Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Até R$ 2.500…
No atual jornalismo, bandido é suspeito. E as notícias estão atingindo a perfeição de não citar os nomes dos suspeitos

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 01/06/2014 04:00

Manchete de um jornal da Manchester mineira informa que os matadores cobravam até R$ 2.500 por assassinato. É pouco. Trabalho feito de encomenda implica investimento em munição, arma, transportes, horas de campana e riscos. Se a manchete fala “até R$ 2.500” é porque há profissionais trabalhando por menos, matando quase de graça. Sempre há o risco de prisão; por pouco tempo, mas há. Logo, logo, o condenado terá saídas pela Páscoa, pelo Natal, para passar o aniversário com a família. No Rio, pela última Páscoa, mais de mil não voltaram para a cadeia. Se o profissional do gatilho contratar os serviços de um criminalista, aí mesmo é que os R$ 2.500 não pagam a condução. 

Ação conjunta das polícias Militar e Civil desmantelou quadrilha “suspeita” de pelo menos sete homicídios cometidos a serviço de traficantes. Suspeita era inevitável: no atual jornalismo, bandido é suspeito. E as notícias estão atingindo a perfeição de não citar os nomes dos suspeitos.

Tenho visto notícias assim: “Um homem de 43 anos, morador no Buraco do Boi, Zona Leste da cidade, matou a tiros seu vizinho de 39. Preso pela polícia, o suspeito declarou que matou porque o vizinho fazia barulho durante a noite”.

Quer dizer: matou por motivo mais que justificado. Legítima defesa do sono é tão importante quanto a defesa da honra. Considerando que este país grande e bobo tem pouquíssimos cidadãos honrados, é de todo conveniente que o Código Penal passe a incluir a legítima defesa do sono e da lataria do carro.

Cidadão honorário

O brasileiro Fábio Augusto Ramalho dos Santos, deputado federal (PV-MG), nascido em Brasília, recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte no dia 28 de abril. Foi pouco. Fabinho Ramalho merece o título de cidadão honorário da ONU, isto é, do mundo, porque é um sujeito de bem com a vida e com o planeta, amigo dos seus amigos, cavalheiro que gosta dos outros e neles só vê qualidades, comportamento raríssimo entre os 7,5 bilhões de habitantes da Terra.

Em rigor, só odeiam o deputado Fabinho Ramalho os mamíferos da família dos suídeos (Sus scrofa), originários do javali selvagem do Velho Mundo e encontrados em todo o planeta como animais domésticos que fornecem basicamente carne e banha, e comem praticamente de tudo, donde seu costume de revirar lixo à cata de alimento.

O ilustre parlamentar contabiliza milhares, talvez milhões de leitoas assadas nos jantares que promove em seu apartamento brasiliense. De temperamento alegre e brincalhão, Fabinho seria político bem-sucedido em qualquer lugar do mundo, menos em Israel e nos países muçulmanos, que não comem carne de porco. 

Exageração 

Grosso modo, no dia em que componho estas bem-traçadas 180 mil euros correspondem a 580 mil reais. Com todo o respeito, é muito dinheiro por um vestido de casamento feito pela Chanel. Se a noiva é feia, o vestido contrasta com o seu visual; se é bonita como Ticiana Villas Boas, jornalista da Band, ao casar-se em São Paulo com um dos donos da Friboi, o Chanel de R$ 580 mil nada acrescenta à sua beleza. É coisa de nouveau riche, que não congemina nem conjumina com a situação do país.

Recebi hoje cedo e-mail com as fotos dos maiores e melhores iates do planeta. A maioria pertence aos potentados árabes, há vários de americanos e russos e um da família real da Noruega. Os iates pequenos têm 80 metros e os maiores em torno de 135 metros, mais que o comprimento de um quarteirão. Montados num mar de petróleo e metidos naquelas roupas ridículas, os árabes esnobam o mundo com os seus iates, bem como com a notícia de que a Arábia Saudita está concluindo um prédio de mil metros de altura: um quilômetro! Em matéria de semostração conseguem bater o vestido Chanel de Ticiana.

Só não dá para entender como existem tantos russos bilionários, recém-saídos de um regime de purificação social como a União Soviética. Confiável, mesmo, só a tripulação do iate do rei Harold V, composta de militares noruegueses. Tripulantes de grandes iates, com raras exceções, são bandidos tatuados fugidos das polícias dos seus países – uma fauna de assustar.

O mundo é uma bola 

1º de junho de 1494, dia importantíssimo na história da humanidade: o frade John Cor descreve a primeira destilação de uísque, do inglês whisky ou whiskey, do irlandês uisce beathadh e escocês uisge beatha, literalmente “água da vida”.

Em 1533, Anne Boleyn é coroada rainha da Inglaterra, para ser executada dia 19 de maio de 1536 por ordem de seu marido e senhor, Henrique VIII, um louco que reinou antes da Lei Maria da Penha.

Em 1812, o presidente norte-americano pede ao Congresso que declare guerra ao Reino Unido.

Em 1928, Portugal declarou guerra ao Reino Unido de outra forma: alterou a circulação de veículos da esquerda para a direita, acabando com aquela besteira inglesa de andar na contramão. 

Hoje é o Dia da Imprensa.

Ruminanças 

“É tempo de a PM pensar num Batalhão Villas-Bôas treinado para evitar as flechadas dos nossos irmãos indígenas” (R. Manso Neto)

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