Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Sono
Devolver o silêncio noturno ao belo-horizontino, que trabalha e paga impostos, seria a coisa mais fácil do mundo

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 07/06/2014 04:00




O prefeito Marcio Araújo de Lacerda só não devolve o sono à população de Belo Horizonte porque não quer. Leis há e sempre houve, mas falta vontade política e sobra o desejo de agradar a todos os donos de estabelecimentos barulhentos, sem falar do bando de idiotas de carros equipados com sons capazes de furar tímpanos, vulgarmente chamados tunados. Não por acaso, tunador é aquele que anda à tuna, vadio, tunante, vagabundo, trapaceiro.

Devolver o silêncio noturno ao belo-horizontino, que trabalha e paga impostos, seria a coisa mais fácil do mundo se o ilustre prefeito copiasse esta disposição legal: “Por se evitarem os inconvenientes que se seguem das músicas que algumas pessoas costumam dar de noite, cantando ou tangendo com alguns instrumentos às portas de outras pessoas; defendemos que pessoa alguma, de qualquer qualidade e condição que seja, não se ponha só nem com outros a tanger, nem cantar à porta de outra alguma pessoa, desde que anoitecer, até que o sol seja saído.

E seja achado dando as ditas músicas, mandamos que assim os que tangerem e cantarem, como os que a isso assistirem, sejam presos e estejam trinta dias na cadeia, sem remissão, e da cadeia paguem todos dez cruzados, cada um a parte que lhe couber, e percam os instrumentos que lhes forem tomados e as armas para o meirinho ou alcaide que os prender e para seus homens”.

Simples, né? Está no Livro 5 das Ordenações Filipinas. Considerando que o alcaide (na Espanha atual autoridade administrativa, cujas funções correspondem às de um prefeito) Marcio Lacerda é homem rico, pode entregar os carros tunados, as armas e todos os instrumentos barulhentos aos necessitados, com a só condição de que não os usem desde que anoitecer, até que o sol seja saído.

Decepção


Dá para imaginar a tristeza dos organizadores de um desfile, que contavam reunir três milhões de pessoas nas ruas de uma cidade, domingo de sol e temperatura amena, e só aparecem 80 mil pessoas. Tudo bem que 80 mil seja número expressivo, mas diante de três milhões é um tiquinho de gente.

Que diabo teria acontecido com o orgulho gay? Se o leitor não sabe, explico: autorizados os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, acabou-se o orgulho gay. A pessoa continua gay, mas perde o orgulho: ninguém aguenta casamento.

Gays, g0ys, lésbicas, travestis, transgêneros & companhia ilimitada, antes e acima de tudo são mamíferos, grande classe de animais vertebrados, endotermos, vivíparos (exceto os monotremados, que são ovíparos), caracterizados pela presença de glândulas mamárias, corpo geralmente coberto por pelos, pele com numerosas glândulas, orelha externa presente e orelha média com três ossículos auditivos, coração com quatro câmaras, pulmões grandes e elásticos, cavidades torácica e abdominal separadas por um diafragma e fecundação interna.

Sendo mamíferos, sabem que a monogamia é regime ou costume em que é imposto ao homem ou à mulher, como também aos gays, ter apenas um cônjuge enquanto se mantiver vigente o seu casamento. Regime ou costume que é raríssimo na classe Mammalia (Linnaeus, 1758).

A ciência não se entende quanto ao número de espécies de mamíferos, até porque continua identificando novas espécies, mas há quem diga que andam em torno de 4.700. Pois muito bem: das 4.700, cerca de 30 são monogâmicas. Monogamia consegue ser pior do que casamento, o que explica o arrefecimento gay do desfile do dia 4 de maio em São Paulo. Arrefecimento, minha gente: substantivo masculino em nosso idioma desde o século XV. Em sentido figurado significa perda do entusiasmo, do ânimo, indolência, apatia.

O mundo é uma bola


7 de junho: fui ao Google para ver os fatos relacionados com este dia, cliquei 7 de junho e apareceram, num átimo, 133 milhões de entradas. Repito, que é para o leitor sentir o drama: 133.000.000. O Google é “de menor”, nasceu ainda outro dia, e já é isto que se vê. Em matéria de precocidade rivaliza com aquele bandido de 11 anos, que matou um professor de inglês, dia desses, na praça de uma cidade-satélite de Brasília. Onze aninhos e o bandido já tinha várias passagens pela polícia, uma delas por homicídio.

Em 1494, Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas dividindo entre si o Novo Mundo. Em 1654 Luís XIV é coroado rei da França. Reinou até 1715, foi o Rei-Sol, casou-se duas vezes e teve oficialmente seis filhos. Vivia repetindo “O Estado sou eu” e posou para um pintor em posição esquisitíssima: sapato de salto alto, calça colante, longos cabelos – sei não…

Em 1863, tropas francesas conquistam a Cidade do México. Em 1905 a Noruega se divorcia da Suécia e em 1914 o primeiro navio atravessa o Canal do Panamá, que está sendo ampliado para permitir a travessia dos imensos navios de contêineres. Em 1929, com a assinatura do Tratado de Latrão, o Vaticano se torna Estado soberano.

Ruminanças


“O carro do Estado navega sobre um vulcão” (Henri Monnier, 1805-1877).

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