Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Safra
Se a democracia é o governo em que o povo exerce a soberania, alguém precisa encontrar uma fórmula de a soberania ser exercida pelo melhor do povo

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 12/09/2014 04:00

Razão tinha o senhor Edson Arantes do Nascimento quando constatou que o brasileiro não sabe votar. Foi muito criticado e houve quem sustentasse que só votando aprendemos a votar. É, bebé? Pense nesta safra, quase contínua, eleita pelo voto secreto e democrático: Jânio da Silva Quadros, João Belchior Marques Goulart, de alcunha o Jango, José Ribamar de Araújo Costa, de alcunha o José Sarney, Fernando Affonso Collor de Mello, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Vana Rousseff.A partir do momento em que a campanha de um custa 900 milhões e outro diz que só vai gastar 100 milhões, o negócio deixa de ser democrático. Se há manipulação da imagem vendida ao eleitor, a eleição deixa de ser honesta. Como atribuir o mesmo peso aos votos de analfabetos e letrados? Dir-se-á que o analfabeto conhece a periferia onde vive, mas desconhece a escolha do melhor candidato para tentar melhorar sua situação.

Quem foi que disse que o peso do voto de um FHC, de um José Carlos Resende Alves deve ser igual ao dos outros eleitores, mesmo alfabetizados? O voto de um Magnoli, um Augusto Nunes, um José Nêumanne pode valer a mesma coisa que o sufrágio do Zé das Couves? É democrático? 

Se a democracia é o governo em que o povo exerce a soberania, alguém precisa encontrar uma fórmula de a soberania ser exercida pelo melhor do povo, mas o melhor, tanto no Brasil como na Indonésia, nunca foi maioria. Outro dia descobri que Minas Gerais tinha oito candidatos ao governo: oito! Depois, um desistiu: ficaram sete! Só pode ser piada. Governo de um estado é coisa séria. Administração de uma prefeitura já é coisa seríssima. E o que se vê nos mais de 5 mil municípios brasileiros, com raras exceções, é de assustar e entristecer.

Depois da safra listada no início deste suelto, dou razão ao anarquista espanhol que naufragou, nadou até uma praia desconhecida e perguntou ao primeiro sujeito que viu: “Hay gobierno? Soy contra!”.

Currente calamo 

Noite bem dormida, manhã bonita, frio cachorro, café tomado, charuto aceso, ótimas condições para escrever currente calamo, isto é, ao correr da pena, de maneira espontânea, sobretudo e principalmente depois que dei um grito: cornaca! Felizmente moro sozinho. Que pensaria uma parceira que me visse gritando esse substantivo? Só agora, aberto o computador, constato que cornaca entrou em nosso idioma no ano de 1554, vindo do cingalês, onde também significa “amansador de elefante”. O motivo do grito foi o tal livro sobre 14 dias de viagem à Índia, que vi sobre o sofá da sala quando me dirigia para o café.

A maluquice matinal suscita o assunto memória: que levaria um sujeito a guardar, durante anos, o nome do condutor, do amansador de elefante? Deve ocupar espaço precioso na memória de um philosopho pobre de neurônios, mas permite que se espiche esta conversa currente calamo para associar o cornaca ao smartphone, aos edifícios inteligentes e a todos os demais produtos inteligentes que nos são vendidos de cotio, a cote, cotidianamente.

Por quê? Ora, porque o elefante é dotado de pênis inteligente, smartpenis, como aprendi num livro do zoólogo Robert A. Wallace, Ph.D. pela Universidade do Texas (Austin). Órgão gigantesco, entre 1,20m e 1,50m, que assume ereto a forma de um “S” e procura sozinho a vulva da senhora elefanta para ejacular sob alta pressão. Há detalhes no sexo proboscídeo que não posso contar, porque este é um jornal lido pela família mineira, mas posso mudar de assunto para falar de moda.

O conceito de feio e bonito é muito relativo. O que acho bonito pode ser feio para o leitor e a leitora, mas creio ter descoberto método infalível para determinar o que é feio, horrível, pavoroso em matéria de calçados. Distante 86km de Uberlândia, Minas tem o município de Romaria, cidade famosa quando festeja Nossa Senhora da Abadia, no princípio de agosto.

Dezenas de comerciantes levam seu produtos para vender em barracas improvisadas. Pois muito bem: desde que foram inventados os calçados no final do Período Paleolítico, cerca de 10 mil a.C. (fonte: Wikipédia), nunca se viu nada tão feio como as botinas à venda em Romaria. Basta fotografá-las e comprar botinas diferentes para ter calçados bonitos. 

O mundo é uma bola 
12 de setembro de 1297: o Tratado de Alcanizes define as fronteiras entre Portugal e Castela. Em 1309, aproveitando a definição daquelas fronteiras, casamento do infante D. Afonso, futuro rei D. Afonso IV de Portugal, com a infanta Beatriz de Castela, filha do rei Sancho IV de Castela. Entre gritos de “estou-me a vir” (em castelhano) tiveram oito filhos. Afonso IV foi a óbito na flor dos seus 66 aninhos.

Em 1720, criação da Capitania de Minas Gerais. Em 1814, Francis Scott Key compõe The Star-Spangled Banner, o hino americano. Em 1936, inauguração da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1978, decreto regional sanciona a Bandeira da Madeira, terra do craque Cristiano Ronaldo, que, por sinal, não é tatuado. Em 1902, nasceu Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Ruminanças 
“Não há pior prostituição que a da palavra” (Guilherme Figueiredo, 1915-1997).

 

 

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