Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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4 a 10  de maio de 2015

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Direção – Cá entre nós, que ninguém nos oiça: um Lamborghini de quase três milhões de reais nas ruas do Rio, ou nas estradas brasileiras, é mais que ostentação, é burrice. Com todo o respeito, o Grupo X começou a desmoronar com a compra do veículo desportivo de luxo e de alto desempenho, fabricado pela Automobili Lamborghini S.p.A. no município Modena de Snt’Agata Bolognese. Fundada em maio de 1963 por Ferruccio Lamborghini, a empresa é presidida por Stephan Winkelmann e os interessados podem entrar em contato com a fábrica através do atendimento ao cliente: +39 051 959 7282.

Peço ao leitor que não veja despeito, inveja ou coisa parecida no parágrafo anterior, mas a simples constatação de que um Lamborghini, no Brasil atual, é burrice. Nos mais de 50 anos em que dirigi automóveis sempre tive o pé direito meio pesado: só respeitava os meus limites e os limites das estradas. Não recomendo, mas era o meu jeito de conduzir os veículos. Peguei muitos anos de estradas bem pavimentadas, radares nenhuns, fiscalização nenhuma.

Certa feita, num 31 de dezembro, voltando de Londrina para Juiz de Fora, Opala 6 cornetas, tanque de 120 litros, amortecedores especiais, fui parado numa estrada paulista: 150 km/h. O patrulheiro comentou: “O Opala está redondão”. Quando viu a placa juiz-forana, explicou: “Pode ficar tranquilo, que esta multa não vai chegar nunca”. Despedimo-nos com votos sinceros de feliz ano-novo e cheguei a casa antes do réveillon.

Vira-e-mexe os apresentadores das tevês informam que 60% dos acidentes em nossas estradas têm sido provocados por excesso de velocidade, mas omitem duas verdades: as estradas acabaram de acabar e o número de barbeiros dos vários sexos conhecidos, gente que tem CNH e não sabe dirigir, passa dos 90%. 


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Críticas – Não há nada, rigorosamente nada que Barack Hussein Obama faça e não seja criticado. Fumante foi criticado. Parou de fumar, inventou goma de mascar para esquecer o cigarro, foi criticado pelo chiclete mascado no funeral do rei saudita. Caiu na besteira de se deixar filmar fazendo uma selfie e quase foi escalpelado. Vale notar que era uma selfie “do bem” recomendando aos cidadãos que se inscrevessem no plano de saúde do governo. É claro, como também é lógico e evidente, que 95% dessas críticas embutem o preconceito racial muito comum nos EUA e noutros países das Américas. Numa excursão aos EUA ainda conheci os ônibus em que os brancos viajavam na frente e os negros nos assentos dos fundos. Havia plaquetas Colored only, que podiam ser deslocadas sobre os encostos dos bancos conforme houvesse mais pretos ou mais brancos no veículo. Uma de nossas colegas de excursão, mulata, não era atendida pelas garçonetes do sul dos EUA, o que obrigava os brancos a encomendar aquilo que a moça queria comer e beber.

Quando fomos visitar famosa universidade colored sulista, o diretor, crioulo elegantíssimo e famoso, se emocionou, quase chorou ao discursar elogiando a inexistência de preconceito racial entre os brasileiros. Isto porque a turma da excursão fraternizou cinicamente com os universitários coloreds aos beijos e abraços, fraternidade que não existia no Brasil daquele tempo. No dicionário do Dr. Bill Gates, colored hoje é offensive term.

Já que o assunto mistura as selfies com os Estados Unidos, não é demais lembrar que ainda outro dia, na Pensilvânia, o jovem Maxwell Marion Morton, mulato de 16 anos, matou a tiros o colega Ryan Mangan, 16, residente na mesma casa, e fez uma selfie ao lado do defunto. Claro que postou a foto nas redes sociais. Preso, vai encarar pena de morte ou prisão perpétua, dependendo das leis da Pensilvânia. Num país grande e bobo o assassino seria apreendido, passaria alguns meses entre jovens igualmente futurosos e logo voltaria ao seio da sociedade.


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Interação – O Google tem 483 mil entradas para “Vamos e convenhamos”, que esgotam o tema deste meu philosophar, motivo pelo qual peço licença para ir direto ao assunto: interação. É influência mútua de órgãos ou organismos inter-relacionados, como a do coração e dos pulmões. É comunicação entre pessoas que convivem, diálogo, trato, contato. As rubricas estatística e física tem acepções que não nos interessam, enquanto na rubrica sociologia é o conjunto das ações e relações entre os membros de um grupo ou entre grupos de uma comunidade. Acontece que desejo analisar outra interação: a dos comentaristas de futebol com os telespectadores do canal, mania que me parece das mais idiotas.

Se o sujeito chega a comentarista de futebol e vive disso é porque tem conhecimentos, aptidão e o respeito dos seus pares. Interessa ao etelespectador ouvir as opiniões dos comentaristas e não o que dizem os idiotas que interagem com eles. Como também não interessam ao telespectador as opiniões dos idiotas entrevistados nas ruas. Se o sujeito testemunhou um fato, uma trombada, um tiro, tudo bem. Mas perguntar por perguntar, para encher linguiça na matéria, ofende o telespectador.

A humanidade adora aparecer e opinar na tevê, sem que as opiniões interessem ao sujeito que comprou um televisor e paga pelos canais a cabo. A ESPN, que transmite partidas do bom futebol alemão e espanhol, tem a mania de interagir com o distinto público e inclui, nas mesas de debates, frases de assinantes que interagem com os comentaristas profissionais. No meu entendimento philosophico é uma burrice.

E agora lhes conto do meu interesse pelo “venhamos e convenhamos”, marca registrada de um idiota que circulava no Rio de antigamente. Só dizia idiotices. Sendo embora convinhável concordar com os idiotas para evitar discussões e perda de tempo, com o tal cavalheiro era meio difícil. 


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Festejo – Quinta-feira, dia útil, 11 horas da manhã. No bairro vizinho aqui do tugúrio philosophico, um grupo de jovens correndo e atirando pelas ruas. Atirando a esmo, armas e munição de verdade. O motorista do ônibus entrou numa rua que não faz parte do seu trajeto e se desculpou com os passageiros, que entenderam o desvio de rota. Nem se diga que os jovens festejavam o jogo do Tupi, que só se realizaria dois dias depois num estádio distante daquela rua. Festejariam o quê? Empréstimo do Fies para fazer faculdade particular? A volta ao seio da bandidagem de um deles, apreendido horas antes? O fato é que corriam e atiravam. Munição de verdade.  


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Comendas – “Procura o Silva, no segundo andar da Casa da Borracha, e diz que é meu amigo” foi a orientação que recebi, na flor dos meus 18 aninhos, de um deputado federal baiano diretor de um banco oficial no Rio.

Sabe o leitor para quê? Para comprar um consolador, pênis artificial que hoje se vende hoje em qualquer esquina e pela internet, não raras vezes motorizado, que deve ser um assombro dos mais assombrosos.

O deputado andava com o seu numa “valise de médico”, comum naquele tempo para transportar estetoscópio, termômetro, medidor de pressão arterial e medicamentos de urgência.

Visitando-o no banco, presenciei a entrada em seu gabinete de uma vedete muito famosa, falecida recentemente, que foi chegando e dizendo: “Parabéns! Tenho trinta anos de cama e está ardendo até agora”.

Explicação: o deputado se relacionara com a vedete na véspera, tendo a cautela antecipada de botar Vick Vaporub morno no escroto do pênis vendido pelo Silva. Não minto: assisti à cena. Esclareço que o parlamentar era de uma geração anterior à minha e até hoje não conheço o Silva.

O assunto vem à balha porque o baiano tinha mania de comendas e vivia repetindo: “Dizem que é fácil, mas vai comprar…”. No recente 21 de abril assistimos à deprimente distribuição de colares e medalhas em Ouro Preto, MG, com o invariável amedalhar de canalhas da pior espécie. Ficaram faltando o Marcola e o Fernandinho Beira-Mar para a cerimônia atingir a perfeição. Aposto que o neto do finado João Vaccari tem várias condecorações. Em Ouro Preto melhor fariam se, em vez de colares e grandes colares, distribuíssem falos artificiais abastecidos com Vick Vaporub morno, que têm a virtude de arder durante 24 horas.


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Poleiro – Tem aquela história do jabuti que aparece num galho de árvore. Se lá está foi porque alguém o botou. Os bocós usam o verbo colocar, que entrou em nosso idioma no século XV, mas nos momentos mais altos da nacionalidade e da cidadania está para nascer a mulher séria que diga “coloca!” para o seu parceiro: a ordem é “bota!”.

Poleiro é poder e jabuti é cágado. Portanto, quando o cágado aparece no poder foi porque alguém o botou. E o cágado só faz besteiras, afunda o país, consegue a proeza de fazer o pior governo da história, sem falar da roubalheira sem cômpar no mundo civilizado. Pausa para dizer que cômpar, adjetivo de dois gêneros, é puro latim e pega bem à beça e à bessa.

Isto posto, considerando que o cágado adora o feminino e o tratamento presidenta, respeitemos o seu gosto concordando em que o seu desgoverno é uma cagada. Pobre país.


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FONTE: Jornal da ImprenÇa.
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