Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

ear-70
Efluência
Redes de esgotos, sem estações de tratamento, significam coletar a porcariada para despejá-la, fresquinha, em nossos rios

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 06/09/2013 04:00

Puro latim effluentia,ae, efluência é substantivo mais simpático do que esgoto num suelto que se quer da melhor supimpitude. Pois fique o leitor sabendo que uma jornalista de economia, na tevê, afetou tristeza ao noticiar que o Brasil tem milhares de cidades sem redes de esgotos. São números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Passei a me interessar pelo assunto nos anos todos em que vivi na roça, onde o grave problema dos esgotos domésticos e agropecuários deve ser estudado e solucionado pelo dono do pedaço. Anos atrás, a Copasa, companhia estadual incumbida da distribuição de água tratada e da coleta e tratamento dos esgotos, convidou um grupo de jornalistas para conhecer a primeira estação de tratamento de uma cidade com 2,5 milhões de habitantes. Um dos atrativos da visita seria a oportunidade de conhecer, por dentro, enorme silo de ferro, antes que se transformasse em depósito de esgotos. O tipo da visita original: passar por uma portinha projetada para anões e conhecer, por dentro, o silo que a gente está vendo aqui de fora. Muita gente entrou.

Pausa para dizer que a engenheira sanitarista, que ciceroneou o grupo, era mineira muito casável. Considerando que todo marido é isto que a gente conhece, engenheira sanitarista faz o tipo da companheira ideal. E a cicerone era bonitíssima. Volto à notícia das milhares de cidades brasileiras sem redes de esgotos e devo admitir que, vendo a tristeza da apresentadora de tevê, baforei o belo Cohiba e caprichei: “Melhor assim”. Redes de esgotos, sem estações de tratamento, significam coletar a porcariada para despejá-la, fresquinha, em nossos rios. Sem redes, parte dos esgotos fica pelo caminho ou aos rios e córregos atenuada pela ação do sol, misturada com a água das chuvas, neutralizada em sua ação poluidora, absorvida como adubo “orgânico” pelos matinhos das beiradas. Tecnicamente, sei que há muita besteira nas últimas linhas, mas o importante é que o leitor tenha entendido. Nas cidades é difícil, mas a melhor “instalação sanitária” continua sendo a moita de bananeiras em que o brasileiro opera de cócoras, posição ideal, aduba as musáceas e vai-se embora feliz da vida. Rede por rede, sem tratamento, melhor não tê-la. Cheira mal aqui, provoca uma doencinha acolá, mas atenua o crime de despejar nos córregos e nos rios esgotos fresquinhos.

Mais médicos

De um governo que tem a coragem de falar em “plebiscito popular”, qualquer iniciativa deve ser vista com cautela, desconfiança, apreensão. Esta conversa de médicos espalhados pelo nosso imenso território sem medicamentos, leitos, instalações, máquinas, enfermeiros, gaze, esparadrapo, sem nada de coisa alguma, a não ser a garantia de salário mensal de R$ 10 mil, é motivo de desconfiança. Ainda no dia 7 de agosto, as tevês nos mostraram 50 ambulâncias de UTI, sem uso, abandonadas no meio do mato. É claro, como também é óbvio e evidente, que os grandes antropoides podem viver sem médicos. Gorilas, chimpanzés, bonobos, orangotangos e os índios awá, visitados outro dia pela jornalista Miriam Leitão e o fotógrafo Sebastião Salgado, provam o que afirmo. É verdade que os awá, na selva do Maranhão, talvez evitem o contato com o homem civilizado (sic) para escapar do baixíssimo IDH maranhense, bem como da ferocidade de um país capaz de matar a tiros, facadas, pedradas e pauladas 193.925 pessoas entre os anos de 2000 e 2003. Os awá talvez se animem a ingressar oficialmente na lista dos eleitores do Maranhão se tiverem a garantia de assistência médica no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo (o Einstein também serve), viajando em jatos-UTI da Força Aérea Brasileira (FAB). Antes disso, ficam escondidos na floresta sem médicos, mas livres da obrigação de sufragar os nomes ilustres da família Lobão para a Câmara e o Senado.

O mundo é uma bola

6 de setembro de 3761 a.C., primeiro dia do calendário judeu. Em 1522, Juan Sebastián Elcano chega a Sanlúcar de Barrameda (Cádiz) com um navio e 18 homens, depois da primeira viagem de circum-navegação. O resto da equipe morreu pelo caminho. Elcano assumiu o comando depois que Fernão de Magalhães foi flechado nas Filipinas. Em 1901, William McKinley, presidente dos Estados Unidos, leva dois tiros do metalúrgico Leon Frank Czolgosz, anarquista norte-americano de origem polonesa. McKinley morreu e Czolgosz foi assentado numa cadeira elétrica em 21 de outubro daquele mesmo ano. Em 1915, criação do primeiro tanque de guerra pelos ingleses. Em 1922, oficialização do Hino Nacional Brasileiro, de Joaquim Osório Duque Estrada, que milhões de pessoas já aprenderam a cantar e a maioria não entende o significado de muitas palavras. Em 1972, Massacre de Munique, aquele em que os terroristas do Setembro Negro mataram 11 atletas israelenses. Por questões de fusos horários, já foi citado ontem. Em 1991, a cidade de Leningrado volta a chamar-se São Petersburgo e a União Soviética, ou o que dela restava, reconhece a independência da Letônia, da Estônia e da Lituânia. Em 2007 morreu o tenor Luciano Pavarotti. Hoje é o aniversário de Muriaé, terra dos Calaes, dos Pacheco de Medeiros e do deputado Bráulio Braz.

Ruminanças

“Nem só de coisas ruins vive a imprensa. Foi maravilhosa a notícia do envenenamento dos bandidos que mataram Bryant, o menino boliviano” (R. Manso Neto).


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