Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

06 a 12 de julho de 2015

Dólares – O BB vendendo dólares falsos em Pernambuco e complicando a vida de um pobre coitado, que foi visitar a filha estudante nos Estados Unidos, só faz confirmar minha tese: vosso país é uma extensão do Paraguai falando português. Em área, uma extensão oito vezes maior; em população, 29 vezes maior, mas uma extensão, um paraguaião.

Não por acaso, um dos últimos presidentes do BB teria sido indicado pela senhora Rosemary Nóvoa de Noronha, a Rose do Lula.

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Respeito – Dilma Vana Rousseff é uma senhora de 67 anos e, como tal, merece o respeito de todos. Não tem culpa de sua incompetência e não tem noção de sua ignorância. Sua notória falta de educação talvez se deva à reação natural dos que se descobrem incompetentes para o exercício dos cargos a que foram guindados. É o coice substituindo a competência. Ainda aí, com o devido respeito, coice não é pancada própria dos quadrúpedes, mas agressão moral ou tratamento agressivo.

Falta piedade humana aos que a criticam quando faz o elogio da mandioca: atos falhos, na rubrica psicologia, representam o aparecimento, na linguagem falada ou escrita, de termos inapropriados que supostamente remetem para conteúdos ou desejos recalcados referentes ao objeto, à pessoa ou ao fato em questão. Nada mais natural que a mulher, mesmo idosa, tenha desejos recalcados com a mandioca em posição de sentido, postura tensa em que o militar se mantém perfilado, com os calcanhares unidos, cabeça imóvel apontando para a frente, e palmas das mãos apoiadas nas laterais das coxas. Alfim e ao cabo, entre as laterais das coxas, ficam a esquecida e a sonhada mandioca.


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Novelas – Acomodado, antiliberal, antiquado, atrasado, bolorento, caduco, caturra, conservador, embolorado, mofado, passado, quadrado, reacionário, sebastianista, tradicionalista e ultrapassado são alguns dos sinônimos listados pelo Houaiss eletrônico para definir aqueles, como o autor destas bem traçadas, que nos assustamos com as programações das tevês, com ênfase para as novelas. Alegam que as aberrações mostradas sempre existiram, mas se esquecem de dizer que a televisão tem pouquíssimos anos. Só agora se fala no Brasil em tevê digital. A primeira das nossas tevês data de 1950 enquanto as aberrações têm milhares ou milhões de anos.

Consta que nos separamos dos grandes antropóides há seis ou sete milhões de anos e que a espécie Homo sapiens tem cerca de 200 mil anos, sendo coeva da espécie “mulher sapiens” inventada pela imbecil que vocês elegeram.

Volto às coisas que sempre existiram e devem ter sido “inventadas” junto com o nascimento de nossa espécie. Zooerastia, isto é, sexo de humanos com animais, sempre existiu. É justificativa para ser exibida na tevê? Homossexualismo também é contemporâneo do nascimento de nossa espécie e muito comum entre as fêmeas chimpanzés, que se esfregam e chegam aos múltiplos orgasmos. Bota na tevê?

Chimpanzés são promíscuos: transam dia e noite. Contudo, 40% dos nascidos num grupo de chimpanzés, como atestam os exames de DNA, são de filhos machos de outros grupos, evitando que a consanguinidade fechada acabe com o grupo. Se um macho do outro grupo procurar a fêmea fértil no grupo dela será morto pelos machos. Portanto, é ela que foge do seu grupo para procurar um macho do outro grupo, quando sente que é chegada a hora de produzir filhotes. Ela não estudou genética, consanguinidade e outras complicações: o negócio é instintivo, evita os males da consanguinidade fechada e está num livro que li há muitos anos. Autora: Jane Goodall, primatóloga, etóloga e antropóloga britânica, que estudou a vida social e familiar dos chimpanzés da Tanzânia ao longo de 40 anos.

Os acomodados, antiliberais, antiquados, atrasados, bolorentos, caducos, caturras, conservadores, embolorados, mofados, passados, quadrados, reacionários, sebastianistas, tradicionalistas, ultrapassados só perguntamos se é preciso fazer a louvação da zooerastia e de outras “opções” sexuais nas tevês.


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Cabelos – Diosdado Cabello Rondon, militar, engenheiro, político e poderoso traficante venezuelano, ex-governador do estado de Miranda, atual presidente da Assembleia Nacional, foi festivamente recebido em Brasília há cerca de dois meses: gambá cheira gambá.

Cabello em espanhol é “cada uno de los pelos que nacen en la cabeza” e “conjunto de todos ellos”, o que me permite philosophar sobre los pelos que nacen en las cabezas de nuestros políticos.

Diverte-me sobremaneira observar na tevê os arranjos feitos por eles. O ministro Eduardo Braga tem uma proa de fios negros ocultando careca que fica à frente de bela cabeleira negra. Substituiu no Ministério de Minas e Energia a admirável cabeleira do senador Édison Lobão, ora alaranjada, ora negra como as asas da graúna.

Aloysio Mercadante Oliva conserva há mais de 15 anos, no alto da moleira, exatos 18 fios que têm a resistência dos cabos do bondinho do Pão de Açúcar. Nosso belo Alexandre Antônio Trombini, do Banco Central, tem no alto da testa um tufo de pelos que resiste aos juros estratosféricos e ao aumento da inflação. Já o ministro Carlos Eduardo Gabas, da Previdência Social, quando não está de capacete e moto curtindo as avenidas de Brasília, dá um jeito de pentear para a frente os parcos pelos que disfarçam o tamanho de sua testa.

José Renan Vasconcelos Calheiros recorreu ao cirurgião pernambucano para plantar milhares de pelos no seu quengo, mas a maldosa mídia, sempre que o fotografa de cima e por trás, revela uma das carecas mais reluzentes de quantas existem neste planeta.


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Fura-bolos – Devo ter sido precursor no uso do fura-bolos para tentar confirmar a autenticidade de um quadro, bobagem minha porque as cópias das telas famosas também contam com o relevo das tintas.

Hoje, tevê e internet nos mostram crianças muito pequenas passando os dedinhos indicadores sobre as fotos das revistas como se estivessem com um smartphone ou um tablet. Os fura-bolos são usados naqueles aparelhos, que também inventaram a digitação com os polegares de ambas as mãos: é impressionante a velocidade dos jovens digitando em mau português com os respectivos mata-piolhos.

Certa feita, lá se vão muitos anos, levado por um economista amigo, que supervisionava os negócios de poderosa senhora paulista, fui à ceia natalina em casa da milionária. Magro, dourado de sol, ainda louro, engravatado num jaquetão cinza de flanela inglesa, devo ter impressionado a anfitriã. O economista, vendo o entusiasmo recíproco, advertiu-me: “Cai fora. Ela bebe muito”. Efetivamente, a poderosa não se limitava a beber: comia com açúcar.

Sua casa ocupava um quarteirão inteiro no melhor bairro de São Paulo. A área construída cercava imenso pátio interno. Champanhe e uísque a rodo. Cascatas de camarões graúdos. Os três irmãos Diniz com as respectivas, no tempo em que ainda se davam e dirigiam o Grupo Pão de Açúcar, antes da brigalhada que os transformou em inimigos figadais.

A maravilhosa Eleonora Mendes Caldeira, então casada com o Cito, pai de Maria Christina Mendes Caldeira, que proporcionou ao Brasil o delicioso espetáculo de seu divórcio do político Valdemar da Costa Neto, ex-presidente do PL (hoje PR), condenado a sete anos de cadeia no processo do Mensalão, cumprindo pena em casa desde novembro de 2014. Eleonora é hoje a senhora Ivo Rosset e ainda impressiona. Há 30 anos era um fenômeno e lá estava no salão natalino bebendo seu champanhe.

Curioso (mal-educado?), inspecionei boa parte da casa e fui ter a um salão, que não estava sendo usado, onde havia um quadro de Jacopo Robusti (Veneza, 1518-1594), apelidado Il Furioso por sua energia ao pintar. Passei o fura-bolos na tela depois de conferir a plaquinha Tintoretto na moldura. Senti o relevo da tinta, mas podia ser cópia.

De outra feita, num apartamento da Barra, sol do meio-dia, trombei num famoso quadro de van Gogh. O dono da casa, italiano bilionário, tinha bala para Vincent Willem van Gogh e outros do mesmo naipe. Passei o indicador e perguntei ao anfitrião: “É dele?”. Fluente em português, o italiano explicou: “Cópia. Não posso ter no Brasil por causa do seguro”.


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Sanguessugas – Minha geração conheceu uma porção de jovens apaixonadas por Napoleão Bonaparte. Tinham livros, quadros, estátuas do corso, admiração que não existe hoje em dia. Pelos festejos dos 200 anos da Batalha de Waterloo, ainda agora em junho, muito se falou de Napoleão e da camisa vermelha que usaria por baixo do uniforme para que, ferido numa batalha, os seus soldados não vissem e continuassem lutando com o mesmo entusiasmo.

Na dependência do tamanho da camisa, a cor talvez tivesse outra explicação. No programa Manhattan Connection fiquei sabendo que Napoleão sofria de hemorroidas e tinha método curioso de lidar com as veias varicosas do ânus e da parte inferior do reto: recorria às sanguessugas, designação comum aos anelídeos da classe dos hirudíneos, marinhos, terrestres ou de água doce, geralmente sugadores de sangue de vertebrados; com corpo achatado, dividido externamente em anéis, sem cerdas ou parapódios e dotado de uma ventosa anterior e outra posterior, usada para fixação. Algumas espécies de água doce, como a Hirudo medicinalis, foram muito usadas no passado como forma de tratamento médico, para promover sangrias.

Napoleão recorria às sanguessugas e recomendava o tratamento aos amigos. Dá para imaginar a decepção das bonapartistas de minha geração se informadas sobre o seu ídolo com o rabo cheio de anelídeos da classe dos hirudíneos.


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Capivaras – Os números são de 2014, mas devem continuar parecidos. Ano passado vosso país tinha 5.570 municípios, dos quais 853 em Minas e 15 em Roraima, e cerca de 57.000 vereadores. Um dos municípios, o de Altamira, no Pará, tem área quase duas vezes maior que a de Portugal.

O assunto vem à balha, que continua sendo mais chique do que vir à baila, agora que ilustre vereador juiz-forano foi surpreendido numa lancha transportando os cadáveres de um jacu e de três capivaras. A OAB e os defensores dos animais querem tirar o couro do admirado homem público, não pelo jacu, ave galiforme da família dos cracídeos, gênero Penelope, arborícola, que se alimenta de frutas, folhas e brotos, mas pelas capivaras, tanto assim que o edil já foi cognominado vereador das capivaras.

A cidade-polo da Zona da Mata mineira tem velha afinidade com o maior dos roedores através do Tônico Capivarol, inventado em Juiz de Fora pelo farmacêutico Barbosa Leite, um composto de catuaba, guaraná e óleo de capivara.

Curava tudo, como atestava o Almanaque Capivarol de 1933. Morria gente, é certo, sobretudo e principalmente entre os que não recorriam ao elixir de extrato de óleo de capivara iodo-fosfatado, conforme recomendação do fabricante: “Ótimo medicamento para tuberculose em 1º grau e todas as moléstias ocasionadas pelo depauperamento orgânico, escrófulas, raquitismo, reumatismo e sífilis, anemia, debilidade, moléstias nervosas etc.” Parece que o remédio ainda é fabricado no Rio pela Farmabraz Beta Atalaia.

As três capivaras defuntas, que navegavam na Represa João Penido em companhia do edil, em vez de comover a OAB e as sociedades protetoras de animais deveriam assustar toda a região pelo risco de transmitir a febre maculosa brasileira através do carrapato-estrela, Amblyomma cajennese, infectado pela bactéria Rickettsia rickttsii, carrapato encontrado em animais de grande porte, como bois e cavalos, cães, aves domésticas e, especialmente, na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

São Paulo, Minas, Rio, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco lideram no Brasil os casos de febre maculosa. Não existe vacina. Na maioria dos casos os primeiros sintomas aparecem sete dias depois da picada do carrapato-estrela. A doença começa abruptamente com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, inapetência, desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e se tornam salientes, constituindo as maculopápulas. A erupção cutânea é generalizada e também se manifesta nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. O diagnóstico precoce é importante para dar início ao tratamento porque – prestem atenção os defensores das capivaras – A TAXA DE LETALIDADE DA DOENÇA É ELEVADA.

Claro que estou resumindo a lição do Dr. Drauzio Varella, que copiei via Google. A infestação de carrapatos-estrela era muito grande nos jardins da fazenda de Candinha e Joaquim Guilherme da Silveira, queridos amigos nossos. A meu pedido, a Cooper-Welcome enviou seu melhor especialista em carrapatos para solucionar o problema, um veterinário português nascido em Angola, que apareceu com a mulher e dois filhos para passar o final de semana. Solucionou o problema e nos ensinou que o cavalheiro ou a dama, ao retirar um carrapato agarrado a sua pele, não deve puxar, deve torcer o ácaro. O ectoparasita hematófago é fascinante: basta dizer que a fêmea nasce virgem e o macho não tem pênis, mas tem nariz. E o negócio vai por aí, mas estou cuidando da febre maculosa, que tem cura desde que o tratamento com antibióticos (tetraciclina e cloranfenicol) seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. O ideal, diz Drauzio Varella, é manter a medicação por dez a quatorze dias, mas logo nas primeiras doses o quadro começa e regredir e evolui para a cura total.

O atraso no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento, pode provocar complicações graves como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões, das lesões vasculares e levar a óbito. Portanto, evite o contato com os carrapatos. Se você estiver numa área em que eles podem existir graças à imbecilidade dos defensores das capivaras, Drauzio recomenda as seguintes precauções impraticáveis por pessoas normais: examine seu corpo cuidadosamente a cada três horas, porque o carrapato-estrela só transmite a bactéria responsável pela febre maculosa depois de pelo menos quatro horas grudado na pele.

Use roupas claras porque permitem ver melhor os carrapatos. Ponha a barra das calças dentro das meias e calce botas de cano mais alto. Retire, torcendo, o carrapato grudado em sua pele. Não se esqueça de que os primeiros sintomas da febre maculosa são semelhantes aos de outras infecções e requerem assistência médica imediata, de boa qualidade, diz aqui o philosopho, que aproveita esta oportunosa ensancha para philosophar: meia dúzia de caçadores, com seus barcos e cachorros, solucionam o problema das capivaras numa só noite.

Conheço o posto de gasolina onde os caçadores se reúnem: já me prestaram serviço semelhante, quando capivaras resolveram roer os troncos das seringueiras que plantei na região.

FONTE: Jornal da ImprenÇa.
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