Malandragem: pneus frisados

Boris Feldman

Você vai ao borracheiro para consertar um pneu furado. Depois do reparo, ao colocá-lo de volta no automóvel, ele observa: “Olha aqui, doutor, esses dois pneus traseiros estão bastantes gastos, na hora de trocá-los”. Se você concorda, ele vem logo com uma sugestão: “Eu tenho dois aqui usados, da mesma medida, em ótimo estado. Pela metade do preço do novo”. Você desconfia, pede para dar uma olhada e os pneus aparentemente estão em bom estado, com os sulcos de boa profundidade na banda de rodagem.

Entretanto, pode apostar que são grandes as chances de uma picaretagem envolvida nesta oferta. Em princípio, não se compra pneu usado, pois são vários os problemas “invisíveis” que podem aparecer a curto prazo. Para começo de conversa, um acidente pode ter danificado a carcaça e o borracheiro o submeteu a um conserto pouco recomendável aplicando um “manchão” interno que não será facilmente percebido. Tão perigoso quanto este conserto é uma outra condenável operação que aprofunda os sulcos do pneu que já estava quase completamente “careca”. Para se conseguir uma “sobrevida”, o borracheiro entra em ação com um ferro especial aquecido e aprofunda os sulcos que já estavam quase sumindo. Numa olhada rápida, não se percebe o malfeito e tem-se a impressão de que o pneu ainda rodaria mais alguns milhares de quilômetros. É o que se chama de “frisagem”, um perigo que pode não durar mais que alguns quilômetros e colocar sua vida em risco. Não caia no conto do pneu frisado em hipótese alguma.

Borracheiro “malandro” costuma argumentar que a operação de frisagem não envolve risco pois até existe oficialmente para pneus de muito maior responsabilidade, de veículos pesados. Qual o problema de se fazer o mesmo nos automóveis?

Aí é que está a malandragem: pneus para ônibus e caminhões são projetados e fabricados para serem refrisados. Tanto que vem gravado “regroovable” na banda lateral, que em inglês significa “ressulcável”. Entretanto, é uma operação que jamais deve ser feita em pneus para automóveis

.

FONTE: Hoje Em Dia.

Anúncios