Base despedaçada

PSD segue PP e PRB e decide a favor do impeachment da presidente. Juntas, as três legendas do chamado centrão têm 105 deputados. Ministro da Integração Nacional entrega o cargo

 

Um dia depois do desembarque da maioria dos deputados do PP e do PRB da base aliada ao Palácio do Planalto, ontem foi a vez de o PSD tomar posição majoritariamente a favor do impeachment. Por 30 votos a oito, a bancada decidiu orientar no domingo votação pró-afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT). A decisão dificulta o plano do Planalto de angariar apoio de outras grandes legendas para evitar o impedimento, após debandada do PMDB. Juntas, as três legendas do chamado “centrão” têm 105 deputados. O ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), defendeu que a bancada do partido fosse liberada para a votação, mas a maioria dos parlamentares cobrou uma posição formal de apoio ao impeachment. Também ontem, o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi (PP) entregou carta de renúncia à presidente, seguindo decisão do PP de deixar o governo.
Impeachment

Após reunião da bancada do PSD, o líder do partido, deputado Rogério Rosso, que presidiu os trabalhos da comissão especial do impeachment na Câmara, afirmou que a “ampla maioria” da legenda é a favor do afastamento de Dilma. A sigla conta hoje com 36 deputados – dois secretários de estado participaram da votação. O partido orientará que os parlamentares votem a favor do processo, mas a tendência é de que não haja fechamento de questão, ou seja, os deputados que forem contrários ao impedimento não podem ser punidos por contrariar a posição oficial da legenda.

“Existe uma ampla maioria a favor do processo. Mas o PSD sempre respeita, inclusive em algumas matérias, mesmo tendo minoria”, afirmou Rosso. Segundo o líder do PSD, o ministro Kassab respeitará a decisão da bancada, mas não quis adiantar se haverá entrega de cargos no governo. A pasta das Cidades é responsável por grande parte dos investimentos em mobilidade urbana e por gerenciar vários programas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine do governo Dilma.

Em reunião à tarde, o PTB anunciou que também vai orientar sua bancada contra a petista na votação do processo no domingo. Apenas quatro dos 19 deputados defenderam manter o apoio à presidente. A direção do partido, já informada do resultado, se reúne hoje, para definir um posicionamento geral. Ainda não há definição se haverá fechamento de questão, mas a tendência é de que não haja punição a nenhum membro da sigla que, por questões regionais, decida votar com o governo.

BANCADA RACHADA Na terça-feira, o PP decidiu que votará a favor do processo, mas alguns parlamentares da legenda se manifestaram contra o impeachment. A bancada da sigla, que tem 47 deputados, estava rachada nas últimas semanas. O Planalto chegou a cogitar entregar o Ministério da Saúde à legenda, uma das pastas mais cobiçadas por causa do alto orçamento. No entanto, um grupo de parlamentares pressionou pelo rompimento.

No mesmo dia, também a bancada do PRB decidiu apoiar o impedimento de Dilma. O partido foi o primeiro a desembarcar do governo, ao devolver o Ministério do Esporte. O presidente da legenda, Marcos Pereira, afirmou que os 22 deputados federais do PRB votarão a favor do impeachment. No entanto, quatro se declaram indecisos para a votação.

Já o PMDB, que no mês passado aprovou por aclamação o desembarque do governo Dilma e tem a maior bancada da Câmara, com 66 deputados, deve ser reunir amanhã para definir se haverá orientação favorável ao impeachment ou liberação da bancada. O líder do partido na Casa, deputado Leonardo Picciani (PMDB), declarou que votará contra o impeachment e que um grupo de 20 deputados pode acompanhar sua decisão se o governo conseguir recuperar terreno até domingo. Caso contrário, o número de votos pró-governo do PMDB pode ser de apenas 10 parlamentares. (Com agências)

Sem radicalismo

Ao entregar sua carta de demissão do cargo de ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi afirmou ao chefe de gabinete da Presidência da República, Jaques Wagner, que o PP “não é um partido radical” e que quer manter o “clima de diálogo” com o governo Dilma Rousseff. Na carta endereçada à presidente, o ex-ministro justifica que pede exoneração por causa da decisão tomada pelo PP de desembarcar da base aliada da petista. O ex-ministro agradece a presidente “pela confiança a mim conferida nesses últimos dois anos”, desde quando assumiu o comando Ministério das Cidades, no primeiro mandato de Dilma, até sua posse como ministro da Integração, em janeiro de 2015. A expectativa é de que os diretores-gerais do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), ambos indicados pelo PP, entreguem seus cargos nos próximos dias.

FONTE: Estado de Minas.