Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
 Direção
O Brasil não ensina a dirigir: fornece carteiras de habilitação sem habilitar o patrício e a patrícia

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 14/11/2013 04:00

 

Nos acidentes de trânsito, três culpados são recorrentes: 1. barbeiragem; 2. alcoolismo (e outras drogas); 3. cansaço. Na maioria dos nossos estados podemos acrescentar o criminoso abandono em que se encontram as rodovias federais. Limito-me aos três listados acima para dizer que não vejo solução para a barbeiragem. O Brasil não ensina a dirigir: fornece carteiras de habilitação sem habilitar o patrício e a patrícia. Por baixo, aposto que 80% dos que conduzem veículos automotores em nossas estradas não têm condições para dirigir uma carroça. E os veículos automotores, como é sabido, andam mais depressa que as carroças.

É do conhecimento universal que a embriaguez alcoólica ou de outras drogas, inclusivamente aquelas supostas de despertar o motorista, como os “rebites”, é muito perigosa. Rebitado, um motorista vai de BH a Brasília sem se lembrar das cidades pelas quais passou. Resta o cansaço, a exaustão física a que estão sujeitos os patrícios que conduzem veículos neste país grande e bobo.

Comigo aconteceu episódio do gênero. Ninguém é perfeito: fui dono de churrascaria de beira de estrada federal, a BR-3, hoje BR-040. Até hoje me penitencio da besteira de comprar a churrascaria, que demorava 16 quilômetros da fazendinha em que morávamos, cerca de meia hora de automóvel, porque havia três quilômetros de estrada indescritível.

Num domingo de muito movimento, com o gerente viajando, coube ao philosopho responder pela área da lanchonete. As geladeiras comerciais eram daquelas baixas, que obrigavam o herói a se curvar para encontrar a cerveja da marca desejada pelo cliente. Ninguém é obrigado a acreditar, mas havia fregueses que exigiam cerveja de casco claro ou casco escuro.

Perdi a conta das vezes em que me abaixei para pegar uma garrafa. Ali por volta das dez da noite, fechada a lanchonete, tomei o caminho de casa dirigindo a Rural Willys 4×4, trajeto que fazia pelo menos uma vez por dia. Escusado é dizer que a Rural 4 x 4 foi um dos piores veículos já produzidos pela indústria automobilística mundial.

O cansaço era tanto, que não entrei à esquerda na estrada que levava à nossa fazendinha. De repente, começo a ver luzes lá embaixo, muito longe, e só então me dei conta de que estava no alto de uma serra, 600 metros acima do vale em que deveria ter entrado. Retornei e tudo terminou bem, mas aprendi naquela noite que o cansaço é um perigo.

Nutrição
Do grego haîma,atos, ‘sangue’ + phagein, ‘comer’, temos o adjetivo e substantivo masculino hematófago: aquele que se alimenta de sangue. São hematófagos muitos insetos (pulgas, percevejos, fêmeas de mosquitos), anelídeos (sanguessugas), ciclóstomos (lampreias) e mamíferos (três espécies de morcegos e alguns jornalistas).

Uma das espécies de morcegos é a Diphylla ecaudata. Presumo que ecaudata signifique “sem cauda” ou coisa parecida. Quando andei estudando os quirópteros para matéria jornalística, os hematófagos eram chamados de “morcegos de minissaia” e deixavam suas furnas por volta das 22 horas. Jornalistas que vivem do sangue aparecem mais cedo, no final da tarde, ficando na telinha cerca de duas horas.

São muito repetitivos, não só nos comentários como também por exibir as mesmas matérias diversas vezes no mesmo programa, com reedições nos dias seguintes. Até aí, tudo bem: estão na tevê porque há público, portanto patrocinadores. As televisões e os seus apresentadores vivem disso.

Se me permitissem palpitar, pediria que tomassem cuidado na adjetivação e no adverbiar os fatos delituosos. Seus comentários nunca se esquecem de dizer que o crime foi lamentável, como se houvesse crime louvável, elogiável, recomendável. Todos são cruelmente assassinados, talvez para distinguir dos homicídios amavelmente praticados. O negócio vai por aí e dá ibope. Paciência.

Mais um!
Perdi a conta das vezes em que me queixei, neste espaço, do número de feriados inventados pela idiotice congênita da administração pública brasileira. Amanhã temos um, isto é, mais um. Por via de consequência, um feriadão, porque a turma está aproveitando a partir de hoje. Engarrafamentos monstruosos, acidentes a montões, combustível torrado pelos patrícios que “precisam” aproveitar o feriadão, sem que saibam explicar por quê.


O mundo é uma bola 

14 de novembro, dia paupérrimo em matéria de fatos de real importância. Querem ver? Então, vamos lá: em 1821, dom Pedro I eleva Porto Alegre à categoria de cidade. Acontece que o rapaz, em novembro de 1821, ainda não era Pedro I, mas príncipe regente. Em 1922, início da construção da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Em 1945, a Bolívia é admitida como Estado-membro da ONU. Em 1958, emancipação do município de Iaciara, GO.

Em rigor, o único fato digno de nota no dia 14 de novembro foi a transferência, em 1963, da Escola Nacional de Florestas de Viçosa, MG, para Curitiba, PR, até hoje injustificável. Se bem que a Universidade Federal de Viçosa, anos mais tarde, tenha tentado justificar aquela imbecilidade pela outorga do título de doutor honoris causa a um analfabeto. Em 2003, descoberta do planetoide Sedna.

Hoje é o Dia da Amizade, da Alfabetização, do Bandeirante e da Diabetes.

Ruminanças
 “Os caluniadores são como o fogo que enegrece a madeira verde, não podendo queimá-la” (Voltaire, 1694–1778).


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