Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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Attalea funifera

Publicação: 28/07/2013 04:00

Como é do desconhecimento geral, Attalea funifera é palmeira de estepe liso e cilíndrico, desde subterrâneo de até 15 metros, folhas eretas verde-escuras com pecíolo longo e frutos comestíveis. Nativa do Brasil, tem fibra dura e flexível extraída das margens dos pecíolos e usada na fabricação de escovas e vassouras.

Sou capaz de apostar que o leitor tem vassoura de piaçaba em sua casa, como tenho na minha, além de vassouras felpudas e outras de cuja utilidade nem desconfio, porque são adquiridas pela operadora de fogão de cinco bocas, que faz os outros serviços domésticos, cozinha admiravelmente e nunca, jamais, em tempo algum cumpriu expediente de mais de seis horas.

Todos os que nascemos antes de 1960 sabemos que a vassoura, em política, está associada à figura de Jânio Quadros. Contudo, tomando um solzinho na roça mineira para combater o frio cachorro que fazia por lá, vosso philosopho associou o ilustre ministro Aloizio Mercadante Oliva ao utensílio para varrer, constituído por um cabo longo de madeira a que se fixa, numa das extremidades, um feixe de fibras de piaçaba ou outras fibras ou pelos naturais ou sintéticos.

A explicação é simples. No jardim da roça, bem à frente da cadeira em que me sentei, havia velha vassoura de piaçaba marca Sant’Anna com exatas 19 fibras duras e flexíveis extraídas das margens dos pecíolos, remanescentes das 200 ou 300 que tinha quando nova. Lembrei-me do filho do general de exército e grande comandante da Escola Superior de Guerra, Oswaldo Muniz Oliva, pela persistência ao conservar no alto de sua bela face exatos 19 fios de cabelo, desde quando começou a fazer política.

É um fenômeno a ser examinado pelos médicos que se dedicam ao transplante de cabelos e pecam, no meu entendimento de philosopho, pelo fato de não transplantar os fios que nascem nas orelhas dos idosos. Ouso afirmar que os transplantes seriam um sucesso.

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Kyoto

Ninguém sabe, antes de consultar a Wikipedia em inglês, via Google, que historicamente Kyoto foi a maior cidade do Japão, depois ultrapassada por Osaka e Edo (Tóquio) no final do século 16. Mais tarde, ficou menor que Kobe e Nagoya. Em 1947, voltou a ser a terceira em população, mas em 1960 seus habitantes diminuíram e em 2012 era a oitava cidade japonesa, correndo agora o risco de se transformar em nona, menor que Kawasaki.

Calcula-se que tenha hoje cerca de 1,5 milhão de moradores. Circula na internet, em japonês, um vídeo sobre as ruas da velha Kyoto, estreitas, sem um só veículo automotor. Achei as fotos meio tristes: vielas iluminadas, um ou outro casal de namorados, lanternas e um treco branco em forma de parabólica da Claro ou da Sky, com a concha voltada para o interior das habitações, sinal de que não é antena.

Repassei as fotos, porque sou assaz repassador, não no sentido dos que repassam cavalos, regionalismo gaúcho, mas do cavalheiro que repassa e-mails. Ao repassar, disse que achei as vielas tristes e recebi de um amigo belo-horizontino, comerciante no Japão, a seguinte notícia: “Concordo com você – é uma cidade triste. Falo com conhecimento de causa: já estive lá mais de 30 vezes, para não dizer 50, que seria mais correto.

Cidade de restaurantes com mais de 1.000 anos, onde você só é aceito se for com um japonês habitual frequentador. Se for convidado para ir a uma casa em Kyoto e lhe trouxerem chá e água, e você beber, nunca mais será convidado, porque na primeira visita não se deve beber ou comer nada que nos ofereçam: os habitantes de Kyoto consideram grave falta de educação comer ou beber na primeira visita”. Donde se conclui, à luz da philosophia do philosopho, que naquela cidade há 1,5 milhão de japoneses malucos da cabeça.

O mundo é uma bola

28 de julho de 1540: casamento de Henrique VIII, da Inglaterra, com Catarina Howard. Foi o quinto casamento do rei, que tinha por ela paixão e lhe dava presentes luxuosos, o que não a impediu de tomar como favorito o cortesão Thomas Culpepper, além de levar para a corte Francisco Dereham, que tinha sido seu namorado em Norfolk e se tornara seu secretário particular.

Henrique não acreditava nos chifres até ver as cartas de Culpepper para Catarina, ocasião em que mandou prendê-la na Abadia de Middlesex, cassou-lhe o título de rainha e mandou executar, em dezembro de 1541, Culpepper e Dereham. Catarina foi julgada por adultério e executada na Torre de Londres dia 13 de fevereiro de 1542. Tinha 25 aninhos. Engraçado: middle é mediano e sex é sexo. Será que o nome da Abadia tinha relação com o desempenho do rei?

Em 1821, independência do Peru. Em 1823, adesão do Maranhão à independência do Brasil. Sem ela, adesão, e sem ele, Maranhão, o Brasil não seria o que é. Em 1919, Epitácio Pessoa assume a Presidência do Brasil, ensejando a trova: “O pê de prompto não soa/ tampouco o pê de Assumpção/ há porém uma exceção/ em Epitácio Pessoa”.

Hoje é o Dia do Agricultor.

Ruminanças

“É melhor não ter nada do que ter sobras” (Gilberto Amado, 1887-1969).


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