Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Tetra-hidrocanabinol
A maconha, ainda oficialmente proibida, já se vulgarizou na chamada melhor sociedade deste país grande e bobo

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 17/11/2013 04:00

Bancário, tive um chefe solteirão que se relacionava com uma profissional moreníssima, de aréolas róseas, que fazia ponto na Avenida Atlântica quase esquina com a Rua República do Peru, na cidade do Rio de Janeiro.

Informado, procurei a afro-brasileira, confirmei a linda cor das suas aréolas e desde então nunca mais tive problemas de faltas ou atrasos com o chefe. Bastava inventar: “Ontem à noite, estive com a Fulana e ela repetiu que homem, mesmo, é o Thomaz”. O patrício acreditava, se derretia e me deixava assinar o ponto dos próximos dois ou três dias, porque sempre tive a mania de fugir da cidade grande para a roça fluminense.

O pacientíssimo leitor sabe que a C12H30O2 é substância encontrada nas folhas e especialmente nas inflorescências femininas do cânhamo, Cannabis sativa, e que atua no sistema nervoso central promovendo sedação, diminuição do desempenho psicomotor e da força muscular, sensação de bem-estar e/ou euforia, sonolência, hipoglicemia etc.. É usada na medicina especialmente por suas propriedades antieméticas, acho que para evitar o vômito. É constituinte ativo da maconha e do haxixe, o melhor dos quais, di-lo a Interpol, é produzido em Marrocos, onde o Atlético Mineiro vai buscar o título de campeão mundial de clubes.

Afirmei que o leitor sabe porque deve ter lido no Houaiss, como acabo de fazer. Da leitura dos jornais, sabemos que o Uruguai vem de estatizar o plantio e a venda de maconha, que já é permitida em diversos estados norte-americanos. Comentaristas informados, como os do programa Manhattan connection, acham que a liberação no mundo inteiro é coisa para demorar 10 anos, no máximo. Portanto, em uma década a Terra vai conviver com o paradoxo paradoxal de ter a Cannabis sativa liberada, de mesmo passo em que todos os governos ameaçam com as piores penas do inferno as pessoas que se atrevem a fumar erva anual de até 1,5m, Nicotiana langsdorffii, da família das solanáceas.

O que o leitor talvez não saiba, como o seu philosopho não sabia, é que a maconha, ainda oficialmente proibida, já se vulgarizou na chamada melhor sociedade deste país grande e bobo. Faz tempo que não frequento festas de jovens. Há 45 anos, engravatados ou não, os jovens dançavam, podiam conversar com o som educado das discotecas e dos bares, tomavam pileques e chegavam eventualmente aos finalmentes na maior felicidade, entre juras de amor eterno.

Hoje, além do barulho ensurdecedor que caracteriza as reuniões, me dizem que na melhor sociedade o negócio se limita à maconha e ao pó. Sei disso porque conheço brasileiros humildes que trabalham nas tais festas e me contam: é pó, é fumo, é o fim do caminho. Até o sexo tem sido trocado pela sedação, diminuição do desempenho psicomotor e da força muscular, sensação de bem-estar e/ou euforia, sonolência, hipoglicemia.

Bons sinais
Sou quase do tempo dos sinais de fumaça e ouso dizer que, na linha do horizonte, vejo fumaça verde no que respeita ao jornalismo impresso. Warren Buffett tem 44 bilhões de dólares, é o quarto sujeito mais rico do planeta, não gosta de rasgar dinheiro e vem comprando uma porção de jornais. Jeff Bezos tem US$ 25 bilhões, é um dos vinte mais ricos e acaba de comprar The Washington Post. Também não é homem de rasgar dinheiro. Portanto, Buffett e Bezos, que não devem ser dois idiotas, estão vendo nos jornais impressos algo que os pessimistas não veem.

Se estivessem atrás de propaganda pessoal, com os milhões de dólares que investiram na aquisição dos jornais comprariam anúncios de primeira página nos maiores jornais do mundo provando que são lindos e inteligentes. Por US$ 20 mil contra nota fiscal, não precisando assinar o texto, provo que tanto Buffett como Bezos são mais bonitos que Tom Cruise e mais inteligentes que Planck, Sagan e Asimov somados. Por US$ 25 mil, sempre contra nota fiscal eletrônica, incluo Einstein e Newton na lista.

O mundo é uma bola 

17 de novembro de 1558: Elizabeth I, da Inglaterra, torna-se rainha e é a última representante da dinastia Tudor a ocupar o trono. A Casa de Tudor, como sabemos todos os que consultamos o Google, foi uma dinastia de monarcas que reinou na Inglaterra entre 1485 e 1603.

Em 1717, tem início a construção do Convento de Mafra, a 25 quilômetros de Lisboa, monumental palácio e mosteiro em estilo barroco na vertente alemã. Iniciativa de dom João V, de Portugal, cumprindo promessa caso a rainha Maria Ana de Áustria lhe desse descendência.

A biblioteca de Mafra, estantes estilo rococó e chão de mármore, tem mais que 36 mil livros encadernados em couro, gravações a ouro, rivalizando com a biblioteca da Abadia de Melk, na Áustria. Em Portugal, a biblioteca acolhe morcegos que ajudam a preservar os livros. Saem durante a noite das caixas em que vivem por baixo das estantes: cada um se alimenta de insetos equivalentes à metade do seu peso.

Hoje é o Dia da Criatividade e o Dia Nacional de Combate à Tuberculose.

Ruminanças

“Ora, ora, ministro Wellington, não é aéreo: a pronúncia é aeroportuário.” (R. Manso Neto)

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