Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA CoparticipaçáoEm Buerarema, Bahia, ficarão as seleções da Alemanha e da Suíça às voltas com os conflitos entre índios e produtores rurais

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 09/04/2014 04:00

Certos espetáculos envolvem tantos investimentos, tantos interesses, tantos ganhos, comissões e ladroeiras, que não podem ser imputados a um só cidadão, por pior que seja: exigem coparticipação. Há sempre um núcleo responsável pelo que acontece. Mesmo nos regimes ditatoriais extremos é difícil acusar unicamente Hitler, Stálin, Mao, Fidel, Pol Pot de todos os crimes cometidos. Em torno deles havia grupos de apoio aos crimes que todos vimos ainda no século passado.
Temos, agora, a suprema imbecilidade da Copa 2014 num país carente de hospitais, escolas, estradas, energia elétrica, portos, saneamento, aeroportos, e carente até de bom futebol: há jogos da primeira divisão em que a assistência não chega a mil pagantes.


Houve núcleos responsáveis pela ideia de realizar a Copa no Brasil. Deles fazem parte pessoas e empresas que já faturaram bilhões, repassando comissões a políticos, dirigentes de federações e outros do mesmo naipe. Fala-se em “legado da Copa” como se espetáculos do gênero, por aqui, legassem algo além de ruínas e maus exemplos.
Mais grave que isso: relatórios do próprio governo, que promete a Copa das Copas, temem pelo que possa acontecer em certas regiões. Em Buerarema, Bahia, ficarão as seleções da Alemanha e da Suíça às voltas com os conflitos entre índios e produtores rurais. O keeper Manuel Neuer, da Alemanha, um dos melhores do mundo, tem quase 2 metros de altura e deve ser alvo fácil para uma flechada.


Na Mata de São João, sede dos croatas, quilombolas reivindicam área de 30 mil hectares. Fosse francesa a seleção, a reivindicação quilombola seria apoiada no maior entusiasmo. Há mais craques afro-gauleses atuando nos times franceses do que nas equipes africanas. 


Lição

 Logo que fui admitido no Globo, então vespertino que rodava às 9h, incumbiram-me de fazer matéria sobre as favelas cariocas. No entusiasmo dos jovens repórteres, pensei em alugar pequena casa numa favela para sentir o problema in loco ou in situ, o que significa dizer “no próprio local”. Naquele tempo, a loucura ainda seria possível.
Entrei em contato com diversas assistentes sociais e fui abastecido de tantos dados, tantos estudos, que em poucas semanas havia uma pilha de escritos de leitura impossível. Foi quando um velho repórter me disse: “Solta logo, menino, antes que alguém te fure”. Não era furar no sentido de ser espetado por um punhal na favela, mas furo jornalístico “notícia importante, publicada por um órgão de imprensa antes dos demais”.


No recente episódio do desaparecimento do Boeing da Malaysia Airlines lembrei-me do conselho do velho colega. Ali pelo décimo dia do sumiço pensei em fazer um suelto comparando o avião com as seis vigas da Perimetral do Rio, cada uma pesando 40 toneladas em aço especial suposto de durar 300 anos, vigas que desapareceram sem deixar notícia.
Sumiço de avião com mais de 200 passageiros é coisa séria, que não permite graça, mas o roubo das vigas foi hilariante. Afinal, cada peça de 40 toneladas não cabe num caminhão comum, nem mesmo nos grandes, e depende de guindaste para ser posta em cima de uma carreta. Não no meio do Oceano Índico, ou na Oceania, mas no centro da cidade do Rio de Janeiro. E as vigas, somando 240 toneladas, sumiram sem deixar endereço.


Pois bem: o avião ainda estava desaparecido e um rapaz chamado Queiroz comentava o fato, através da internet, comparando-o com o roubo das vigas de 240 toneladas, justificando o conselho do velho colega de redação: “Solta logo, menino, antes que alguém te fure”. 


O mundo é uma bola

9 de abril de 1555: o cardeal Marcelo Cervini é eleito papa Marcello II e seu pontificado dura exatos 21 dias, provando que eleição de papa quase sempre equivale a uma sentença de morte. Em 1691, forças francesas capturam a cidade de Mons na Bélgica.


Em holandês e alemão Bergen, em picardo, Mont – Mons, é uma cidade francófona da Bélgica situada na região da Valônia. Picardo, como é do desconhecimento geral, é o dialeto francês da Picardia, que suponho fique perto da Valônia. Picardia, substantivo feminino em língua portuguesa, tanto pode significar garbo, elegância, como ação de velhaco, desfeita acintosa, logro, desconsideração. Prometo descobrir os motivos que levaram as forças francesas, em abril de 1691, a capturar Bergen, Mons ou Mont. Se foi pelos biscoitos belgas, obraram muito bem.


Em 1721 um terremoto mata 250 mil pessoas na Pérsia, atual Irã. Em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, as tropas de Portugal sofrem severa derrota na Batalha de La Lyz. Pudera: os portugueses enfrentaram as forças imperiais alemãs. Em 1928 o islamismo deixou de ser religião estatal na Turquia, mas tenho cá as minhas dúvidas. Em 2005, casamento de Charles, príncipe de Gales, com a idosa Camila Parker-Bowles, nascida Camila Rosemary Shand no ano de 1947. Em 1954 nasceu Joyce Pascowitch, colunista social brasileira de família judaica. Hoje é o Dia Nacional do Aço e o Dia da Biblioteca.


Ruminanças

“Há pessoas que têm uma biblioteca 
como os eunucos têm um harém” (Victor Hugo, 1802-1885).


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