Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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03 a 09 de agosto de 2015

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Vascaínos
Marcia e Moacir são vascaínos. Milhões de pessoas também torcem pelo time de São Januário, que teve a subida honra de ser presidido pelo comendador João da Silva, entre outros cavalheiros originais como este Eurico Miranda, não por acaso ex-deputado.
João da Silva começou a vida no Rio vendendo suco de laranja na Praça da Bandeira. Risonho, saudável, de gorro e jaleco brancos, suco feito à frente da freguesia, que logo aumentou. Juntou um dinheirinho, não muito, que lhe permitiu associar-se a um marceneiro no aluguel de modesto galpão, onde começaram a fabricar carrocerias de madeira para lotações, veículos de transporte coletivo que fizeram sucesso nas ruas do Rio: levando cerca de 20 passageiros corriam muito, trombadas espetaculares, viagens pagas em dinheiro aos cavalheiros que os choferavam, verbo choferar, regionalismo brasileiro para o exercício da profissão de chofer.
João prosperou, montou indústria supimpa, salvo engano Carrocerias Metropolitanas, construiu moderno edifício às margens da Avenida Brasil. Depois de adquirir bela comenda transformou-se em comendador João da Silva, revendedor Mercedes na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, capital federal.
Vasco, fazenda e helicóptero foram suas conquistas seguintes, não necessariamente nessa ordem. A bela fazenda comprada no Estado do Rio antecedeu o helicóptero. Não posso jurar, mas a presidência do Vasco veio depois, porque o comendador ainda não era muito conhecido no dia do episódio que lhes conto.
Fazenda “faz parte”. Quase todos os brasileiros que enricaram no boom da Bolsa de 1970 compraram fazendas. Helicóptero também “faz parte”. De que vale ter fortuna se a plebe não souber? Novidade naquele tempo, helicóptero era bela demonstração de status. Avoava, fazia barulho, impressionava a patuleia. Tive um empregado que se referia ao helicóptero de um fazendeiro vizinho como “aquele trem que avoa”. 
Criador de cavalos, o comendador foi de helicóptero a uma exposição de mangas-largas marchadores nas Serras do Estado do Rio, região de Cordeiro.
Como sabe o leitor, helicópteros dispensam pistas de mil, de dois mil metros, mas para pousar precisam de um quadradinho chamado heliponto. E a tal cidade, construída numa serra alcantilada em plena Mata Atlântica, só tinha um ponto de pouso: a pista circular onde se realizava a exposição de mangas-largas.
Naquela emergência gravíssima, o piloto perguntou ao comendador: “Posso?”. Autorizado pelo patrão, desceu no centro da pista provocando um estouro de mangas-largas como nunca se viu no planeta. Pelas ruas e pelas matas, durante meses dizia-se que havia mangas-largas perdidos nos alcantis de Mata Atlântica.
Como resultado da história, os donos dos cavalos partiram para matar a chicotadas o comendador, corado, sorridente, que descia da aeronave de asas rotativas. Só não foi morto porque um dos criadores, dono de Mercedes, reconheceu o comendador. 

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Murídeos
Depois de afastar a geladeira para examinar uma tomada, o eletricista voltou à sala para perguntar: “O senhor tem medo de rato?”. Respondi que medo não tenho, mas não gosto dos ratos da família dos murídeos e tenho nojo dos ratos da família petista: que corja, hein?
No dia em que escrevo, o Jornal da Itatiaia informou que o Planalto tem os resultados de uma pesquisa em que as avaliações de bom e ótimo para o governo da incompetenta estão em 7%, o nível mais baixo desde os trambiques do Collor. 

Volto aos ratos de quatro patas para falar de O Globo em que trabalhei. A redação ficava no segundo andar e as oficinas no térreo. Na flor dos seus 60 aninhos, o doutor Roberto chegava sozinho dirigindo seu fusca verde, sem qualquer tipo de segurança ou blindagem. Na redação havia uma “sala de televisão” sempre fechada: mesa, cadeiras e um televisor desligado. Lugar ótimo para escrever minhas matérias com os recortes e os diversos livros de consultas, cinzeiro e charuto. Quase todos os jornalistas fumavam cigarros, três fumávamos charutos. Pormenor curioso: as matérias não eram assinadas. Fiz matéria sobre ratos, página inteira com chamada de primeira página, não assinada.
Naquela tarde, pelo menos seis funcionários das oficinas subiram à redação metidos em seus macacões, as mãos sujas de tinta e graxa, “para conhecer o colega que entende de rato”. Digo “pelo menos” porque foram os seis que conheci quando não estava na rua fazendo outra reportagem. Um de cada vez, todos tinham problemas com os ratos em suas casas.
Realmente, estudei o assunto, consultei técnicos do departamento de zoonoses, li folhetos e livros. Havia coisas deliciosas que botei na matéria. Exemplo: “Se o observador vê fezes de ratos é sinal de que há ratos”. Antes dessa lição, o observador podia pensar que fossem fezes de onças ou de elefantes. Ao que tudo indica, o eletricista encontrou fezes de camundongos embaixo da geladeira.

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Tribunais
Acompanhando o auê midiático sobre o TCU, Tribunal de Contas da União, me lembro da expressão faz de conta, que significa “o mundo imaginário; fantasia”. Municipais, estaduais, federal, só temos tribunais do faz de conta, que custam fortunas, empregam gente demais da conta, barnabés que nunca deram conta do recado. 
Isto não impede que alguns cavalheiros e damas estimabilíssimos sejam nomeados ministros ou conselheiros daqueles Tribunais junto com outros de variada natureza moral e intelectual. Entre funcionários concursados e apaniguados, o conjunto de cada obra é um espanto espantoso. 

Quando me mudei para BH já era muito amigo do então presidente do TC-MG e de um ex-presidente do mesmo órgão. Afinidade moral e intelectual. Uma das primeiras observações do presidente aposentado foi: “O Fulano já devia ter arranjado uma colocação para você lá no Tribunal”. Continuei muito amigo dos dois, frequentei o Tribunal, o presidente em exercício nunca me ofereceu a tal “colocação” e tive, com a observação do aposentado, o retrato de como funcionam as coisas na capital de todos os mineiros: um imenso cabide de empregos públicos.
Ficou célebre um sujeito muito simpático, que conheci pessoalmente, suposto de ter 16 colocações em diversas repartições. Seu segredo era não aparecer em nenhuma delas. “Desconhecido”, ninguém dava por sua falta e os contracheques eram depositados nos finais dos meses.

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Pois é, vosso país tem um Ministério do Turismo cujo titular se chama Henrique Eduardo Lyra Alves, o Henriquinho, que nasceu no Rio de Janeiro em 1948 e faz política no Rio Grande do Norte, onde foi eleito deputado federal por 11 mandatos consecutivos, presidiu a Câmara de 2013 a 2015 e foi derrotado quando disputou o governo norte-rio-grandense.
Consta que a incompetenta dá tanta importância ao turismo que, transcorridos cinco meses desde a nomeação do ministro, ainda não recebeu o Henriquinho para conversa de 10 minutos.
Tive a desventura de começar um domingo, muito cedo, ouvindo entrevista do ministro à rádio CBN. Claro que não anotei nada, porque Henriquinho entende tanto de turismo quanto nós de grego clássico. Importantíssima em grande parte do planeta, a indústria do turismo no Brasil é ridícula. A França recebe 84.7 milhões de turistas/ano contra 5.6 milhões do Brasil. Nas Américas ficamos em 4º lugar, perdendo para os Estados Unidos, o México e o Canadá, sendo que os EUA recebem 69.8 milhões de turistas/ano. A Tailândia, que fica longe à bessa, recebe 26.5 e a Turquia, referta de turcos, descola 37.8 milhões de turistas/ano.
Que levará uma pessoa a visitar a Turquia? Não consigo entender, mas duas filhas minhas já fizeram turismo por lá. Uma delas, resfriada, passeou de balão num dia em que a temperatura andava 15 graus abaixo de zero.
O planeta está cheio de lugares bonitos ou feios, agradáveis ou perigosos, acolhedores ou hostis – e sempre há gente fazendo turismo nessas regiões. Coisa curiosa: não se vê gente dizendo que detestou o turismo feito ali ou acolá, fenômeno que talvez tenha relação com o sentimento de simpatia que temos por nossas terras natais. E há terras, muitas terras, indignas de assistir ao nascimento de uma criança, mas a criança nasce, cresce e vai-se embora para melhorar de vida, sempre elogiando o torrão natal. 
Com o turismo vê-se algo parecido: uma região passa a ter importância pelo fato de ser visitada por nós como turistas. Sim, porque se a visitamos a trabalho, não raras vezes voltamos dizendo cobras e lagartos. Certa feita passei cinco dias trabalhando em Salvador, Bahia, e voltei horrorizado. Foram cinco dias inteiros às voltas com os arquivos empoeirados da capital baiana para descobrir um trambique arquitetado por um diretor do BB, político baiano empenhado na aquisição de um edifício pelo banco. Ocorre que o prédio seria demolido com a construção de um viaduto, como descobri ajudado por um advogado do banco.
Só nas outras visitas que fiz à Bahia descobri os encantos soteropolitanos. Numa delas, a convite, tudo pago pelos organizadores de um congresso agropecuário, mostraram-me no hotel o apartamento em que ficaria dividindo o espaço com dois professores doutores. Grande honra: modesto fazendeiro e dois professores doutores.
O banheiro era tão pequeno que não havia espaço, em cima da pia, para três escovas de dentes. Voltei à portaria para protestar, quando estava de saída o então ministro da Agricultura. Diante do meu protesto, sua excelência passou-me a chave do seu apartamento dizendo: “Estou de saída. Você pode ficar no meu apartamento”. Fiquei e curti a temporada, que foi muito divertida. De vez em quando a gente conhece um ministro supimpa.

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Ô loco meu!
Paulista de Porto Ferreira, filho da professora Cordélia e do economista Maury Correa Silva, Fausto Correa Silva, o Faustão, tem 65 anos e foi casado durante dez anos com Lucia Helena, depois se casou também durante 10 anos com a ex-modelo e artista plástica Magda Colares, com quem teve a filha Lara, e atualmente é casado com Luciana Cardoso, ex-modelo e jornalista, tendo com ela os filhos João Guilherme e Rodrigo. 

Dialogando com Mario Sérgio Conti, no lúgubre cenário inventado pela GloboNews, o apresentador Luciano Huck disse ter por Fausto Correa Silva imensa admiração profissional, pelo número de anos de sucesso com o Domingão do Faustão
Até aí, tudo bem. O ferreirense não assalta a Petrobras, trabalha honestamente, ganha o seu dinheiro e se casa, de dez em dez anos, com as moças que escolhe. Ninguém é obrigado a assistir aos seus programas na televisão.
Às vezes, contudo, visitando pessoas amigas, estamos sujeitos ao Domingão do Faustão, ainda que de costas para o televisor. Nessas ocasiões, que felizmente são raras, causa espécie o baixo nível, a falta de graça, a imbecilidade do apresentador que faz tanto sucesso. 
Claro que o filho da professora Cordélia com o economista Maury não é um idiota completo: Fausto Correa Silva tem cinco irmãs professoras, que cuidariam de adverti-lo, se não soubessem que o irmão faz um tipo, fala a língua da sua audiência e do seu sucesso. Aí é que está o drama: se faz sucesso com aquele besteirol é porque o nível de sua galera (sic), presencial ou televisiva, é um pavor. Como, de fato, é apavorante, elege o Congresso que aí está, vota em Lula, Dilma e outros da mesma laia.

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Hospitalidad
Na biografia de Carlos Castello Branco escrita pelo jornalista Carlos Marchi leio que Castelinho, estudando Direito em Belo Horizonte e já trabalhando em jornal, ficou muito amigo de Otto Lara Resende. Tarde da noite, depois de um dia espichado de trabalho, os dois vinham conversando pelas ruas, Otto entrava em sua casa, subia para o segundo pavimento e, da sacada, continuava conversando com o amigo que deixara na calçada. Realmente, os mineiros sempre foram avaros dos convites para suas casas. 

Em 1978, morando na fazenda fluminense, alugamos apartamento em Juiz de Fora pensando nos estudos das três filhas. Logo fizemos bela roda de amigos médicos, engenheiros, comerciantes e industriais, todos avaros de suas casas. Com o passar do tempo, frequentando nosso apartamento, concordaram em convidar-nos para conhecer e frequentar suas imensas casas.
Essa desconfiança inicial deve datar do tempo das minas de ouros e diamantes, dos desvios para escapar dos cobradores de impostos, da geografia montanhesa, do clima de desconfiança em que vivia a mineiridade. 

Em tudo e por tudo diferente dos largos campos do Sul, nos quais o gaúcho se destaca por sua hospitalidad. Numa das muitas guerras sulinas, o estado-maior do general derrotado fugia para o Uruguai, à noite, cavalos exaustos, chuva, pampeiro,   frio de gelar os ossos. 
Na fuga cruzavam os campos da estância do general vitorioso, quando um ajudante-de-ordens do derrotado ponderou: “General, vamos morrer de frio. A tropa está exausta. Vou pedir pousada ao dono da estância”.
Autorizado, dirigiu-se à casa do general inimigo, identificou-se, explicou a situação. O estancieiro respondeu: “Na casa em que moram minhas filhas aquele filho da puta não entra. Vai dormir no galpão!”. Galpão gauchesco tem pronúncia típica, escandida: gal-pão!
Pois muito bem: quando os fugitivos chegaram ao galpão encontraram camas de jacarandá, lençóis de linho, cobertores, bacias, toalhas, água quente, mesa posta, louças e talheres, vinhos importados e um jantar magnífico, que chegava da cozinha da estância.
Nos muitos anos em que morei na capital de todos os mineiros comprovei o fenômeno, atenuado pelo passar do tempo. A mineiridade é muito simpática, mas continua fiel à desconfiança nascida nos séculos dos ouros e dos diamantes. 

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Torturas
Dor violenta que se inflige a alguém, sobretudo para lhe arrancar alguma confissão, a tortura existe desde tempos imemoriais apesar de abjeta. Um edito (decreto, ordem) da Idade Média, citado por Valesio e Loyseau, prescrevia: “No caso de dois individuas suspeitos, aplicar a tortura no mais feio”. 

A senhora Rousseff diz que foi torturada quando presa pelo regime militar. Se foi verdade, seus torturadores conseguiram mais que lhe arrancar alguma confissão: arrancaram-lhe a capacidade de raciocinar, o que explica seu besteirol sempre que fala de improviso.  

Mais que uma lavagem cerebral, reforma de pensamento ou reeducação, qualquer esforço constituído visando a mudar certas atitudes e crenças de uma pessoa, utilizando métodos agressivos como cansaço, substâncias químicas ou persuasão, para que o indivíduo passe a ter opiniões que não teria se não fosse submetido a lavagem, seus torturadores conseguiram algo que parecia impossível: suprimir, sem AVC, anestesia ou óbito, sua capacidade de raciocinar, se é que havia.
Aliás, falar em cérebro, quando cuidamos da senhora Rousseff, é força de expressão. Melhor seria falar do CCC, o Conteúdo da Caixa Craniana de uma criatura que presidiu o Conselho de Administração da Petrobras sem ver a ladroeira que existia sob o seu nariz.
Quando às lavagens cerebrais, vale notar que em 1987 a Câmara de Responsabilidade Social e Ética para a Psicologia (BSERP) da American Psychological Association (APA) recusou, provisoriamente, o reconhecimento da lavagem cerebral pela carência de sólidas informações científicas, embora o debate continue em curso.  

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Ruminanças
 “Duque, Zelada, Cerveró, mais que a desonestidade, o critério para indicação dos diretores da Petrobras era a feiúra” (R. Manso Neto).

FONTE: Jornal da ImprenÇa.


1 Comentário(s)

  1. João Alhais

    10 de agosto de 2015 às 11:02

    No rio de Janeiro; se há camundongos em uma casa a responsabilidade de exterminá-los é da Prefeitura Municipal. se há ratos, é do Estado. Já se há ratazanas é do Governo Federal. Talvez haja quem defenda os direitos “ratumanos” mas eu desconheço

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