Homem preso em Confins por suspeita de racismo não é advogado, diz OAB

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, ele já teve uma inscrição como estagiário, mas não tem carteira definitiva; Polícia Federal disse que ele se apresentou como advogado no momento da prisão.

Advogado Genesco Alves da Silva, preso por suspeita de racismo no Aeroporto de Confins, paga fiança e é liberado (Foto: Reprodução/TV Globo)

Pseudo advogado Genesco Alves da Silva, preso por suspeita de racismo no Aeroporto de Confins, paga fiança

A Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB) afirmou, neste sábado (5), que o homem preso no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte em Confins por suspeita de injúria racial não é advogado. De acordo com a Ordem, ele já teve uma inscrição como estagiário, mas não tem registro definitivo.

Nesta sexta-feira (4), ele foi denunciado por uma atendente de uma companhia aérea por racismo após entregar para ela uma banana. O comandante do voo foi avisado e solicitou a retirada do passageiro, que foi preso pela Polícia Federal. Ele negou que tenha cometido crime de racismo.

De acordo com a PF, Genesco Alves da Silva se apresentou como advogado e estudante de medicina na Bolívia no momento da abordagem dos agentes, quando ele foi retirado do voo que ia para Corumbá (MS). Como o atendimento da corporação foi preliminar, a informação não foi confirmada no momento.

O caso foi levado para a Delegacia de Vespasiano, onde a atendente registrou boletim de ocorrência, porque o suposto crime não aconteceu na área de segurança do aeroporto. No fim do dia, ele pagou fiança de R$ 3 mil e foi liberado. Um inquérito foi aberto para investigar a denúncia de injúria racial.

Entenda o caso

Advogado é preso ao entregar banana para funcionária de companhia aérea na Grande BH

Câmeras do aeroporto mostram o momento em que, durante o check-in para o voo, o passageiro se abaixa, pega alguma coisa, e entrega à atendente. A atendente Aline Campos contou que chorou após receber a banana. Ela comunicou o fato a gerência, que acionou a polícia.

“Retirou uma banana e me deu, falando que eu tinha esquecido. Aí eu fiquei, na verdade, em estado de choque. Porque, principalmente, no século que nós vivemos, a gente ainda viver, ainda ter que ter esse tipo de situação”, afirmou.

“A interpretação, acho que é óbvia para qualquer um, para qualquer uma pessoa que estivesse recebendo. Ele estava me tratando de uma, ele estava tratando como um racismo. Eu, na verdade, não pedi a ele nada”, completou.

Aline Campos (Foto: Reprodução/TV Globo)Aline Campos (Foto: Reprodução/TV Globo)

Aline Campos

Ele negou o crime e disse que tentou ser “agradável” com a atendente. “Eu não consigo vincular essa história que o policial disse pra mim, entre banana e a cor da pessoa. Eu não tenho essa visão porque eu não moro no Brasil. Tentar ser agradável. Agora, esse é o meu jeito. Eu não vou mudar por causa disso. Eu ofereço às pessoas essas coisas”, se defendeu.

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso. A companhia área informou que está prestando assistência à funcionária e que não vai comentar o caso para não atrapalhar o inquérito policial.

.

FONTE: G1.