Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

 

TIRO E QUEDA
ET de Varginha
É compreensível que nos tenhamos na mais alta conta e os ministérios brasilienses transbordem de inacreditáveis exemplos de autoestima

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 03/07/2014 04:00

Com a costumeira lucidez, que se reflete no admirável governo que vem realizando, a excelentíssima senhora Dilma Vana Rousseff (nascida no dia 14.12.1947, em Belo Horizonte, MG) discursou no Sul de Minas: “Primeiro, eu queria te dizer que eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que, aqui, quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido”.

Estabelecido o fato de que a brilhante presidente da República Federativa do Brasil tem o maior respeito pelo ET de Varginha, peço licença para contar episódio ocorrido no Rio há cerca de meio século, quando correu a notícia de que um objeto voador não identificado, discoide, também chamado óvni, que hipoteticamente seria uma nave de outro planeta, andaria circulando pelos céus da cidade.

Assim como existe muita gente séria pesquisando o assunto, há bandos de malucos que se intitulam ufologistas e fazem papéis ridículos. Um desses grupos trabalhava em banco oficial e resolveu estabelecer contatos imediatos com os tripulantes do objeto voador discoide.

Nada melhor, decidiram os membros do grupo, do que construir um discoponto no alto da Pedra da Gávea, maciço rochoso relativamente fácil de escalar mesmo por alpinistas amadores. Tinta para pintar o discoponto existe à venda em todas as esquinas. Barracas, alimentação, lanternas potentes e roupas feitas de tecidos de amianto – os malucos providenciaram tudo.

Tecido de amianto porque ninguém sabe da temperatura corporal dos extraterrestres. Assim como os humanos circulam por aí com uma temperatura em torno de 37 graus, os extraterrestres podem circular a 150 graus ou mais, suficientes para queimar os aprendizes de ufologista. Não pensem que invento: conheci dois deles.

Instalados no alto da Pedra da Gávea, pintado no chão o discoponto, montadas as barracas, jantados, os malucos foram dormir deixando um companheiro como vigia em turnos de duas horas. Lá pelo segundo ou terceiro turno, o objeto discoide se aproximou do discoponto. Aos gritos, o vigia acordou seus colegas e se meteu numa barraca para vestir o traje de amianto.

Não deve ser fácil vestir-se de amianto como todos fizeram na excitação do contato imediato de primeiro grau. Um deles fez cocô nas calças incombustíveis costuradas com tecidos de silicato natural hidratado de cálcio e magnésio, crisotilo ou anfibólio, hidratado também pelos xixis que todos fizeram nas respectivas calças. Quando acabam, saíram das barracas para constatar que o objeto discoide já não avoava sobre o discoponto. Talvez tivesse tomado o rumo de Varginha, município mineiro com 396 km2, altitude 980m, fundado em 1882, gentílico varginhense, lema Culto e Ciência. 

Gratidão 

Qualidade daquele que é grato, a gratidão é o mais belo dos sentimentos. Penso que é uma obrigação, mas esbarra em situações nas quais o reconhecimento por um benefício recebido pode e deve ser questionado. Admitamos que um governo nomeie o ilustrado amigo e leitor do Estado de Minas ministro de um tribunal superior. Você merece a indicação referendada pelo Senado, mas o indicado poderia ser o Zé das Couves, que aceitaria o posto: ninguém, mas ninguém mesmo, tem noção das próprias limitações. É compreensível que nos tenhamos na mais alta conta e os ministérios brasilienses transbordem de inacreditáveis exemplos de autoestima.

Mas você, caro e preclaro leitor, tem currículo de sobra para aceitar a indicação de seu nome para o tribunal superior. Algum tempo depois, o titular do governo que o indicou se vê às voltas com uma acusação gravíssima, malfeito digno de impeachment. Mesmo pessoalmente grato ao titular do governo, acho que você tem ou deveria ter compromisso com a sua consciência e com o país em que nasceu. O julgamento do acusado, com um caminhão de provas das bandalheiras que derrubam governos, vai parar nas suas mãos de ilustre ministro do tribunal superior. 

Sai dessa, preclaro amigo. No meu entendimento de philosopho, você tem três caminhos: declara-se impedido por sua gratidão ao governante, ou julga de acordo com a sua consciência, como também pode se demitir do cargo. Se você decide proteger o bandido, autor dos crimes capazes de derrubar governos, lamento dizer que o ladrão, o malfeitor, o bandido passa a ser você, até então brilhante bacharel em direito, temente a Deus, sem tísicos na família. 

O mundo é uma bola


3 de julho de 1722: com destino a Goiás, parte de São Paulo a bandeira chefiada por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera (1672-1740), termo tupi que significa “diabo velho”. Outros estudiosos sugerem que o termo vem da tribo dos inhanguera, de Tocantins, índios que teriam sido escravizados pelo pai do famoso bandeirante. Em 1733, o Anhanguera foi acusado de sonegação de impostos. Morreu pobre e destituído de poder em Vila Boa de Goiás. Em 1928, J. L. Baird faz em Londres a primeira transmissão de tevê em cores. 

Ruminanças 

“Só pagam impostos os que não têm com que pagá-los” (Sofocleto, 1926-2004).

 

 

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