Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Melhores
Charutos, sabonetes, xampus, lençóis, toalhas: sempre que possível, prefiro os melhores. Até nas cervejas me arrisco de vez em quando

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 09/07/2014 04:00




Por falta de meios, que nunca foi crime, jamais tive o melhor automóvel, a melhor casa, o melhor vinho, sempre muito caros, mas gosto dos melhores produtos ao alcance da minha bolsa. Por exemplo: aquele treco que a gente pendura da torneira do chuveiro ou do registro do banheiro, treco niquelado para botar os xampus e os sabonetes, pendurar a escova, essas coisas que usamos nos banhos. É niquelado? Deve ser. Gosto do melhor à venda no mercado e só posso comprar pessoalmente. Pedindo à operadora de forno e fogão, já sei que vai comprar o baratinho. Não dura um mês, período em que fico chateado no boxe vendo aquela josta enferrujar. O “melhor” também enferruja, mas leva tempo.

Charutos, sabonetes, xampus, lençóis, toalhas: sempre que possível, prefiro os melhores. Até nas cervejas me arrisco de vez em quando: uma ou duas ampolas da Deus ou da Duvel para dar sabor à vida. 

Televisão


Na tevê a cabo há canais interessantíssimos, um deles da NatGeo. Divulga besteiras divertidas, como aquele grupo de malucos que viaja pelos Estados Unidos comprando armas para revender em leilões. Avaliadores barbados, imensamente gordos, em roupas esquisitas e metidos a engraçados, sabem tudo sobre armas. Se antigo, um par de pistolas de duelo vale no leilão US$ 7 mil. Machado viking com 900 anos também vale uma fortuna. 

Programas “técnicos” exibem coisas ótimas. Um deles, sobre visão e ilusões de ótica, me deixou de queixo caído. Fui procurar no Google o nome do inventor de uma “cadeira” que, na dependência da perspectiva, deixa baixinho um sujeito de 1,98m, mas o buscador tem 225 mil entradas para “ilusão de ótica perspectiva cadeira de”. 

Já o canal Esporte Interativo, da Top Sports Ventures S/A, prefere locutores e comentaristas de futebol adeptos de imundícies e obscenidades. Se a geradora dá um close no treinador da seleção da Alemanha os engraçadinhos começam a recomendar que o senhor Joachim Löw não tire meleca do nariz e falam de farofa de meleca. Mais adiante, comentando uma falta, dizem que o jogador tirou o seu da reta e se perdem nas divagações sobre fiofós. Às quatro da tarde, transmitindo ao vivo e em cores o amistoso da Alemanha contra Camarões, partida vista por crianças, jovens e adultos sérios. Não dá para acreditar. 

Números


Maio foi o mês mais violento do ano de 2014 no Iraque: morreram 900 pessoas. Multiplicando por 12 meses teremos 10.800 mortes neste ano e o Iraque, sabe o leitor, anda em guerras internas e externas há muitos anos. Vivem no Iraque cerca de 32 milhões de pessoas, a sexta parte da população brasileira.

Neste suelto assustador, 10.800 mortes representam o mês mais violento multiplicado por 12, cálculo exagerado. Seria mais honesto prever 9 mil mortes no Iraque no ano de 2014. Dizem os pesquisadores que o Brasil teve, ano passado, 56 mil homicídios. Dividindo por seis, consideradas nossa população e a do Iraque, encontramos 9.333 mortes, donde se conclui que a violência por aqui é praticamente igual à daquele país. 

No dia em que escrevo anoto frase admirável do ministro da Justiça, o professor José Eduardo Cardozo, sobre a Copa: “Todos os policiais e as policiais femininas”. Se todos os policiais não incluem as policiais femininas concluo, com a admirável lucidez que me caracteriza: já não se fazem Eduardos como antigamente.

Um deles, de sobrenome Snowden, traiu seu país. Outro, o barrigudo e cabeludo Eduardo Tadeu Pinto Martins, que se diz publicitário, matou o zelador do prédio paulistano em que morava, botou o corpo na mala do carro, levou-o para sua casa na Praia Grande, a 100 quilômetros do prédio, e foi preso em flagrante quando assava pedaços do zelador numa churrasqueira à vista dos que transitavam pela calçada.

O mundo é uma bola


9 de julho de 1540: dissolução do casamento de Henrique VIII e Ana de Cleves, celebrado no dia 6 de janeiro. Nascida em Düsseldorf, Ana era filha de João III, duque de Cleves, líder de um dos estados germânicos pioneiros no Movimento Protestante, o que o tornava aliado potencial para Henrique VIII, chefe da recém-criada Igreja Anglicana. Thomas Cromwell, chanceler do reino, defendia a união de Ana com o rei.

Hans Holbein, o Jovem, foi contratado para pintar um retrato de Ana, quadro que animou Henrique VIII. Quando Ana chegou à Inglaterra o rei ficou desolado: o talento de Holbein apagou do rosto da noiva todas as marcas da varíola. Apesar dos buracos, Henrique se casou com ela no dia 6 de janeiro, quando já trazia d’olho Catarina Howard, de 15 aninhos, uma das aias de Ana. Começou a transar com a menina sem consumar o casamento com a filha do duque de Cleves.

Anulado o casamento, o rei se casou com Catarina, mas recompensou Ana com o usufruto do Castelo de Hever, generosa pensão e os títulos de princesa da Inglaterra e Irmã do Rei. Ela morreu em agosto de 1557 e está enterrada na Abadia de Westminster. Hoje é o Dia do Protético.

Ruminanças


 “Na inauguração da inacabada Transcarioca, o Custo Brasil incluiu uma búlgara de primeira geração tocando pandeiro” (R. Manso Neto).

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