Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Imagem
08 A 15 de junho de 2015

Imagem

Alvíssaras – Na obsessão de divulgar notícias trágicas – terremotos no Nepal, naufrágios no Mediterrâneo & Cia. – a mídia não destaca os fatos auspiciosos como o reaparecimento de Rosemary, qual Fênix ressurgida das cinzas.

Rosemary Noronha, a Rose, agora é citada como amiga do Lula, enquanto a senhora Nelma Kodama foi durante nove anos amante  de Alberto Youssef. Rose tinha passaporte diplomático, mandava e desmandava nesta República de merda, viajando no Aerolula sempre que senhora Marisa Letícia Rocco Casa Lula da Silva, a Galega, que tem passaporte italiano pensando nos filhos, não viajava com o seu marido e senhor.

A mesma Rose que se hospedava no quarto vermelho de uma de nossas embaixadas e o embaixador continua solto. Rose que vem de ser denunciada pelo Ministério Público Federal por improbidade, ela que já era alvo de ação criminal por corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica.

As denúncias vão terminar em águas de bacalhau. Rose, madurona, nunca foi uma Elizabeth Taylor, muito antes pelo contrário, aliás. Seu amigo beira os 70: daquele mato já não sai coelho. É muito de desejar que a referida senhora tenha alguns trocados aqui ou lá fora para sustentar-se nesta encarnação e garantir o futuro dos seus filhos.

Presumo que o caro e preclaro leitor se tenha assustado com a República de merda no texto de um cavalheiro que só recorria ao país grande e bobo, bem como ao Piscinão de Ramos.

Divulguei, é certo, o país grande e bobo, que hoje passa como coisa minha. Não é e já expliquei, um sem conto de vezes, que a frase é do jornalista Octávio Thyrso de Andrade. Aprendi e adotei-a numa tarde em que fui visitar o Dr. José Barreto Filho.

Lá estava o acadêmico Arnaldo Niskier contando de uma visita que fizera, em França, ao embaixador Antônio Delfim Netto. Quando os demais visitantes se retiraram da sala, o embaixador trancou a porta e perguntou ao acadêmico: “Então, que notícias você me dá daquela merda?”. Creio desnecessário explicar a merda, substantivo que ganhou curso em nossa melhor imprensa escrita.

Em nosso idioma desde 1255, merda só tinha curso normal nos espetáculos teatrais, operísticos e outros do gênero. Explicação curiosa: nos espetáculos de antanho, quando as pessoas chegavam aos teatros em veículos de tração animal, que ficavam à espera nas ruas do entorno do teatro, se houvesse muita bosta dos cavalos na manhã seguinte era sinal do sucesso do espetáculo. Vai daí que os amigos começaram a desejar “merda” aos atores quando entravam nos teatros.

Se a merda é hoje comum na mídia, não faz sentido continuar dizendo que o país é grande e bobo, pois os governos da incompetenta e os de seu antecessor, namorado da Rose, são a prova perfeita e acabada da merda em que foi transformado o país grande e bobo.


Imagem

Explicação – Sempre foi difícil explicar o Brasil. Os maiores de 60 anos conhecemos os governos Jânio, Jango, Collor, Sarney, Lula, Dilma, que explicam boa parte do que se vê por aí, mas o problema remonta aos primeiros seres humanos que se estabeleceram por aqui.

Quantos anos tem a espécie humana? Ao que tudo indica cerca de 200 mil. Os primeiros brasileiros devem datar de 12 mil anos, se bem que certos estudiosos respeitáveis falem de 40 mil a partir de sítios arqueológicos encontrados no Piauí.

Fiquemos nos 12 mil. Os primeiros habitantes do arquipélago japonês, os jomon, devem ter pintado naquele pedaço há 16 mil anos. Que encontraram os portugueses quando chegaram por aqui? Em rigor, nada. Há quem fale em cinco milhões de índios, que também podiam ser dois milhões ou um milhão.

Releva notar que as Américas já conheciam a cultura maia com as suas pirâmides e os seus calendários. Os Andes tiveram a cultura inca. Do lado de cá, muito arco, muita flecha, muita gente nua, orelhas e lábios furados: mais nada.

Nunca estudei os índios norte-americanos, certamente anteriores aos nossos, a não ser nos filmes coloridos e no melhor livro jamais escrito, opinião do Fernando Sabino, que assino de cruz: Winnetou, de Karl May (1842-1912).

Mulato inzoneiro (sonso, manhoso, enredador), o Brasil aí está. Lula e Dilma são as cerejas de um bolo que não fermentou. O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo no Globo


Imagem

Hídricas – Diversos municípios norte-mineiros andam às voltas com a crise hídrica, problema que  não é recente naquela região. Há mais de 40 anos andei pelo nortão do estado montanhês pensando comprar fazenda. Visitei a maioria dos municípios, alguns deles a cavalo. Pois é, sempre gostei de cavalgar atento à frase de Churchill: “Nenhuma hora passada em cima de um cavalo é uma hora perdida”.

Mesmo nas fazendas que não estavam à venda, os donos eram simpáticos, acolhedores, com a seguinte característica: antes de apresentar a família ou mostrar o gado, todos falavam da água disponível nos poços e nas pequenas represas. Nos poços as águas costumam ser calcárias: gosto horrível, não fazem espuma quando a gente toma banho.

Certa feita, visitei a fazenda de um amigo que ficava do lado de lá de um rio seco. Explicação do velho amigo, açoriano da Ilha do Pico: “Foi um vizinho que plantou feijão”. O vizinho plantou feijão rio acima, irrigou sua lavourinha e secou o curso de água natural que constava dos mapas.

Incomum é o fato de a capital de Minas andar às voltas com uma crise hídrica. Nos 16 anos que passei por lá nunca soube de falta de água. Comprei bela casa, que não tinha cisterna e só contava com a água que entrava todos os dias para encher as caixas do teto. Pormenor: casa construída por um casal de professores de hidrologia da universidade federal. Escaldado desde sempre – no Rio, morei num prédio que tinha cisterna para 250 mil litros – pensei fazer no jardim imensa caixa subterrânea para segurar as pontas quando faltasse água. Disseram-me que a obra era desnecessária, como realmente foi. Transcorridos poucos anos, seria hoje utilíssima.

Escrevo numa segunda-feira depois de ler os jornais que assino. Nada encontrei sobre o assassinato em Brasília do tenente-coronel do Exército, Sérgio Murilo de Almeida Cerqueira Filho, de 43 anos, crime espantoso e inacreditável mesmo no Brasil.

O oficial foi morto com um tiro na cabeça na madrugada de sábado, 16 de maio, e a Polícia Civil do DF informa que o crime teria sido encomendado pela mulher do tenente-coronel ajudada pela irmã.

Em processo de divórcio, a mulher sonhava com a pensão de viúva, cerca de R$ 10 mil, e teria contratado, ajudada pela irmã, quatro bandidos para matar o marido. Mesmo num país com 56 mil homicídios/ano, o crime tinha tudo para dar suítes nesta segunda-feira, chamadas de primeira página nos jornais e demoradas matérias na tevê, considerando que os domingos são dedicados ao Brasileirão 2015 – tatuagem muita, futebol nenhum – e ao Faustão. Pois bem: o assassinato de um oficial do Exército encomendado por sua mulher e pela irmã dela não deu suíte na mídia.

Evidenciou-se, ainda neste caso, o conhecimento das polícias civil e militar: sabem quase tudo. Apesar de mal equipadas, acabam identificando e prendendo os criminosos, soltos em seguida pelas leis de uma República de merda, que vive soltando bandidos pelo Dia das Mães. Bandido não tem mãe. E o tenente-coronel, coitado, tinha uma cunhada desmentindo a atração cunhadia, que todos os homens sérios têm pelas cunhadinhas, desde que palatáveis. Freud explicava, mesmo porque viveu o doce fenômeno com Minna Bernays, irmã de sua mulher Martha Freud.


Imagem

Noticiário I – Em dez minutos de tevê matinal são tantas as notícias, que o comentarista tem assuntos para um mês escrevendo dez horas por dia. Balearam o prefeito de Paraty poucos dias antes de começar a Flip, feira literária famosa no mundo inteiro. Parece que o rapaz passa bem, mas dá para imaginar o clima entre os convidados para a feira.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas mataram a facadas um médico que andava de bicicleta. Roubaram a bicicleta. Os noticiaristas televisivos criticam a falta de policiamento no local, de mesmo passo em que acusam a polícia de matar uma senhora noutro local. E uma pesquisa séria, entrevistando cinco mil policiais militares do Rio, constatou de 7% deles pensam cometer suicídio.

Fui nascido e criado numa casa às margens da Lagoa, vivo repetindo, entre as duas maiores favelas da zona sul carioca: a Catacumba e a Praia do Pinto. O muro de nossa casa tinha um metro de altura. Durante a Segunda Guerra, todo mundo andava de bicicleta, de bonde ou em raros automóveis movidos a gasogênio. Acho que os ônibus tinham cota especial de gasolina como também acho que os espertos, para enganar a patuleia, montavam a traquitana do gasogênio na traseira dos seus carros, que continuavam movidos a gasolina. Pequenino, pouco me lembro das coisas daquele tempo. Nadei na Lagoa ainda não poluída e ajudei a apedrejar o Bar Berlim, quando o Brasil entrou na guerra. Transformou-se em Bar Lagoa, comprado outro dia pelo empresário mineiro Omar Resende Peres, o nosso Catito, sobrinho de minha saudosa comadre Nilza Peres de Resende. Adulto, quitei minha dívida com o Bar Lagoa jantando lá várias vezes por semana durante anos. Tomava 18 chopes antes de ir ao banheiro. Havia jovem alemã que tomava 22 antes do primeiro xixi noturno. Seu Rodrigues, o garçom, queria me casar com a alemoa. Noutra mesa, o então diretor do Colégio Pedro II entornava 84 chopes todas as noites, mas recorria regularmente ao banheiro. Bons tempos. Todos achávamos o chope da Brahma o melhor do mundo, salvo os adeptos do chope da Antártica.

Conheci um dos donos da Brahma, alemão puro de origem ou de primeira geração metido num terno de casimira, sem esquecer o colete, numa noite de Rio 40 graus. O excelente industrial suava em bicas e me contava: “Normalmente, não sinto calor. Tenho ar-condicionado em casa, no carro e na indústria”. Naquela noite, ao ar livre, o cervejeiro sofreu.

E dizer que me sentei diante do computador para falar de um pastor evangélico que encanta Juiz de Fora, MG, cabeludo, à frente do templo Caverna do Rock. Pseudônimo Simon, filho do radialista Vanor de França. Tenho 440 palavras e o pastor merece texto especial. Chama-se Vanderson Supimpa França de Souza e morde a Bíblia para ser fotografado pelos jornais. Vale um suelto caprichado.


Imagem

Noticiário II – Prometi falar do pastor Simon, dono do templo Caverna do Rock, cavalheiro registrado como Vanderson Supimpa França de Souza. O Google tem 102 mil resultados para supimpa, adjetivo de dois gêneros, brasileirismo, “muito bom, ótimo, excelente”. Supimpitude só tem 2.560 resultados. Acho que foi invenção do philosopho que compõe estas bem traçadas. Como também acho que a distinção entre homoafetividade e homossexualidade foi descoberta minha. Homoafetividade não é homossexualidade. Toda pessoa séria tem afeto por algumas pessoas do mesmo sexo, sem que sinta atração sexual por elas. Deu para entender?

Volto ao pastor Simon e ao fenômeno evangélico. Algo me diz que os evangélicos são interesseiros e têm nos dízimos a esperança de enricar. É a loteria federal, a mega-sena das religiões. Quem compra um bilhete da federal ou joga na mega-sena sonha ganhar dinheiro.

O brasileiro vai adiantado no fenômeno evangélico para fortuna dos pastores donos de templos, rádios e redes de televisão. Nosso cabeludo Simon, registrado como Vanderson Supimpa França de Souza, que se veste de preto, conta que encontrou Jesus através do Paulinho Bang Bang, que matou muita gente até aceitar Jesus e sair pregando.

José Paulo Ventura foi evangelizado no presídio e tem mais de 100 mil resultados no Google. Dizem que cometeu crimes bárbaros. Ventura e Supimpa, sobrenomes incomuns. Supimpa resolveu passar o Carnaval num retiro espiritual “sem camisa e de bermudão, fedendo igual a um gambá, estava na fila do banheiro público do Caic de Linhares”, quando conheceu Bang Bang, que estava pregando de terno e gravata.

E sua história vai por aí até ouvir uma voz saindo do alto, falando outra língua. Saiu dali “piradaço por Jesus”. Fez Teologia pela Assembleia de Deus e hoje faz curso superior em Teologia na escola Rhema Brasil.

Há oito anos montou o templo Caverna do Rock, paredes forradas com espuma para isolamento acústico e uma bateria logo atrás do púlpito: “É rock cristão, tem metal core, punk, trash, black metal, heavy metal, hip-hop, reggae”.

Entre os fiéis, jovens de cabelos compridos vestidos de preto, piercings e tatuagens: “Achava que era doido, mas fiquei mais doido quando encontrei alguém mais doido que eu. Esse é Jesus e ele mudou minha vida. No Coríntios I, versículo 25, fala: ‘Deus usa os loucos para confundir os sábios. E nem os loucos errarão o caminho do céu’. Se ser louco é isso, sem bebidas, sem drogas e sem prostituição, a melhor coisa do mundo é ser assim”. diz o pastor, que morde, balança e folheia a Bíblia enquanto posa, com cara de mau, para as fotos. (Créditos para o repórter Mauro Morais, do jornal Tribuna de Minas).


Imagem

Força&Luz – Térmicas, hidrelétricas, solares, eólicas, apaguinhos, apagões, distribuidoras, bandeiras verdes, amarelas, vermelhas – desconfio de que o brasileiro ainda não se aculturou no campo da energia elétrica.

Antes de explicar essa desconfiança, deixe-me contar de grande amigo que tive no Mato Grosso, grande em cultura, mínimo em altura, pois não chegava ao metro e sessenta. Amigo que vivia repetindo: “O brasileiro ainda não se aculturou para dirigir automóveis”. Dono de um Fiat 147, trombou numa carreta e saiu sem um arranhão do carrinho que foi esmagado. Dizia-se que o bom amigo escapou escondido no porta-luvas. Nas ocasiões em que foi me apanhar no aeroporto de Cuiabá com o novo 147, constatei que ele tinha mestrado e doutorado em barbeiragens.

Volto ao fulcro deste belo comentário. Muitos anos atrás, mudei-me em BH para um dúplex de cobertura e constatei  que a conta mensal, de tão pequena, era incompatível com o consumo do imenso apê. Encontrei Arlindo Porto numa missa de 7º dia e pedi ao então vice-presidente da Cemig para mandar examinar o medidor do dúplex.

Acho que já falei sobre esse episódio, mas ando repetitivo. Paciência. O fato é que a Cemig trocou o medidor, examinou o aparelho retirado, descobriu um gato feito por profissional e… me processou na Justiça! Depois se desculpou e disse que o processo era automático, sempre que a empresa descobria um gato.

Tempos depois aluguei apê menor, mas ainda muito grande, e descobri que tinha luz sem que tivesse conta. Liguei para a Cemig reclamando a conta e fui informado de que a luz estava “desligada”. Desligada como, se tudo funcionava nas tomadas: computador, tevê, geladeira, microondas, ferro elétrico, máquina de lavar?

Aí a empresa mandou ligar o que estava ligado, apresentou uma conta de 50 centavos de real, trocou o medidor, tudo bonitinho. E começaram a chegar as contas mensais de 18 reais, 16 reais, sempre em torno de 10% do que deveria ser pago. Bobo que sou, resolvi processar a Cemig badalando o assunto na imprensa: Consumidor processa distribuidora de energia para pagar preço justo!

Percebendo que o trabalho seria dele para transformar o seu amigo em celebridade nacional, meu advogado desaconselhou o processo, motivo pelo qual até hoje não alcancei a milionésima parte do prestígio midiático de um Roberto Justus.


Imagem

Vozes – Há psicoses em que os loucos ouvem vozes. Prefiro lidar com a voz tranquila da minha consciência e analisar as vozes dos entrevistados nas tevês. Voz é credencial importantíssima: alguém acredita no que diz o senador Humberto Costa (PT-PE)? Com aquela voz deveria ser obrigado por lei a calar a boca. Nasceu em Campinas, SP, e foi fazer política em Pernambuco, estado que não merecia tal figura.

No capítulo das vozes há exceções, é certo. Tenho amigo fanho que encanta a platéia porque é um Gênio com gê maiúsculo e tem humour extraordinário. Não tem culpa de fanhosear desde criança. Mulheres levemente fanhas, desde que bonitas, mexem com a libido de alguns homens sérios. Dizem que o proverbial “Me mata!” gritado por elas é afrodisíaco.

Há vozes horríveis. Advogada lindíssima, elegantíssima, entrevistada num programa de tevê, tem uma voz que horroriza o telespectador. Tratada por fonoaudiólogo deve melhorar muito sem deixar de continuar linda e elegante.

FONTE: Jornal da ImprenÇa.


1 Comentário(s)

  1. Suely Balena

    14 de junho de 2015 às 03:25

    Ah! Eduardo Vç parece cartola de magico sai um sem fim de surpresas! Tudo que escreve é ” afrodisíaco “.. . Amo a s suas bem traçadas linhas!

    Curtir



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: