Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Azulejos
Calçadas, hoje, só contratando os serviços de uma empresa que as limpe regularmente sem abrir o portão da casa

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 03/09/2014 04:00

Sou do tempo das casas alpendradas, muros baixos e assaltos nenhuns. Não foi há mil anos, mas ainda outro dia. Moramos hoje em bunkers, circulamos em carros blindados e a situação piora dia a dia. Muito me espanta que os residentes nos bairros nobres de BH, do Rio, de São Paulo ainda permitam que os seus empregados limpem as calçadas. É meio caminho andado para o assalto, pouco importando que os muros tenham por cima fios eletrificados. Calçadas, hoje, só contratando os serviços de uma empresa que as limpe regularmente sem abrir o portão da casa. 

Nos anos todos em que morei no Bairro São Bento, em BH, defendi-me dos pichadores com o jardim cercado de grades em vez de muros. Hoje, as grades continuam impedindo a pichação, mas permitem que os assaltantes, da calçada, apontem suas armas para os moradores. Fazer o quê? Nem se pode dizer que a situação está ficando difícil, porque já ficou impossível. E os brasileiros de 16 anos podem votar, mas são inimputáveis quando cometem crimes hediondos.

Volto aos bons tempos para recordar que muitas famílias não se esqueciam de pregar na parede dos alpendres azulejos com os seguintes dizeres: “Lá fora, a chuva, o vento, o frio; aqui, amor, paz, harmonia” – mentirosos, mas simpáticos. Lembrei-me dos azulejos dia desses, tarde chuvosa, cinzenta, um frio desgraçado. Metade da mentira teria aplicação: chuva, vento, frio. No “aqui” é que a porca torceria o rabo. Como falar de amor em casa de abandonado? Soa como corda em casa de enforcado. Paz não se vê no televisor nem na rua e harmonia só do vinho com o queijo. 

Sem Google

Dois dias sem internet. Sai dessa, caro e preclaro leitor. Dir-se-á que o computador funciona, o teclado, o monitor de 40 polegadas, o Windows 7 e os dicionários eletrônicos, mas faltam o Google, a Wikipédia e os e-mails com as notícias dos amigos. Sem Google e Wikipédia fica difícil escrever. Meus primeiros 14 livros e milhares de crônicas foram escritos antes da invenção de um e outra; hoje, não consigo escrever dez linhas. Estou na décima, com 77 palavras, e acabo de embatucar, verbo pouco usado que entrou em nosso idioma no ano de 1816.

De memória, lembro que em 1816 a família real portuguesa ainda estava no Brasil, mas não me recordo se dom João ainda era o príncipe regente ou já se assinava João VI pela morte de sua mãe, a rainha dona Maria I, dita a Louca. No Google, basta um clique para saber o dia e o ano em que dona Maria I esticou as reais canelas. 

Cês querem saber de uma coisa? Vou parando por aqui. Amanhã, se não resolver o problema da internet, não sei o que será de minha vida. Tenho a tevê com uma porção de canais abertos e pagos, mas a minha capacidade de assimilar notícias tem limites. Notícias ruins, então, arrasam o meu dia. Terminei hoje a releitura de um delicioso livro do Eça. Vou ao leito agarrado a outro volume, A Ilustre Casa. É tempo de eleições. Quero reler a campanha de Gonçalo Mendes Ramires para deputado. Fiquei arrasado com o noticiário sobre aquela bonita loura, Vanessa Felippe, a mais jovem deputada federal, eleita em 1994 com 22 aninhos e 64.822 votos, e seu ex-marido Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). Sobrenome raro. Pensei que fosse parente de velho amigo meu, professor da escola de engenharia no Rio, que tinha em seu quarto um acessório que jamais consegui instalar nos meus, pois depende da qualidade da laje do teto.

Antes que o leitor se assuste pensando em acessórios eróticos, devo explicar que se trata de algo indispensável no quarto de cama de todo homem sério: um saco de couro cheio de areia para o sujeito esmurrar quando está com raiva. Resolve 97% dos problemas existenciais e deve ser item obrigatório nos casamentos para permitir que maridos e mulheres descarreguem suas raivas. As lajes inventadas pela moderna engenharia brasileira mal suportam as teias de aranha. Basta dizer que o belo prédio do fórum de Atibaia, construído há 10 anos no próspero município paulista, está caindo. 

O mundo é uma bola

3 de setembro de 1189: coroação de Ricardo I da Inglaterra. Nascido em Oxford, dia 8 de setembro de 1157, morreu na francesa Châlus dia 6 de abril de 1199. Foi duque da Normandia, Aquitânia e Gasconha, senhor de Chipre, conde de Anjou, Maine e Nantes e suserano da Bretanha em vários momentos no mesmo período. Era o terceiro filho de Henrique II, rei da Inglaterra, e da rainha Leonor da Aquitânia. O caro e preclaro leitor do grande jornal dos mineiros deve ter ouvido falar de um grande guerreiro e líder militar chamado Ricardo Coração de Leão. Pois fique sabendo que se tratava do menino nascido em Oxford dia 8 de setembro de 1157. Em 1979 nasceu Júlio César, quíper do timeco do Felipão, que conseguiu levar 17 gols na Copa das Copas sem ter culpa em nenhum deles. Hoje é o Dia do Biólogo e o Dia Nacional do Guarda Civil.

Ruminanças 

“Deus é brasileiro, mas está residindo na Austrália” (R. Manso Neto).

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