Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Leite

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 10/08/2014 04:00

Do latim dies dominìcus “dia do Senhor”, o domingo continua sendo um problemão da roça por ser o dia consagrado, entre os católicos e outros cristãos, à oração e ao descanso. Nas fazendas leiteiras está ficando impossível arranjar empregados que não exacerbem seu cristianismo no dies dominìcus, daí o fato de muita gente estar vendendo as vacas e parando com o leite.Com os preços hoje recebidos pelo produtor, cada retireiro custa cerca de 80 litros/dia: dois salários mínimos, férias e décimos-terceiros. Tem casa, luz, pomar da sede, galinhas no terreiro, engorda um porquinho, escola rural para os muitos filhinhos. Não há um só obreiro que não tenha motocicleta para “viajar” de casa para o estábulo e vice-versa ao contrário. Pode não ser o paraíso terrestre, mas é dez mil vezes melhor do que morar nos subúrbios das grandes cidades com os nossos transportes coletivos.

Quanto ao fazendeiro, que insiste na produção de leite, é vicio melhor que os outros, crack, coca, nicotina e álcool, mas é vício: um mau negócio em que você trabalha com bichos abençoados. Num dos meus livros calculei o crescimento de um lote de 10 vacas mestiças, adaptadas ao meio, estabelecido o fato de que a eficiência reprodutiva do rebanho normalmente não chega aos 100% ao ano, metade machos, metade fêmeas. 

No primeiro ano temos 10 vacas e 5 bezerras = 15 fêmeas. No segundo ano, 10 vacas, 5 garrotas (bezerras de sobreano) e 5 bezerras = 20 fêmeas. No terceiro ano, 10 vacas, 5 novilhas de dois anos, 5 garrotas e 5 bezerras = 25 fêmeas. No quarto ano, 15 vacas, 5 novilhas, 7 garrotas e 7,5 bezerras = 32,5 fêmeas. No quinto ano, 20 vacas, 5 novilhas, 7,5 garrotas e 10 bezerras = 42,5 fêmeas.

A partir do sexto ano, ainda com as 10 primeiras vacas perfeitamente “operacionais”, o negócio se transforma numa loucura: são 25 vacas, 7,5 novilhas, 10 garrotas e 12,5 bezerras = 55 fêmeas. Sete anos, mesmo na roça, passam muito depressa. É claro que você vendeu fêmeas refugadas e perdeu fêmeas acidentadas, picadas de cobras, coisas que acontecem. É claro, também, que lápis e papel aceitam qualquer coisa, mas que a vaca é um bicho abençoado, é. Se você começar com 30 vaquinhas, terá 165 no mesmo período.

O que atrapalha é o leite. Se fosse possível inventar uma pecuária leiteira com vacas adaptadas ao meio, sem vender leite, estaríamos diante de um dos melhores negócios do mundo. E tem mais uma coisa: no primeiro ano, nasceram 5 machinhos, mais 5 no segundo ano e 5 no terceiro, quando você já tinha 5 bois para vender ao açougueiro. Quanto às 7,5 bezerras que pintaram no pedaço impresso, paciência: a exemplo do lápis e do papel, o computador aceita quase tudo.

Rebanho adaptado ao meio, criado com um mínimo de cuidados, tem um crescimento extraordinário: a partir do sétimo ano tem vaca e bezerra que não acaba mais. Diante disso, não chega a causar espanto que tanta gente se vicie no negócio leiteiro. 

Sonhos 

Sem ser onirócrita, peço licença para exercitar a onirocrisia, que é a arte, a técnica de interpretar e analisar os sonhos, mesmo os maus sonhos chamados pesadelos. E o pacientíssimo leitor, que me conhece faz tempo, sabe que não sou de deixar para amanhã as palavras que aprendo hoje, caso de onirocrisia e onirócrita.

Deu-se que dormi mal à beça e à bessa, quatro horas depois de ter comido pouquíssimo e não ter bebido mais que água mineral sem gás. Como explicar a sucessão de pesadelos? Sonhos bons são ótimos, ao contrário dos sonhos maus, que me deixam encucado. Lembro-me dos dois últimos da tal noite maldormida. 
Sem exercitar a onirologia, não me custa recordar ao leitor do Estado de Minas que a primeira edição de A Interpretação dos Sonhos, em 1899, o mais importante trabalho de Freud, que lhe rendeu exatos 209 dólares, só se esgotou depois de oito anos. Edição de escassos 600 exemplares, sobre um assunto que o autor dizia: “Uma inspiração como esta só vem uma vez na vida”. Vendeu menos que o meu Bumerangue, romancinho da melhor supimpitude.

O mundo é uma bola 

10 de agosto de 258: Lourenço de Huesca (225-258), um dos setes primeiros diáconos (guardiães dos tesouros da igreja cristã sediada em Roma) foi martirizado. O cargo de diácono era de grande responsabilidade e consistia no cuidado com os bens eclesiais e na distribuição de esmolas aos pobres. No ano 257, o imperador romano Valeriano decretou a perseguição aos cristãos, detendo e decapitando no ano seguinte o papa Sisto II. Lourenço foi grelhado, canonizado e hoje é nome de município sul-mineiro, terra do excelente Eugênio Ferraz.
Em 1500, depois de dobrar o Cabo da Boa esperança, Diogo Dias encontrou uma ilha à qual deu o nome de São Lourenço, hoje Madagáscar. Em 1965 nasceu Eduardo Henrique Accioly Campos, candidato à presidência da República Federativa do Brasil.

Ruminanças 

“Saco não é palavra-ônibus, mas a Copa das Copas foi um saco na opinião meditada do Alvinho, grande jornalista e pescador” (R. Manso Neto).

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