Temporal, medo e prejuízo

Queda de árvore de grande porte, situação recorrente em BH, esmaga carro no cruzamento mais movimentado da capital. Cidade começa a semana sob a ameaça de mais tempestades

Tronco atingiu em cheio o veículo que passava pela Avenida Afonso Pena, na Praça Sete, por pouco não ferindo o motorista José Ricardo Soares (GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)Tronco atingiu em cheio o veículo que passava pela Avenida Afonso Pena, na Praça Sete, por pouco não ferindo o motorista José Ricardo Soares

Belo Horizonte começa a semana com um alerta de tempestade da Defesa Civil municipal e sob o impacto de mais uma queda de árvore de grande porte no Centro, ameaça recorrente que desta vez ocorreu em um dos pontos mais movimentados da cidade e só não teve consequências mais graves por se tratar de um domingo. O incidente aconteceu na Praça Sete, quando um espécime tombou na Avenida Afonso Pena (sentido Bairro Mangabeiras), durante temporal na tarde de ontem. Mais do que surpresos, dois motoristas ficaram aterrorizados, já que o tronco, com cerca de 20 metros de altura, que ficava no canteiro central, tombou, por volta das 15h, sobre os carros que conduziam. “Estava começando a chover e achei que o barulho fosse de um trovão. Eu estava passando e, por pouco, não fui atingido”, disse, ainda assustado, o instalador de telefones José Ricardo Soares, morador de Ribeirão das Neves, na Grande BH. O outro veículo atingido foi um táxi, que também trafegava pelo local.
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Equipe dos bombeiros trabalhou para serrar a árvore que despencou sobre o cruzamento. Além de um policial militar, um agente da BHTrans esteve no local, já que o trânsito ficou impedido. “Veja só, fui informado de que vou ter que providenciar o reboque do meu carro. A árvore cai e ainda sou obrigado e pagar pelo serviço de retirada. Com vou fazer, se ele está debaixo da árvore e destruído por cima?”, perguntava José Ricardo, enquanto o táxi era rebocado.
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A cidade pode começar a semana enfrentando problemas semelhantes, já que a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil emitiu alerta de chuva forte válido pelo menos até a manhã de hoje. A previsão é de pancadas acompanhadas de raios e rajadas de vento em torno de 50 km/h em Belo Horizonte. O volume de precipitação está estimado entre 40 e 60 milímetros. Mas as condições favoráveis à formação de nuvens e pancadas a qualquer hora do dia persistem até amanhã, com um pequeno alívio na quarta-feira, quando há previsão de sol durante o dia e mais chuva à noite. Na quinta e na sexta-feira devem ocorrer mais pancadas de fim de tarde, típicas de verão. Não há previsão de granizo.
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De acordo com a meteorologista Anete Fernandes, do 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia, a semana chuvosa é resultado da circulação de ventos que trazem umidade do Oceano Atlântico em direção ao continente. “Está havendo uma convergência de umidade sobre a parte Central e Sudeste do Brasil, e, com isso, as condições de instabilidade estão sendo mantidas e favorecendo a ocorrência de pancadas de chuva”, afirmou. Segundo ela, choveu em fevereiro, até ontem 27 milímetros. A média do mês é de 188,4.
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ESTRAGOS No sábado, forte chuva que atingiu Barbacena, na Região do Campo das Vertentes, deixou imóveis destelhados, provocou queda de árvores e de muros, deslizamentos de terra e alagamentos. O Corpo de Bombeiros atendeu a um total de 18 ocorrências relacionadas ao temporal. No Estádio Walter Antunes, campo do Andaraí Esporte Clube, parte da estrutura de concreto de uma arquibancada chegou a ceder com a queda de um barranco, mas ninguém ficou ferido.
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MEMÓRIA – Dos sustos ao acidente fatal

Acidentes com árvores de grande porte têm se tornado uma ameaça constante para cidadãos de Belo Horizonte, especialmente em áreas de intensa circulação de pedestres e veículos. Antes do incidente de ontem, um dos mais recentes e preocupantes aconteceu em 12 de outubro do ano passado, na Região Hospitalar da capital, quando uma paineira centenária tombou na Praça Hugo Werneck, quase atingindo um dos veículos que passavam.  Mas o caso mais grave ocorreu há seis anos, em 12 de janeiro de 2011, também na estação das águas, quando a secretária aposentada Maria de Fátima Ferreira, de 57 anos, morreu depois de ser atingida por uma árvore de grande porte, cuja raiz estava infestada de cupins. No momento ela caminhava no Parque Municipal Américo René Giannetti, no Centro de Belo Horizonte. Segundo testemunhas, um grupo percebeu que a árvore estava caindo e avisou a mulher, que tentou correr, mas foi atingida pelo tronco do jatobá de 20 metros de altura. Depois do episódio, a prefeitura começou um trabalho, ainda não concluído, de inventário das árvores da capital.

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FONTE: Estado de Minas.