportagem, a PM não se pronunciou sobre o assunto.

 

FONTE: O Tempo.

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