Enfim, o blog

Adiei, posterguei, delonguei, protelei e sucumbi: eis o blog anunciado. O nome óbvio – Philosopho – é para evitar o pronome sujeito eu. Cronistas e blogueiros têm seus umbigos como centro no mundo, quadro chamado de onfalocentrismo.

Umbigo é coisa tão falada que onfalópsico, adjetivo e substantivo masculino, significa “relativo a ou membro da antiga seita religiosa de caráter quietista dos onfalópsicos, dos séculos XI-XII, que acreditavam que, ao contemplar o umbigo fixamente, comunicavam-se com a divindade, captando o que chamavam de luz do Tabor”. E onfalomante é aquele que pratica a onfalomancia: suposta arte de adivinhar o número de filhos que terá uma mulher, por meio de verificação do número de nós que o cordão umbilical do primogênito apresenta.

Sei que este é mais um entre milhões de blogs em língua portuguesa. Otimista, espero ter leitores. Mais que otimista, espero ter patrocinadores. De antemão agradeço a uns e outros. Eduardo Almeida Reis.

Pergunta – Será que alguém acredita na Odebrecht ou num Odebrecht?

IPVA 2017 – Nos últimos três anos tirei de letra os impostos sobre a propriedade de veículos automotores, que têm como fato gerador a propriedade de veículos automotores sem incidir sobre embarcações e aeronaves, di-lo a Wikipedia. Ora, bolas, então a lancha usada por Sérgio Cabral Filho e o helicóptero em que transportava seu cachorrinho não são veículos automotores? Houaiss diz que veículo é qualquer meio de transporte usado para transportar ou conduzir pessoas, animais ou coisas de um lugar para outro.

Há três anos, assustado com um negócio chamado cálculo das probabilidades, doei meu último veículo automotor a uma filha. Explico: mais de 50 anos dirigindo, milhares (ou milhões?) de quilômetros rodados sem um arranhão. O veículo doado era novo e foi revendido num átimo, porque a filha adora vender seus automóveis. Desde então, nunca mais me preocupei com o IPVA.

Sempre achei a posse de automóveis o tipo da coisa complicada, tanto assim que só comprei o primeiro aos 23 ou 24 anos, embora dirigisse desde os 16. A partir dos 18 custei para comprar o primeiro carro porque investia meu ótimo salário numa granja de galinhas. Investia o salário e os empréstimos bancários visando a enricar produzindo e vendendo ovos vermelhos.

Depois dos 23 tive uma porção de veículos automotores, novos e de segunda ou mais mãos, não raras vezes frota esquisita como num período em que tive cinco picapes – e só elas. A nova, Chevrolet C-10, transportava toda a família, philosopho, mulher e três filhas pequenas, num só banco, três cintos de segurança abdominais. Não parece, mas cinto de segurança é exigência relativamente nova nos veículos nacionais. Air-bag, então, nem se fala. Parece que foi inventado anteontem. E as cadeirinhas especiais para transportar crianças de até 10 anos no banco traseiro ainda estão sendo inventadas e aperfeiçoadas. Banco traseiro? As cinco picapes não tinham. Freio a disco, ABS e outras conveniências também são recentes. E nossas digníssimas autoridades se esquecem de conservar e melhorar as estradas, bem como de evitar que milhões de barbeiros tenham carteiras nacionais de habilitação.

Só agora, lendo o livro do jornalista Carlos Maranhão sobre Roberto Civita, um dos donos da Editora Abril, entendi por que o automóvel é veículo complicado. Em 1960, com 70 milhões de habitantes, o Brasil tinha 310 mil veículos licenciados (um para cada 226 pessoas), enquanto em 2014, com a população triplicada, havia 86,7 milhões de veículos (um para cada 2,3 pessoas).

Nova CNH – Vejo na tevê que a CNH lançada em 2017 ganha novo visual e mais itens de segurança. Pena que não se chame CNHB, Carteira Nacional de Habilitação de Barbeiros, tantos são os meias-rodas que circulam por aí. O noticiário televisivo omite o fato portadores de CNHs utilizarem rodovias que estão entre as piores do planeta, sem falar dos bêbados e dos rebitados, isto é, a turma que tomou Reativan com conhaque e outras misturas para dirigir horas e horas sem dormir.

Nos anos todos em que pelejei com a produção de leite no Vale do Paraíba conheci um presidente de cooperativa que nunca teve CNH e viajava regularmente para as reuniões da Cooperativa Central no Rio. Nas raras vezes em que foi apanhado solucionou o problema com 50 reais no dinheiro da época – cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado etc.

Manias, Ambientalistas e Refrega

      Manias – Não chega a ser um defeito que prejudique os outros, mas é mania que muito me irrita sem que dela me possa livrar. Não me lembro quando começou esta minha mania de aproveitar a viagem. É das coisas mais idiotas do mundo. Se vou da sala para a cozinha, distância de cinco ou seis metros em terreno plano, dentro de casa, e preciso levar dois pratos, um copo e alguns talheres, em vez de fazer duas caminhadas resolvo levar tudo de uma vez e apronto cada cagada que vou te contar.

Arrumar a carga leva mais tempo do que fazer duas viagens e os resultados podem ser catastróficos, basta ver a diferença de peso entre o cabo e a lâmina de uma faca. A partir dos talheres tudo é complicado na arrumação dos itens para aproveitar cada “viagem” que, em duas ou três caminhadas de dez metros, não levaria um minuto.

      Ambientalistas – No tempo de antigamente dizia-se que certas senhoras sofriam de praga de machado: não podiam ver pau em pé. Hoje é praga de motosserra, considerando que machado virou peça de museu.

Honestos ou desonestos, calmos ou histéricos, os ambientalistas condenam a derrubada de qualquer floresta, mesmo nos casos em que o derrubador plantou floresta muito maior. Nos anos todos em que morei na roça fui obrigado a derrubar algumas árvores, às vezes um capão inteiro, mas tenho a certeza de que plantei muito mais.

Novidade, para mim, foi a notícia de que os cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, resolveram defender as florestas mais abomináveis do planeta – formadas de pelos pubianos masculinos e femininos – argumentando que sua raspagem propicia o risco maior de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Alegam os ilustrados cientistas que a depilação pode facilitar a ocorrência de infecções.

Até então, o risco maior das florestas pubianas estava no pelo pixaim, caso do médico muito respeitado em Juiz de Fora, quando um pelinho crespo ficou entalado em sua garganta, próximo da úvula, exigindo intervenção de um colega para retirar o pixaim com uma pinça cirúrgica. Naquele mesmo dia, a cidade inteira ficou sabendo que o respeitado médico havia namorado jovem de cabelos crespos e mais não digo, porque sou pudico à beça e à bessa.

A pesquisa da Universidade da Califórnia foi feita com 7,5 mil americanos adultos e acabou, mesmo sem querer, recomendando a retirada de todos os pelos pubianos, ao concluir que os depilados tendem a ter uma vida sexual mais ativa, o que é um baita elogio mesmo tendo sido publicado na revista médica Sexually Transmitted Infections.

      Refrega – Não sei se por educação, falta de provas ou receio de processos, a imprensa cuida de algumas senhoras pelas continuadas viagens ao exterior e despesas excessivas que fizeram com os seus cartões de crédito, evitando citar as atividades carnais em que sempre exceleram na opinião meditada dos cavalheiros que com elas compartiram aventuras moteleiras.

O capixaba Celso Bonfim, que fez bela carreira jurídica em Belo Horizonte, mantinha coluna de casos divertidos sobre advocacia no jornal Estado de Minas. Numa delas contou de um juiz verboso e afetado, que tinha a mania de trocar as palavras dos depoentes por outras mais empoladas.

Certa noite houve briga num bordel e uma profissional do sexo foi apunhalada. Sua colega depôs como testemunha. Depois de identificada, foi inquirida pelo juiz sobre os detalhes da contenda. Esclarecidos os fatos, o juiz ditou para o escrevente: “a testemunha viu quando a ré tomou de uma faca e atingiu a vítima no meio da refrega”. A depoente interrompeu o magistrado e disse: “Não foi no meio da refrega não, seu juiz. Foi entre a refrega e o embigo”.

Vale notar que o verbo refregar, em latim refrìco,as,cui,cátum,are significa “esfregar outra vez”, e uma das referidas senhoras ficou famosa e disputada pelo tanto que esfregava repetidas vezes nas tardes moteleiras.

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FONTE: philosopho.com.br

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