Mineiros que se programaram para passar o Carnaval no Espírito Santo estão repensando a viagem e os que moram no Estado vizinho seguem desesperados com a onda de violência que emergiu desde a última sexta-feira, quando a Polícia Militar capixaba entrou em greve. Entre o fim de semana esta segunda (6), 52 homicídios foram registrados, ou 17 por dia. Quatro vezes mais que a média.

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O caos nas ruas devido à ação orquestrada de bandidos, que se aproveitam da falta de policiamento para promover saques e arrastões, levou o governo federal a anunciar o envio de 200 homens da Força Nacional ao Estado. Desde a noite desta segunda, o Exército atua em Vitória e arredores.

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Devido à violência, a Vale suspendeu as partidas do trem de passageiros de Belo Horizonte para a capital capixaba. Pessoas com viagem marcada para amanhã poderão remarcar o bilhete ou pedir o reembolso.

Sem controle

“Nunca vi nada parecido. As lojas estão sendo saqueadas, não tem mais nada nas vitrines. É tiroteio para todos os lados”, lamenta Mariana Araújo, chefe de enfermagem de um grande hospital em São Mateus, a 213 km de Vitória.

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Mineira de BH, Mariana conta que baleados não param de chegar à unidade de saúde. “Os assaltantes já trocaram tiros até dentro do hospital. Nossas equipes estão preparadas para o pior”.

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Vídeos que mostram a ousadia dos criminosos viralizaram. Em um deles, pessoas se trancam em uma loja de departamento de um shopping, enquanto ladrões saqueiam o mall. Em outro, dezenas de motoqueiros se reúnem para um arrastão. Em um terceiro, homens trocam tiros no meio da rua.

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Prédios invadidos

Uma mineira que mora em Vila Velha e que pediu anonimato afirmou que a cidade está abandonada à própria sorte. “Parece uma cidade fantasma”, diz. “Estamos presos em casa e agora estão invadindo os prédios”. Com medo, moradores foram orientados a não pedir alimentos nem remédios por telefone, para evitar que estranhos entrem nos condomínios.

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Os pais da universitária Déborah Matos moram em Jacaraípe, praia no município de Serra, a 20 km de Vitória, onde ela costuma passar os feriados. Este ano, porém, pode ser uma exceção.

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“Meu pai tem um quiosque na praia e não está abrindo o comércio por causa da violência. Ele falou que há muitos assaltos e tiroteios. Se não melhorar, não irei para lá este ano. Estou com medo”.

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Também preocupada está a empresária Fernanda Lana, que vai passar o Carnaval em Meaípe, próximo a Guarapari. No entanto, ela acredita que tudo se resolverá a tempo do feriado. “Parece que a violência não chegou lá”, diz.