Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Pesquisas
Todos temos nosso lado mau, que em alguns muitos cavalheiros e damas é descomunal, enquanto noutros, meu caso, é nanomaldadoso

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 14/12/2013 04:00

Não há noite em que as tevês não nos mostrem diversas matérias sobre a polícia adentrando, como dizem os locutores esportivos, áreas em que não é bem-aceita. Nesse adentrar há brasileiros e brasileiras, algumas até muito bonitas, de botas, boinas, capacetes, coletes supostamente à prova de balas, gordos uns, normoponderados outros, carecas muitos, todos ganhando pouco mais que uma tuta e meia.

Mamando majestoso charuto na poltrona de couro, a cinco metros do televisor LG LED de 47 polegadas, me pergunto como é possível encontrar patrícios que se disponham a trabalhar naquele nível de risco com aqueles salários. Dia seguinte, recebo os jornais e vejo que de acordo com a pesquisa tal, realizada em tal lugar, o brasileiro não confia na polícia.

Há pesquisas e pesquisas, certo? Ainda assim, entre as confiáveis e as suspeitas há o consenso de que boa parte da população não confia na polícia. Realmente, há maus elementos em todas as polícias, mas cabe a pergunta: o caro, preclaro e pacientíssimo leitor conhece tribunal, composto de juízes togados, que não tenha maus elementos? Responda rapidinho e cite, por favor, um único tribunal, aí incluídos os superiores.

Tylenol, Cibalena, Doril, Aspirina, Neosaldina – a lista de analgésicos é interminável. Felizmente nunca fui muito chegado às dores, salvo no capítulo das boas amigas chamadas Marias das Dores. Cavalheiros e damas sujeitos às mais diversas dores não economizam na hora de recorrer aos analgésicos, no que obram muitíssimo bem.

A algesia social tem como remédio a polícia. Algesia, minha gente: sensibilidade à dor. Todo brasileiro, que não seja traficante entocado em seu point de venda de drogas, todo brasileiro, repito, recorre à polícia nas confusões em que se mete. Ainda assim, a maioria dos patrícios não confia na polícia, fala mal da polícia, acusa a polícia de uma porção de malfeitos sonhando com forças policiais compostas de clones de Anjesë Gonxhe Bojaxhiu.

O leitor de Tiro&Queda já pensou numa tropa de choque composta de clones de Bojaxhiu? É o sonho dos que criticam as polícias e, devo admitir, o clone não pegaria mal metido em certas togas de certos tribunais superiores. Anjesë Gonxhe Bojaxhiu nasceu dia 29 de agosto de 1910, em Üsküp, então capital do Vilayet do Kosovo, subdivisião do Império Otomano. Üsküp foi transformada na atual Skopje, em português Escópia, em albanês Shkupi, a capital da República da Macedônia. Bojaxhiu foi a óbito na Índia, em 1997, como Madre Teresa de Calcutá.

Descarrego
Quatro meses sem feriadões impediram-me de um descarrego que muito me alivia: o ato de me livrar, por meios mágicos, do meu lado mau. Todos temos nosso lado mau, que em alguns muitos cavalheiros e damas é descomunal, enquanto noutros, meu caso, é nanomaldadoso. Nan(o): antepositivo, do grego nánnos,ou ‘anão’, ocorre em cultismos do século 19 em diante, como nanico, nanismo, nanocefalia, nanocefálico, nanocéfalo, nanoide, nanomelia, nanossomia etc.

Esse lado que faz mal, sem o descarrego, acaba prejudicando o cronista, que passa a ver nulidades onde há brasileiros ilustres como vários ministros do atual governo e alguns ministros togados de nossos mais altos tribunais. Descarregado, o philosopho chega a admitir que alguém faça amor com determinadas ministras, com a só condição de ter os olhos vendados e sofrer de anosmia, que, sabemos todos, na rubrica medicina significa diminuição ou perda absoluta do olfato, que pode ocorrer por lesão do nervo olfativo, obstrução das cavidades nasais, reflexo de outras doenças ou ainda sem qualquer lesão aparente.

Não sei se o meu descarrego funciona com todos os maldadosos e é certo que depende dos feriadões, como o último 15 de novembro, que caiu numa sexta-feira. Desde a tarde do dia 14 fiquei diante do televisor curtindo os engarrafamentos no Rio e em São Paulo, onde chegou no centro da cidade a 309 quilômetros por volta das 17 horas.

A capital paulista ameaçava movimentar 1.300.000 (hum milhão e trezentos mil) veículos automotores rumo ao litoral e ao interior do estado. Tive notícia de uma senhora que foi vista às 7h da matina tomando água de coco no Centro da cidade, antes de assumir o volante rumo ao litoral. Às oito da noite reapareceu no mesmo vendedor de água de coco dizendo que em 11 horas de volante não conseguiu alcançar as rodovias que levam às praias paulistas. Melhor que isso: os telejornais da manhã do feriado, dia 15, informavam que a situação das estradas estava igual ou pior. Lavei a alma.

O mundo é uma bola
14 de dezembro de 1911: o Polo Sul é alcançado pela primeira vez. Pelo visto, a equipe de Roald Amundsen gostava de frio. Em 1918, a mulher britânica passa a poder votar em eleições gerais e a se candidatar a funções públicas. Em 1995, assinatura, em Paris, do tratado de paz que termina com o conflito entre Bósnia e Herzegovina. Em 2001, a Unesco inclui a região vinhateira do Douro, Norte de Portugal, na lista dos locais que são Patrimônio da Humanidade. Obrou muitíssimo bem, porque é daquela região que vêm o vinho do Porto e o Barca Velha, um tinto que tomei há cerca de 30 anos e me falou ao espírito.

Hoje é o Dia do Ministério Público e do Engenheiro de Pesca.

Ruminanças

“O amor é espaço e tempo tornados sensíveis ao coração” (Marcel Proust, 1871-1922).

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