Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

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10 a 16 de agosto de 2015

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Venatórias – Homem caçador e cavalo tropicador caçará e tropicará sempre, reza a velha sabedoria mineira. Cavalo que tropica é o diabo e caçador é difícil de segurar. Cinegética –  a arte da caça, hoje especialmente com ajuda de cães, substantivo feminino na rubrica arte venatória –  é tão antiga quanto a espécie humana, que caçava para se alimentar.

Presumo que ninguém saiba, como também não sei, o significado de venatória. Vou ao dicionário para aprender que é composição poética cujos personagens são caçadores. Aproveitando a consulta, aprendo que venatório é relativo à caça e seu universo.

Nariz de cera de 93 palavras para tratar da caça de um leão no Zimbábue por um dentista norte-americano, rico e maluco, que pagou 50 mil dólares para se aborrecer pelo resto da vida. Antes, cuidemos do Zimbábue, país de 390 mil km2, que já foi “o celeiro da África”, mas se chamava Rodésia, tinha agricultura e pecuária de primeiro mundo sob domínio dos ingleses.

A partir de 1980 tornou-se independente e teve a desventura, muito comum naquele continente, de ser conduzido pelo doutor Robert Gabriel Mugabe, no início como primeiro-ministro e desde 1986 como presidente.

Zimbabuano nascido em 1924, Robert Gabriel foi casado com Sally Hayfron (de 1961 a 1992) e tem como cônjuge, desde 1996, Grace Mugabe. É pai de Bona, Chatunga Bellamine, Robert Peter e Michael Nhamodzenyka Mugabe. Grace Mugabe é sul-africana bonita e tem 50 aninhos.

Presidente mais antigo do mundo ainda no poder, Robert G. Mugabe é muito criticado pelos que não conhecem a administração Dilma Vana Rousseff. Graças a ela, Robert G. não é o pior administrador do planeta. Ele destruiu um país de trezentos e noventa mil, ela um país de oito milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados.

Para que o leitor faça ideia, em 2009 a inflação zimbabuana chegou a 9.000.000% ao ano, ou 98% ao dia. Destruiu o celeiro africano, sua produção agrícola e o dólar zimbabuano foi retirado de circulação. Sob administração do marido de Grace, o Zimbábue usa várias moedas: o euro, a libra esterlina, o rand sul-africano, o US$ e o pula de Botswana. No ano em que a inflação do dólar zimbabuano chegou a 9.000.000%, a meta anual talvez fosse de 4,5%. E os 98% ao dia desbancaram os 80% ao mês do nosso belo Sarney.

O dentista americano pagou 50 mil dólares para matar o leão a flechadas, mas o grande felino agonizou durante horas e foi abatido a tiros. Quanto vale um pula de Botswana? Sugiro ao leitor que procure na internet e pule de alegria se o pula valer menos que o real.

Impende notar que o Deserto de Kalahari ocupa 70% do território de Botswana. No Kalahari os cavalheiros se amarram nas bundas das cidadãs, enormíssimas, garantia de gordura para alimentar os herdeiros nos inevitáveis períodos de escassez. Paolla Oliveira, tadinha, morreria solteira e milionária com os pulas que fatura nas novelas.


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Perigo – O historiador Clóvis Bulcão publicou um livro que é um perigo. Por quê? Ora, porque você começa a leitura e não consegue parar enquanto não chegar ao fim das 252 páginas.

Título: Os Guinle, a história de uma dinastia, editora Intrínseca. Nos muitos anos em que morei na roça construí uma porção de coisas usando telhas e madeiras compradas nas demolições de obras dos Guinle. Tudo de primeiríssima qualidade. O telhado de uma casa que construí na Região Serrana do RJ se apoiava sobre peça de ipê de 14 metros, 3 por 9 polegadas, que comprei na demolição de uma cocheira dos Guinle no bairro de Botafogo.

Dos membros da família só conheci dois, Jorginho e Luiz Eduardo. Jorginho numa festa, muito simpático e educado, quando ainda não tinha perdido toda a fortuna que herdou. Operei Luiz Eduardo numa fazenda do MS utilizando como instrumentos cirúrgicos uma gilete nova, uma agulha esterilizada a fogo, algodão e álcool.

Interrompi meus estudos de Medicina antes do vestibular, mas a ocasião pedia cirurgia urgente, o paciente sentado sobre a mureta que separava um corredor revestido de lajotas do gramado da piscina. Terminada a cirurgia, o operado caiu desmaiado no corredor, mas se recuperou logo. Não perdeu uma gota de sangue e ficou livre de um inseto sifonáptero (Tungapenetrans) da família dos tungídeos, de presumida origem sul-americana. Relativamente comum nas zonas rurais, a fêmea fecundada penetra na pele do homem ou de outros animais, podendo causar ulceração.

Não chegou a ulcerar o heróico paciente, que ficou livre do bicho-de-pé graças à perícia do cirurgião improvisado. Luiz Eduardo Guinle foi jovem ousado ao deixar-se operar por mim. A história de sua família, contada por Clóvis Bulcão, é sensacional.

Arnaldo Guinle adorava esportes e foi o fundador do Fluminense. Em 1916, a seleção brasileira de futebol deveria disputar em Buenos Aires o 1º Campeonato Sul-Americano. Sugeriu-se que os atletas viajassem de carona no navio Júpiter, fretado pelo governo para levar missão diplomática brasileira a um congresso na Argentina.

Havia espaço suficiente, pois a missão só ocupava a terça parte do Júpiter. Quando o chefe da missão, o senador Rui Barbosa, foi consultado, sua resposta resumiu o que os melhores brasileiros pensavam dos jogadores de futebol: “Futebolista é sinônimo de vagabundo. Pode escolher imediatamente: ou eles ou eu”.

Por isso, os atletas levaram quatro dias e cinco noites viajando até Buenos Aires por terra, chegando à Argentina no dia do primeiro jogo. Não ganharam nenhuma partida.

Meu avô Mário Brant viajou no Júpiter como jornalista de O Paiz. Escreveu livro delicioso, Viagem a Buenos Aires, ele que era considerado o Mark Twain brasileiro. Quando o navio chegou à barra do Rio da Prata havia dois práticos numa embarcação. O primeiro subiu ao Júpiter para conduzi-lo ao porto buenairense, enquanto o segundo gritava pedindo notícias do “buque de guerra”. Buque: barco con cubierta que, por su tamaño, solidez y fuerza, es adecuado para navegaciones o empresas marítimas de importancia.

Era o navio de guerra mandado pelo Brasil para escoltar o Júpiter na viagem realizada em plena Primeira Grande Guerra. Sabe o caro, preclaro e intrigado leitor o que aconteceu com o buque de guerra? Se não sabia, fique sabendo: enguiçou no caminho.


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Casamentos – Cada vez mais raros, em vias de extinção como as ararinhas azuis, os casamentos entre homem e mulher ainda existem. Todos sabem ou pelo menos desconfiam do que procura o homem quando se casa à moda antiga, e o que deseja a mulher nos casamentos heterossexuais. Se me fosse permitido palpitar, recomendaria aos homens maiores de 40 anos que procurassem companheira versada em informática, hoje indispensável na vida de todos nós. Cozinhar, costurar, lavar e passar são virtudes úteis, mas dispensáveis. Bom hálito, sovaquinhos não muito depilados e ótimos conhecimentos de informática fazem a felicidade do maridão. O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo de redação no Globo.

No dia em que escrevo o Globo estampou matéria de meia página sobre Ricardo e Rogério Marinho, irmãos mais novos do doutor Roberto. A ambos dois saudosos amigos, que acrescentavam um “R” às minhas laudas datilografadas, impedindo que fossem copidescadas ou revisadas. Com o “R” desciam para o linotipista sem cortes ou revisões.

No dia em que pedi demissão para morar no mato sem luz, estrada e telefone, os dois e o doutor Moacyr Padilha, um dos mais brilhantes jornalistas da história do Brasil, perderam mais de uma hora tentando demover-me da decisão.

Burro que sempre fui, insisti no pedido e me mudei para a roça fluminense, mas continuamos amigos. Mais tarde, quando tive telefone, perdi a conta dos telefonemas que recebi do doutor Rogério para conversar sobre fazendas, ele que tinha bela propriedade rural em Corrêas, distrito de Petrópolis, RJ, que florestou em pínus, onde gostava de cavalgar nos finais de semana.


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Avistamentos – Depois de três noites com uma estrelinha distante bailando no ar, sem os gemidos do inquieto vaga-lume machadiano, philosophei: “Só me faltava, nesta altura do campeonato, um disco-voador visível através da janela do quarto”.

Deve ser distorção do vidro, falta de óculos ou vista cansada, mas que a estrelinha pula, garanto que pula. E me obriga a perguntar ao leitor de Marcia Lobo: “Você acredita em discos-voadores?”.

Vou logo avisando que acredito piamente. Não que os tenha visto, mas porque acredito nos amigos que os viram. E são muitos cavalheiros e damas sérios, respeitáveis, que não gostam de falar dos seus avistamentos para não cair do ridículo.

Em maio de 1986, o engenheiro e coronel-aviador Osíres Silva, idealizador da Embraer, voando à noite para São José dos Campos relatou os objetos que viu depois de avisado pelos operadores do radar do aeroporto. Caças da FAB levantaram vôo e os pilotos também viram os objetos que apareciam nos radares, além de um piloto da ponte aérea confirmou o avistamento. Autorizado pela torre, Osíres voou na direção dos objetos, passou por cima deles e disse que só não baixou seu avião porque a região é montanhosa e ele já estava na altitude mínima indicada para aquela área.

Esse foi um avistamento testemunhado por profissionais insuspeitos, credenciados, com a confirmação dos operadores de diversos radares. Confesso que nunca vi nada parecido em minhas andanças pelo interior, mas tenho amigos que viram e me contaram. Estive no Mato Grosso na noite em que objetos estranhos sobrevoaram diversas cidades na região de Tangará da Serra, foram vistos por milhares de pessoas e provocaram fenômenos estranhos como o desligamento de geradores diesel que iluminavam os acampamentos de pioneiros.

Num deles, meu amigo, seu filho de 12 anos e um grupo de aventureiros. Sempre que falava do avistamento o amigo ficava “arrepiado” contando que o gerador desligou, seu filho chorava e um burro de um objeto em forma de charuto, janelas laterais deixando ver o interior iluminado, passou bons minutos parado sobre o acampamento.

Assim como esse, ouvi dezenas de depoimentos de gente respeitável, que evitava tocar no assunto para não cair no ridículo. Em 1966 ou 1967, um Electra da ponte aérea, que se aproximava do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, por volta das dez da noite de uma sexta-feira, tendo entre os passageiros um jovem engenheiro-eletrônico, meu vizinho, e o então governador Lomanto Júnior, da Bahia, voou durante minutos ao lado de um objeto que aparecia nos radares do aeroporto. Mudava de um lado para o outro do Electra e os passageiros acompanhavam os movimentos através das janelas.

Ao desembarcar, o governador disse que não avistou nada, temendo o “ridículo” junto aos seus eleitores, mas o engenheiro-eletrônico relatou tudinho aos pais quando chegou a casa. Reação dos pais: “Você tem trabalhado demais, está muito cansado, temos algumas economias e sugerimos que você vá passear pela Europa”. Foi o que os pais me contaram no dia seguinte.

Deixei para o fim a cereja do bolo. Uma de minhas comadres foi das pessoas mais brilhantes que conheci. Profissional liberal de grande sucesso, mãe extremosa, palestrante, oradora inigualável. Pois muito bem, numa tarde de sábado a comadre estava no banho quando seu marido, meu saudoso compadre, soltou um grito no terreiro da fazenda onde conversava com o administrador.

Assustada, a comadre enrolou-se numa toalha e correu para a varanda a tempo de assistir, durante minutos, à passagem de um OVNI em forma de charuto que voava devagar sobre a estradinha rural, a um quilômetro da sede da fazenda.

À noite, comentando o avistamento com o fazendeiro vizinho, seu irmão, ouviu dele a notícia de que os OVNIs eram “moradores” da região e que ela poderia consultar qualquer peão da fazenda para confirmar o fenômeno.

Consultou-os e confirmou os avistamentos frequentes. A comadre e o compadre só contavam o fato aos amigos íntimos pelo receio de cair no ridículo.


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Eucaliptos – Visitei uma fazenda, ele há muitos anos, em que a jovem herdeira, loura e bonita, dinamarquesa de primeira geração, passou a tarde falando mal do eucalipto, enquanto sua avó e o visitante bebíamos gim. Era o segundo litro que a vó abria naquele dia. Fiquei impressionado com a sua cozinha, corredor comprido de um metro de largura, com todos os equipamentos de uma cozinha moderna. Dinamarquesas trabalham, mas a netinha condenava o exotismo do eucalipto, como se dinamarquês de primeira geração fosse brasileiro autóctone.

Mestre Aurélio abona o autoctonismo para os nossos indígenas, mas me permito discordar do saudoso amigo. Os nossos índios também vieram de longe. Foram, portanto, anteriores aos portugueses e às demais etnias que construíram o país destruído pela gerenta incompetenta. Pior que o governo Rousseff só mesmo o Estado Islâmico. E a governanta, ela sim, é brasileira de primeira geração, considerando que seu pai era alóctone, isto é, não originário do país em que se casou e produziu a rebenta. Não por acaso, rebentinha significa acesso de fúria, raiva, ira, comum na incompetenta com os ministros que se submetem às descomposturas com os respectivos rabos entre as pernas.

Volto ao eucalipto para informar ao leitor de Marcia Lobo que, numa fazenda, não há nada mais útil do que um eucaliptal. Creio desnecessário falar da importância do eucalipto na produção de celulose, placas de madeira, postes, mourões de cerca e as mais utilidades que você possa imaginar.

Já plantei café num terreno que foi eucaliptal durante 35 anos, o solo entre os tocos estava perfeito e o café produziu muito bem, desmentindo aquela conversa de que o eucalipto seca a terra. Nos primeiros anos pode ressecar pelo tanto que cresce, mas compensa a maldade depois de algum tempo com a camada de folhas que cobrem o terreno. Tão alta, que os cavalos têm dificuldade de transitar por ali.

A utilidade numa fazendola vem da lenha para o fogão e a lareira, e das toras para pequenas construções. Falei das dinamarquesas aí atrás e sei que a ciência da Dinamarca acusa o fogão a lenha de todos os males do planeta, informando que ele, fogão doméstico, equivale ao consumo de dois maços de cigarros, por dia, para cada um dos moradores da casa. Um pouco mais para as mulheres do que para os homens, que ficam menos tempo dentro das casas.

Explico: você nunca fumou um cigarro, mas sempre residiu numa casa que tem fogão a lenha. Por isso, fumou dois maços por dia desde o dia em que nasceu. Presumo que as consequências das lareiras sejam iguais ou piores, sem olvidar o fato de que uma casa com lareira e fogão a lenha tem dois fogos crepitando. Compete à ciência explicar se lareira e fogão equivalem a quatro maços fumados por dia.

Foi o que li no Estadão: 50% das mortes por poluição no Brasil têm relação com o uso do fogão de lenha. No planeta, três bilhões de almas usam a combustão da lenha e do carvão para cozinhar. O nome do perigo é PM2.5, partículas minúsculas, equivalentes a 2,5 mícrons (milionésimos de milímetros). A partir daí os cálculos são complicados, incluem casas que têm fogão a lenha sem chaminé ou com chaminé, cidades em que os níveis gerais de poluição variam de mínimos a muito altos, estudos feitos pelo pesquisador Ricardo Teles, da Universidade de Aalbrog, na Dinamarca, e as situações mais sérias foram anotadas na Índia (700 milhões de pessoas queimam combustível para cozinhar) e nos países da África subsaariana. No Brasil, 96% das residências têm fogões a gás, média que cai para 93% no Norte e para 91% no Nordeste.

A Universidade de Aalbrog se esqueceu de dizer que os 50%, se não morressem da PM2.5, morreriam de outra coisa como sói acontecer nas regiões que usam fogões elétricos ou a gás. E assim, depois do ele há, dos alóctones e dos autóctones, recorro ao verbo soer, do latim solere, para encerrar estas bem traçadas. Pela atenção, muitíssimo obrigado.


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Mineiros – João Guimarães Rosa escreveu “Minas é muitas”, mas se esqueceu de informar que o mineiro também varia muito. 
Como é possível que Pedro Aleixo, Milton Campos e Abgar Renault tenham sido coestaduanos de Dilma Rousseff, Ruy Falcão e José Dirceu?

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Ruminanças 
– “É nojento o entusiasmo do prefeito Eduardo Paes ao aplaudir a senhora Rousseff” 
(R. Manso Neto).

 

FONTE: Jornal da ImprenÇa.



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