Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Notas carroceiras
Zélia Maria Cardoso de Mello foi um desses fenômenos só anotados em países grandes e bobos

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 06/03/2014 04:00

São mais de 150 profissionais, R$ 50 é o valor médio do carreto e muitos dizem faturar até R$ 2 mil por mês. Juiz de Fora, cidade-polo da Zona da Mata de Minas, vem cogitando acabar com os seus carroceiros, justo no momento em que o seu trânsito de veículos automotores ultrapassa o limite do número de automóveis, ônibus e caminhões suportado pelas ruas centrais.

Nas horas do rush, que duram o dia inteiro, os automotores andam mais devagar do que as carroças – e o plano é acabar com elas. Nova York e outras cidades maiores que JF têm carruagens tiradas por um ou dois cavalos. Não há brasileiro que não se faça fotografar em NY passeando numa carruagem, como fez a então ministra Zélia Cardoso de Mello, mãe de dois filhos de Chico Anysio num casamento dos mais esquisitos de quantos foram realizados nos últimos 200 anos.

Zélia Maria Cardoso de Mello (São Paulo, setembro de 1953) foi um desses fenômenos só anotados em países grandes e bobos. Estudante de economia, deixou o curso para ser fotógrafa. Depois, formou-se e passou a lecionar economia, dando razão à norma nhambiquara de que os que sabem, fazem, e os que não sabem, ensinam.

Viveu com o ministro Bernardo Cabral um caso de amor dos mais ridículos da história da espécie H. sapiens, envolvendo troca de bilhetinhos de uma infantilidade mais que imbecil. Quis ser cantora e acabou envolvendo Nelsinho Motta na história de um jantar à luz de velas, episódio de matar de rir ou de chorar. E achou tempo de complicar a biografia do grande mineiro Fernando Sabino, pelo “crime” de escrever o livro Zélia, uma paixão, que pouca gente leu e pouquíssima gente entendeu. Antes de ser encomiástico, é livro humilhante ao dar notícia detalhada de quem foi, realmente, a ministra inventada pelo presidente Fernando Affonso Collor de Mello.

E as carroças de Juiz de Fora com isso? Não sei nem me interessa apurar, mas tenho pena dos carroceiros ameaçados de perder seus rendimentos mensais.

Cremosa vigarice
Faz tempo que venho escrevendo sobre o assunto, mas é duro concorrer com a publicidade cavalar das multinacionais. Ainda agora, tivemos páginas e mais páginas coloridas nas revistas semanais de informação. A edição do Globo no último dia 23 de fevereiro trazia sobrecapa colorida com as “virtudes” de uma marca de margarina, quando é sabido que margarinas não podem entrar em cozinhas decentes. Se entram, é porque as operadoras de forno e fogão são influenciadas pela propaganda. Aqui em casa houve advertência verbal seguida, em caso de reincidência, de demissão por justa causa. Istvan Wessel tem dito em suas receitas radiofônicas: “Margarina não é coisa que se use numa cozinha”.

Vamos aos fatos, que esta é uma coluna séria escrita por um sujeito seriíssimo. O recente tsunami publicitário coincidiu com um fato constatado nos Estados Unidos: em 2012, o consumo de manteiga foi o maior dos últimos 44 anos, enquanto as vendas de margarina foram as menores dos últimos 70 anos. Na Alemanha, a manteiga supera a margarina nas vendas e no Brasil, mesmo sendo um país grande e bobo, as vendas de margarinas caíram 2,9% em 2012.

Daí o auê industrial dos margarineiros, que têm agências de publicidade e muito dinheiro para gastar, enquanto os produtores de leite – 100 litros aqui, 400 litros acolá – vivem na tábua da beirada. Liz Vieira, nutricionista do Instituto do Coração da USP, diz que a manteiga passou a ser vista como produto mais natural e de qualidade superior à da margarina, enquanto na tevê Nigella Lawson e Jamie Olivier incentivam o uso da manteiga para dar mais sabor aos alimentos. Foi o que li na revista Época de 24 de fevereiro e assino de cruz, maldizendo o imperador Napoleão III, que, em 1869, pediu à indústria francesa que procurasse encontrar um produto para substituir a manteiga, empulhação que existe até hoje.

O mundo é uma bola
6 de março de 1353: o cantão de Berna adere à Confederação Helvética. Idiomas alemão e francês. Fica no centro da Suíça e não chegava ao milhão de habitantes no censo de 2006.

Em 1480, na ratificação do Tratado das Alcáçovas-Toledo pelos Reis Católicos, a Espanha recebe as Ilhas Canárias e Portugal assegura a posse de terras na África Ocidental.

Em 1521, Fernão de Magalhães descobre a Ilha de Guam habitada pelos chamorros havia cerca de 3.500 anos. Serviu de cenário para batalhas durante a Segunda Guerra Mundial e hoje deve ter 175 mil habitantes. Idiomas oficiais: inglês e espanhol-austronésio (chamorro). Gentílico: guamês, guamesa. Território norte-americano na Micronésia. Presidente Barack H. Obama.

Em 1853, estreia em Veneza a ópera La Traviata, de Verdi. Gosto muito. Em 1831, também no dia 6 de março, havia estreado em Milão a ópera La Sonnambula, de Belini, que conheço pouco.

Em 1855, Manoel da Mota Coqueiro entrou para a história como último condenado à morte que teve a pena executada no Brasil. De lá para cá mata-se muito por qualquer motivo e até sem motivo algum. Os homicídios orçam hoje pelos 50 mil anuais.

Ruminanças
“Nunca é segura a sociedade com os poderosos” (Fedro 15 a.C.-50 d.C.).

 

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