Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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Maiôs

José Bento Teixeira de Salles honrou a terra em que nasceu e cada um dos dias que viveu até nos deixar aos 91 anos

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 21/08/2013 04:00

Escrevi sobre o lançamento na França, numa piscina de Paris dia 5 de julho de 1946, de um maiô de duas peças de tamanho reduzido, cobrindo os seios e a zona do agrião, inventado pelo estilista Louis Reard. Maiô que passou a ser chamado de biquíni pelo barulho que deve ter feito na praça, parecido com o provocado no mesmo mês do mesmo ano no Atol de Bikini, Oceano Pacífico, com a explosão de uma bomba atômica experimental.

Amável leitor do Estado de Minas contou-me do lançamento do biquíni em Belo Horizonte no ano de 1965 e na piscina do Minas Tênis Clube, por uma amiga dele, senhorita que tinha as iniciais V. L. de Almeida S.. Diz o leitor que foi um escândalo em caixa-alta.

Naquele tempo, o clube tinha uma funcionária, dona Nida, que trabalhava no vestiário feminino e, entre outras funções, fiscalizava os maiôs das moças. Se o maiô fosse de cor clara ou um pouco mais ousado, a funcionária tirava a sócia da área da piscina, enrolando-a à força numa toalha e arrastando-a para o vestiário “com a aprovação de todos os frequentadores do clube”, completa o leitor.

Junto com o seu e-mail, enviou texto escrito por V. L. de Almeida S. narrando a proeza de ser a primeira moça a usar biquíni no Minas Tênis Clube, texto que não consegui abrir porque estou atingindo a perfeição em matéria de informática: entendo cada vez menos.

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Amigo
Os aumentativos irregulares amigaço e amigalhaço, bem como os coletivos turma, patota e tertúlia não dizem da importância do amigo e da amiga nas vidas de todos nós. Tertúlia… Você, caro e preclaro leitor, diria que os seus amigos são a sua tertúlia ou a sua patota? E tem mais uma coisa: podem ser colegas de turma, sem que sejam amigos.

Sou do tempo em que havia cavalheiros registrados com o nome Tertuliano, ao que parece significando “terceiro”. A Paraíba teve um Tertuliano falecido em 1957. Santa Catarina também teve Tertuliano famoso, nome de rua e de rodovia estadual.

Fiquemos nos amigos e amigas tão importantes na vida de um sujeito quanto as paixões, com a só diferença de que as paixões acabam e as amizades são (ou deveriam ser) eternas. Desconfio dos cidadãos que rompem amizades de muitos anos por motivos fúteis ou até sem motivo algum, providência que me parece indicativa de caduquice.

Não se diga que as amizades não sejam perigosas. Amigos há que, de tão barbeiros, expõem nossas vidas a acidentes. Tive um amigo assim: muito respeitado em seu estado, professor doutor de universidade federal, pequeno de corpo e grande de coração e intelecto, vivia dizendo que o brasileiro não estava suficientemente aculturado para dirigir. E dirigia, tinha carteira, era barbeiro habilitado. Certa feita, meteu-se com seu Fiat 147 embaixo de uma carreta graneleira. Não teve um arranhão e o 147 sumiu do mapa. Dizíamos que ele, pequenino, deve ter sido salvo por se esconder no porta-luvas.

As circunstâncias da vida e as distâncias geográficas são responsáveis por certos episódios, como por exemplo: José Bento enterrado em Belo Horizonte e a coluna Tiro & Queda falando de um podólogo de onças-pintadas. Em Juiz de Fora só tive a notícia de que o Amigo, com A em caixa-alta, nos deixou, quando recebi o Estado de Minas edição de sábado 17 de agosto. As colunas do final de semana estavam prontas, revistas e ilustradas.

Foi um amigo que fiz quando me candidatei à Academia Mineira de Letras e desde então, nos últimos 18 anos, tivemos relações as mais cordiais no sentido de “relativo ao coração”. Sempre admirei e louvei sua carreira de homem público brilhante e incorruptível, não fosse amigo e colaborador de Milton Campos, de jornalista e escritor, de causeur com o mais fino humour britânico.

Quando publicou o seu Passageiro do tempo, deu-nos extraordinário livro de memórias em 446 páginas, sem exagero algum livro dos mais notáveis que já li. Marido amantíssimo, exemplar chefe de família, amigo de todas as horas, José Bento Teixeira de Salles honrou a terra em que nasceu e cada um dos dias que viveu até nos deixar aos 91 anos.

O mundo é uma bola
21 de agosto de 1359: Ismail II se torna o nono rei nasrida de Granada, ao destronar seu meio-irmão Muhammed V al-Ghani. Alá achou feio aquele negócio de destronar o meio-irmão e levou Ismail II para o céu no ano seguinte. Em 1770, ao fim de sua viagem de descoberta da Austrália, o capitão James Cook reclama o continente em nome do Império Britânico. Sorte dos cangurus e dos aborígenes, que falam inglês e podem estudar a ciência da computação. Em 1792, a guilhotina é usada pela primeira vez na Revolução Francesa para cortar a cabeça de um nobre, depois de julgamento sumário. Em 1950, o Havaí se transforma no 50º estado norte-americano.

Ruminanças
“Tudo é bom quando é excessivo” (Marquês de Sade, 1740-1814).


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