Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Televisivas
Toda mulher séria deve sonhar com um marido robô, que não ronque, não emita ventosidades com estrépito e trabalhe 24 horas por dia para sustentar o lar realmente feliz

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 06/08/2014 04:00

Sou homem: não julgo alheio a mim nada do que é humano, disse Publius Terentius Afer na comédia Heautontimoroumenos, mas escreveu pelo menos outras cinco: Andria, Hecyra, Eunuchus, Phormio e Adelphoe. Como não nasceu em Contagem, MG, mas em Cartago, na Tunísia, e foi dramaturgo e poeta romano morrendo em 159 a.C., escreveu em latim: Homo sum: humani nihil a me alienum puto. Machado de Assis, carioca educadíssimo, nada menos que quatro vezes cita esse texto latino, mas temendo escandalizar os ignorantes com a grafia de uma palavras suscetível de ser mal interpretada, terminava: “…a me alienum, etc.”. Presumo que hoje, liderando a equipe que simplifica Machado sob os auspícios do Ministério da Cultura, a professora Patrícia Cresppo tenha adotado “…a me alienum gay”.

Isto posto, devo dizer que não julgo alheios a mim os anúncios de relógios publicados nas revistas semanais. Philosopho pontual, vivo consultando meu Festina comprado há dois anos por R$ 250. É discreto, bonito e funciona com a exatidão de um Patek Philippe moderno. Sim, porque o Patek antigo atrasava dois minutos por semana.

Meu Festina é a glória!, mas um tiquinho de consumismo, que não me prejudique as finanças, faz parte. Tanto assim que venho trazendo d’olho um Tommy Hilfiger anunciado por R$ 350 em 10 prestações de R$ 35. De aço inox, rivaliza em boniteza com o Festina. Compro de presente pelo meu aniversário. 

Robótica

Ciência e técnica da concepção, construção e utilização de robôs, a robótica está revolucionando o planeta. O criador da palavra robô foi Karel Capek (1890-1938), escritor tcheco, autor de uma peça teatral intitulada R.U.R., iniciais de Rossum’s Universal Robots, contando a história de um cientista chamado Rossum criador de uma substância para construção de humanóides (robôs) obedientes para realizar todos os trabalhos físicos. A palavra Robot foi inspirada em robota, que em tcheco e noutras línguas eslavas pode significar trabalho compulsório ou escravo.

Peço ao caro e preclaro leitor que não conte isso aos senhores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego. Se informados, os fiscais sairão prendendo empresários que utilizam robôs trabalhando em condições análogas às da escravidão. Por falar neles, é tempo de adotar digitais naquela que chamam de condições análogas. Se possível, em full HD. Aí mesmo é que o trabalho escravo vai ficar chique.

O certo é que a robótica lá vai tomando conta do espaço laboral, reduzindo custos, aumentando a produtividade, evitando os problemas trabalhistas que infernizam as empresas. Toda mulher séria deve sonhar com um marido robô, que não ronque, não emita ventosidades com estrépito e trabalhe 24 horas por dia para sustentar o lar realmente feliz. 

Mecanismos comandados por controles automáticos são muito complexos para o entendimento de um ex-produtor de leite. Por isso, peço licença para falar de outro engenho em que o brasileiro é mestre desde o tempo do padre Vieira (1608-1697), a roubótica, ciência e técnica da concepção, execução e utilização da roubalheira. 

No Sermão do Bom Ladrão, referindo-se a uma lição de São Basílio, o padre Antônio Vieira, gênio lisboeta criado na Bahia, constatou: “Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, e espreitam os que se vão banhar, para lhes colher as roupas; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo; ou outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam”. 

Se o leitor mudar, no sermão de Vieira, “os reis encomendam” para “os povos elegem”, terá o retrato do país que inventou, aperfeiçoou e não dispensa a roubótica. Tenho dito e philosophado. 

O mundo é uma bola 

6 de agosto: faltam 147 dias para acabar o ano e dois para uma das datas mais importantes da história. Em 1661, assinatura da Paz de Haia entre Portugal e a Holanda. Em 1813, após vencer a Batalha de Taguanes, Simón Bolivar entra em Caracas e recebe o título de Libertador. Em 1825, independência da Bolívia. Em 1890, William Kemmler foi executado numa cadeira elétrica, inaugurando esse método de execução. Kemmler matou a machadadas sua companheira Tillie Ziegler no dia 29 de março de 1889. Às 7 da matina do dia 6 de agosto de 1890, na prisão Auburn, estado de New York, depois de 17 segundos com um choque de mais de 1.000 volts voltou a respirar, tomou novo choque durante dois minutos e passou desta para a pior. Matasse Tillie Ziegler no Brasil, seria solto depois de uns seis anos de cadeia, quatro dos quais trabalhando como gerente de um restaurante ou na biblioteca de um escritório de advocacia.

Em 1966, inauguração da Ponte Salazar sobre o Rio Tejo, em Lisboa, atual Ponte 25 de abril. Hoje é feriado num monte de cidades brasileiras, por ordem e conta do Bom Jesus.

Ruminanças

“… As cousas árduas e lustrosas, / Se alcançam com trabalho e com fadiga”. (Camões, 1524-1580)

 

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