Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Tiro e queda
Na falta de grande talento, gosto muito de prestar atenção à tolice alheia

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 03/01/2014 04:00

Televisão

Marcel Proust, muito citado nos últimos tempos, disse que “um homem de grande talento prestará menos atenção à tolice alheia do que um tolo”. Na falta de grande talento, gosto muito de prestar atenção à tolice alheia, daí este suelto que vai encantar o leitor de Tiro&Queda.
Pago por uma tevê a cabo que é uma porcaria e me dá uma infinidade de canais religiosos, uma porção de canais de televendas, uma quantidade inimaginável de manhãs sertanejas. Um dos raros canais que assisto me chama de “assinante”, além de viver pedindo “fale com a GloboNews”. Por isso, aproveito a ensancha para constatar que o programa GloboNews em Pauta está piorando a olhos vistos. Seria mudança na produção?
A ideia é boa, mas o programa lá vai afundando. Primeiro, porque deu para incluir profissional que destoa do resto da equipe. Depois, porque as conselheiras de finanças, ótimas jornalistas, se perdem e tomam nosso tempo respondendo às consultas de dois ou três assinantes sobre assuntos que só interessam aos dois ou três.
O jornalista Jorge Pontual, brilhante profissional, precisa de um consultor fashion. É inadmissível que um jornalista de televisão se vista com um terno preto, camisa preta e gravata negra. Que é aquilo? Nem o presidente da AIPD, a Associação Internacional de Papa-Defuntos, teria coragem de vestir-se daquele jeito. E o negócio vai por aí para tristeza dos que gostávamos da ideia do programa.
Já que o assunto é televisão, informo ao caro leitor que aquele comercial imbecilérrimo, de 15 segundos, do desodorante Dove Men Care – em que um consumidor de desodorantes de outras marcas vê seu braço cair logo depois de esguichar o produto em seu sovaco, enquanto uma voz avisa “Desodorantes comuns podem causar danos nada agradáveis…”, foi parar no Ministério Público e na comissão de ética do Conar. Custa a crer que uma agência de imensa multinacional possa produzir comercial tão idiota. Comentei-o com a jovem e bela senhora que fica diante da tevê em minha companhia. Agora, sou informado de que o MP e o Conar estão tomando providências diante das muitas reclamações. Uma senhora queixou-se do comercial abusivo, agressivo, desnecessário e constrangedor para deficientes que o assistem, citando uma parenta que chora, sofre e esconde o rosto quando o anúncio passa na TV.

Alto nível
No delicioso livro As vacas Leiteiras, os portugueses Mário e Fernando Vieira de Sá, pai e filho, agrônomo o primeiro, veterinário o segundo, dizem que “dado o alto grau de baixo nível do nosso povo, cujo índice mais verídico é o analfabetismo, somos francos em considerar a utilidade muito relativa do presente trabalho. Não há portanto meio-termo: ou se encara o analfabeto e a esse não se lhe pode escrever, ou se encara a massa de doutores e para esses o livro é demasiado elementar”.
Felizmente vivemos num país em que é grande a massa de doutores, como os deputados federais Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Sebastião Bala Rocha (Solidariedade-AP), formados em medicina. Bala Rocha, como senador pelo Amapá, foi o tal que fez discurso de meia hora na tribuna do Senado falando mal de mim. No ano de 2004 apareceu na tevê algemado pela Polícia Federal por furto como secretário de Saúde do seu estado. Claro que não foi para a cadeia e se elegeu deputado federal.
Discutindo no plenário da Câmara, quando Bala Rocha acusou o colega de baixar o nível do debate, Chinaglia respondeu: “Só tenho a dizer uma coisa a Vossa Excelência: graças à minha formação, nunca fui algemado na minha vida”. Bala Rocha respondeu: “Eu fui injustiçado, seu p…, seu fDP…, eu fui injustiçado”. E continuou: “Os políticos do PT é que estão sendo algemados e presos na Papuda”.
Os poucos deputados presentes se meteram entre os dois para evitar que trocassem bofetões, enquanto o presidente desligava os microfones. Gente finíssima.

Preconceituosos
Em rigor, o adjetivo preconceituoso pode ser contra ou a favor, porque significa parcial, não isento, e parcial significa “que toma partido a favor ou contra uma pessoa, uma facção, sem que importe a justiça ou a verdade”. Aí é que está: a favor ou contra.
Só o preconceito, o parcial
a favor do safismo explica a presença no rádio, na tevê e num grande jornal paulista de uma senhora que não abre a boca que não seja para dizer asneiras. Nada tenho contra a sua sexualidade, mas as suas opiniões, sobre todos os assuntos, só têm cabimento numa lata de lixo.
O mundo é uma bola
3 de janeiro de 1496: Leonardo da Vinci testa a máquina voadora que construiu e não avoou. Em 1521, Martinho Lutero é excomungado pelo papa Leão X. Em 1534, o parlamento inglês nomeia o rei Henrique VIII chefe da Igreja Anglicana. Em 1558, Mem de Sá toma posse do cargo de governador-geral do estado do Brasil. Em 1889, início da “crise de loucura” que acomete Nietzsche até morrer em 1900. Que se pode esperar de um filólogo, filósofo, crítico cultural, poeta e compositor?

Ruminanças

“Há milhões de imbecis pelo mundo, os outros é que são uma minoria ridícula” (Nelson Rodrigues, 1912-1980).


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