Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Política
Política com pê maiúsculo é coisa séria. Desde sempre, contudo, as opiniões nem sempre foram favoráveis

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 03/05/2014 04:00

Que é política? No Brasil, a resposta é malcriada. Se você perguntar a um brasileiro lúcido, decente, que trabalhe e pague impostos regularmente, ele vai responder que é um bando de ladrões, pessoas que só pensam em roubar e não têm o menor interesse pelo país.

Mas o negócio não era assim. Houve tempo em que a maioria dos políticos pensava no bem e no futuro do Brasil. Havia ladrões, é certo, casos que se tornaram folclóricos como o daquele deputado federal sergipano, novo, solteiro, bem-apessoado, que resolveu se candidatar ao governo de Sergipe ali por volta de 1926, lá se vão quase 100 anos.

Interpelado por Gilberto Amado e um colega, que lhe fizeram ver que no Rio de Janeiro, capital federal, ele poderia ser muito mais útil ao seu estado arranjando verbas, enquanto namorava moças bonitas, circulava em automóvel conversível, morava em ótimo apartamento, no tempo em que Sergipe demorava do Rio seis ou sete dias a bordo de um navio – o deputado escandiu as sílabas para confessar: “Eu quero rou-bar!”.

História sempre contada por Gilberto e seu colega. Um sergipano me contou que foi ao enterro do coestaduano no Rio, década de 70. Não era amigo do defunto, mas se conheciam de vista e tinham nascido no mesmo estado. Pois muito bem: não havia ninguém no velório do ex-deputado. Seu caixão foi transportado pelos coveiros do São João Batista.

Política com pê maiúsculo é coisa séria. Desde sempre, contudo, as opiniões nem sempre foram favoráveis. Voltaire, que morreu em 1788, disse que “a política tem a sua fonte antes na perversidade do que na grandeza do espírito humano”. E disse mais: “Encontrou-se, em boa política, o segredo de mandar matar de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os demais”. Não tem sido isso que vem sendo feito no apoio governamental ao MST, que nunca teve trabalhadores rurais e não sabe o que fazer com a terra doada?

Michelet (1798-1874) era um otimista puro de intenções, a exemplo aqui do philosopho: “Qual é a primeira parte da política? A educação. A segunda? A educação. E a terceira? A educação”. Há um país, que o leitor conhece muito bem, em que a educação, os hospitais, as estradas, os aeroportos, o transporte público, tudo, mas tudo mesmo, foi trocado pela Copa das Copas. 

Napoleão III (1808-1873) pensou bem: “Em política, convém curar os males, nunca vingá-los”. Prudhon (1809-1865) sonhava grande: “A política é a ciência da liberdade”. Bismarck (1815-1898) constatou: “A política não é uma ciência exata, como imaginam muitos dos senhores professores, mas uma arte”. Infelizmente praticada por maus artistas, aduz aqui o degas.

Paul Valéry (1875-1941) matou a charada: “Toda política baseia-se na indiferença dos interessados, sem a qual não há política possível”. Aí é que está: penitencio-me da indiferença que me fez pensar durante muitos e muitos anos: o negócio não é comigo. Mas era, como também é com os leitores bem-intencionados, que trabalham, pagam impostos, respeitam as leis. Não digo que sejamos maioria, porque há milhões de eleitores votando pelo Bolsa-Família, mas poderíamos eleger bancadas expressivas, que mudassem as coisas neste país grande e bobo. As coisas e as leis idiotas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinado sabe o leitor por quem? Se não sabia, fique sabendo: Fernando Collor, Bernardo Cabral, Carlos Chiarelli, Antônio Magri e Margarida Procópio. É mole?

Normal?

A pergunta “o que é normal?” esbarra em alto philosophar, porque a resposta é aparentada com o conceito de ética do senador Lobão Filho (PMDB-MA), ao dizer: “O que ético para você pode não ser para mim”. Muitas coisas que são normais para milhões de brasileiros – baile funk, festa rave, tatuagem, homem de brinco etc. – não me soam bem, para mim não são normais.

Certas coisas, contudo, são absolutamente, rigorosamente, inquestionavelmente anormais, como por exemplo: veículos dos Correios entregando encomendas sob escolta armada. Vi na tevê: para entregar encomendas em certos bairros de São Paulo, o veículo do Sedex é seguido por um outro com dois guardas armados. Nos tais bairros havia média diária de cinco veículos assaltados. Há outras regiões paulistanas em que o destinatário da encomenda é chamado ao posto dos Correios para receber sua encomenda.

O mundo é uma bola

3 de maio de 1494: Cristóvão Colombo descobre a Jamaica, hoje terra de corredores imbatíveis, independente do Reino Unido desde agosto de 1962, monarquia constitucional que ainda tem Elizabeth II, do Reino Unido, na condição de monarca. São 10.991 km2 e cerca de 2.800 mil habitantes, IDH 0,730 (elevado), dólar jamaicano e uma raça de gado leiteiro, a jamaica hope.
Em 1902, primeiro jogo de futebol oficial no Brasil, Mackenzie 2 x 1 Germânia. Em 1908, comemorado em Chicago, EUA, o primeiro Women’s Day reunindo 1.500 mulheres que reivindicavam igualdade econômica e política. Em 1968, início das greves estudantis e laborais em Paris, provocando uma das mais graves crises europeias. Hoje é o Dia do Solo, do Taquígrafo, do Sertanejo e do Pau-Brasil.

Ruminanças 


“O sertão está em toda a parte” (Guimarães Rosa, 1908-1967).

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