Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Perpendículo
Pedi um copo de água a uma empregada que passou uniformizada. Veio de lá a água gelada num copo de requeijão

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 04/09/2014 04:00

Aposto que ninguém sabe o significado de perpendículo, substantivo que o corretor de textos do Word 7 acaba de sublinhar em vermelho. Pois fiquem todos os leitores e o corretor de textos na honrosa companhia do philosopho, que acaba de aprender o vocábulo: em nosso idioma a partir do ano de 1663, do latim perpendicùlum,i, que significa nível, prumo, fio de prumo.

É assunto que me interessa desde quando ousei ampliar velha casa de adobe na Região Serrana fluminense, há 44 anos, bem no centro daquela tragédia que matou recentemente mais de mil pessoas e deixou sequelas, tantas foram as verbas roubadas pelos administradores dos municípios atingidos. Tive notícia de que a casa, apesar de ficar no miolo do temporal, continua inteira e intacta. 

Francisco da Conceição Dias – o mestre de obras que fez a reforma, calculou as vigas em balanço e um negócio chamado radier, laje de concreto armado em contato direito com o solo, que capta a carga do pilar e a descarrega sobre uma área grande do solo – fez a obra inteira e se recusou a palpitar na hora da pintura: “É serviço bobo, que não tem prumo nem nível”. 

Pois muito bem: na cidade de Santos (SP), mais de 600 edifícios estão visivelmente fora do prumo, alguns escandalosamente desaprumados, preocupando moradores e autoridades. Problemas no solo da orla marítima. Dá para imaginar o risco dos moradores nos prédios e nas casas vizinhas. Diz o repórter da tevê que não há nada parecido em todo o mundo. Os síndicos dos edifícios foram obrigados pela prefeitura a apresentar laudos regulares sobre a inclinação dos seus imóveis, mas a cidade de Santos fica num país grande e bobo, motivo pelo qual poucos laudos foram contratados. 

News

Assuntos não faltam; difícil é selecionar o mais interessante. São 8h30m, faz frio e estou entre escrever sobre a musa gay do Rio e o copo de requeijão. O copo vocês todos conhecem: é de vidro e vem cheio de requeijão, queijo fresco de consistência pastosa, cuja massa é formada pela nata do leite coalhada sob a ação do calor.

Até aí, tudo bem: você come o requeijão e deita fora o copo, que é de serventia nas casas de gente paupérrima. Difícil de entender é que sirva como copo de água, de cerveja, de café numa casa imensa, de gente riquíssima, em que havia 14 banheiros no corredor que dava para os salões: fourteen, como se diz em inglês. Sem falar dos banheiros nas muitas suítes.

Lá estive num dia muito quente levado por jovem amigo engenheiro, que trabalhava para o dono da casa. Fiquei ao sol no pátio, perto do carro, enquanto o engenheiro conversava com o milionário. Pedi um copo de água a uma empregada que passou uniformizada. Veio de lá a água gelada num copo de requeijão. 

Cuidemos da nova musa gay do Rio, Maria Eduarda de Carvalho, a ruivinha que interpretou a lésbica Vanessa na novela Em família. No camarim do teatro em que atua na peça Atrás da porta, ela tem recebido legiões de fãs ligadas ao movimento LGBT, que se dizem muito bem representadas. Maria Eduarda acha essa identificação o maior barato, sendo, embora, hétero, casada e feliz há sete anos com um jovem senhor. Notícia que copio da coluna “Gente Boa”, do O Globo. Mudam-se os tempos, versejou Camões, mas estavam dispensados de exagerar. No dia seguinte e no mesmo jornal vejo a seguinte notícia: “Andrew Solomon, o autor do premiado Longe da árvore e grande estrela da Flip, chega a Paraty com seu marido, o filho de 5 anos do casal e a babá. Depois da festa literária, eles vêm ao Rio encontrar a mãe do garoto e sua namorada”. Considerando que o filho de 5 anos não deve namorar, deduzo que a mãe do garoto tem namorada. Pelo andar da carruagem, sei não. 

O mundo é uma bola

4 de setembro de 476: queda de Roma, início da Idade Média. Em 1479, assinatura do Tratado de Alcáçovas-Toledo pelos representantes dos reinos de Castela e Portugal, pondo fim à Guerra da Sucessão de Castela. Em 1842, casamento de dom Pedro II, do Brasil, com a princesa Teresa Cristina Maria Giuseppa Gasparre Baltassarre Melchiore Gennara Rosalia Lucia Francesca d’Assisti Elisabetta Francesca di Padova Donata Bonosa Andrea d’Avelino Rita Liutgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde, nascida em Nápoles no dia 14 de março de 1822. 

Em 1871, proclamação da República Francesa. Nesta minha prodigiosa ignorância não sei se é a mesma que tem hoje, eleito pelo povo, o presidente François Gérard Georges Nicolas Hollande. Em 1882, Thomas Edison acende pela primeira vez na central de eletricidade a iluminação elétrica residencial. Em 1970, passei quatro anos sem eletricidade doméstica no alto das Serras Fluminenses. Usininha feita com recursos próprios, água aquecida pela serpentina do fogão a lenha, tevê p&b ligada na bateria do automóvel: deu para aguentar. Dia desses, na cidade, 10 horas sem luz foram desesperadoras. Hoje, no judaísmo, é o Dia da Criação.

Ruminanças 

Não há na literatura brasileira página mais desastrada do que a crítica de Machado de Assis ao Primo Basílio de Eça de Queiroz” (Guilherme Figueiredo, 1915-1997).


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