Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Racismo
A gente abre a torneira com a mão suja, lava muito bem ambas as mãos e fecha, com a mão limpa, a torneira aberta pela mão suja. Sai dessa…

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 03/04/2014 04:00


Apesar de botafoguense, o jornalista Arthur Dapieve, carioca de 51 anos, é cavalheiro lúcido. Geralmente escreve sobre música, sua especialidade, mas outro dia cronicou sobre futebol. Caprichou: “O que poderia melhorar – e já houve progressos – é o grau de conscientização em torno do problema. Porque ele jamais desaparecerá, daqui ou da face da Terra. Haverá ‘racismo’ onde quer que fenótipos diferentes convivam, o que aumenta a necessidade de admiti-lo para que se possa reprimi-lo duramente”.

Reprimi-lo duramente. Racismo é crime, portanto passível de punição, mas é biológico: no reino animal, as espécies procuram suas iguais e se afastam, desconfiam das diferentes. Ao longo de muitas dezenas de milhares de anos, a espécie humana se espalhou pela Terra produzindo fenótipos – manifestações visíveis ou detectáveis de genótipos – com cabelos, olhos, narizes, lábios, peles de cores diferentes. 

A cavaleiro de um exame de DNA que atesta o meu sangue negro, possivelmente angolano, misturado aos genes de ancestrais que andaram pelos Montes Urais, peço licença para meter minha colher no imbróglio. Chamar alguém de macaco nunca foi ofensa nem aqui nem na China: descendemos de um mesmo tronco. 

Sentir-se ofendido por ser comparado ao muriqui, Brachyteles arachnoides, o maior macaco das Américas, é rejeitar a condição de cordial, é admitir que tem índole perversa, pois o mono-carvoeiro é dos raros, talvez o único macho cordial. Passemos aos grandes antropoides: alguém se ofende quando comparado aos chimpanzés? Só pode ser inveja, considerando que os primatas do gênero Pan têm uma libido, um entusiasmo sexual invejável. 

É ofensiva a comparação com os gorilas? Poligâmicos talqualmente muitos mórmons, muçulmanos, cristãos e ateus – a monogamia é raríssima entre os mamíferos – os gorilas vivem em grupos de um respeitado macho com várias fêmeas, lavam os capins antes de levá-los às bocas, jamais foram vistos praticando atos de terrorismo, participando do BBB ou assistindo ao indecoroso programa.

E os orangotangos, hein? Vivem sozinhos, sem a exuberante sociabilidade humana, que se manifesta falando mal dos outros, cobiçando a mulher do próximo, praticando roubos, sequestros, crimes de morte. De uns tempos a esta parte, o objetivo supremo do brasileiro jovem tem sido organizar-se em gangues bairristas, facções criminosas, torcidas organizadas.

Crime gravíssimo, no meu entendimento de philosopho, é acusar uma pessoa de não ser aparentada com os macacos, sinal de que o acusador acredita no criacionismo. 


Bactérias 
Peguei o programa História do banheiro quinze minutos depois de começado e não aguentei chegar ao final. É tanta miséria, 2,3 bilhões de pessoas que nunca viram um banheiro, é tanta criança morrendo de diarreia, que mudei de canal. Já escrevi sobre o programa. E o certo é que passei a gastar toneladas de papéis higiênicos e lenços de papel para não tocar no botão de descarga da privada. No tal programa, um pesquisador de universidade séria esfregou um cotonete esterilizado na alavanca de descarga do vaso, fez uma placa com o esfregaço e mostrou ao repórter o resultado na placa: bactérias a montões, sem exclusão daquela muito perigosa, que pode ser encontrada nos hospitais.

Lavar as mãos depois de ir ao banheiro, dizem todos, é importantíssimo. Tudo bem: lavemos as nossas mãos várias vezes por dia, mas é indispensável que os banheiros tenham torneiras de abrir e manter abertas com o pé. Existem vários modelos. Caso contrário, a gente abre a torneira com a mão suja, lava muito bem ambas as mãos e fecha, com a mão limpa, a torneira aberta pela mão suja. Sai dessa…


Postalistas 
Mais do que justa a reivindicação dos carteiros no sentido de que a correspondência passe a ser distribuída pela manhã para fugir do calor da tarde. Os estudos de climatologia zootécnica (pois é, andei estudando isso) indicam que, no Brasil, o período mais quente do dia vai das 14 às 16 horas, quando o solo foi aquecido pelo sol da manhã e do principinho da tarde.

Distribuindo a correspondência pela manhã, o carteiro pode almoçar, tirar uma soneca e fazer a triagem da correspondência na parte da tarde, à sombra, se possível com ar-refrigerado nas cidades mais quentes. 


O mundo é uma bola 
3 de abril de 1043: Eduardo, o Confessor, é coroado rei da Inglaterra na Catedral de Winchester. Reinou até 1066, quando morreu. Em 1045, casou-se com Edite, filha de Godwin, conde de Wessex, casamento que não durou nem gerou filhos, pois de comum acordo se mantiveram castos. A Wikipédia justifica: “… já que Eduardo era extremamente religioso”. Que coisa, hein? O certo é que Edite e Eduardo se tornaram grandes amigos, o que se explica: marido sem pum e sexo deve ser excelente, sobretudo como rei da Inglaterra.

Em 1493, após a viagem em que descobriu a América, Cristóvão Colombo é recebido em Barcelona pelos Reis Católicos. Em 1862, publica-se o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo. Em 1919, circula em Recife, PE, a primeira edição do Jornal do Comércio. Em 1973, Martin Cooper, gerente da Motorola, realiza pela primeira vez uma chamada telefônica através de um celular, praga que tomou conta do planeta em exatos 41 anos. Hoje é o Dia do Atuário.


Ruminanças
“A estatística é a primeira das ciências inexatas” (Edmond e Jules de Goncourt, 1822-1896; 1830-1870).

 

 
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