Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Manchetes, Patrocínio, Romanada, Sentimento e Certeza

Manchetes – Do Oiapoque ao Chuí, não há dia em que não se fique sabendo que, mesmo nas chamadas penitenciárias de segurança máxima, os presos continuam comandando suas quadrilhas através de telefones celulares. É difícil impedir a entrada de tais aparelhos nas penitenciárias, a partir do momento em que uma senhora ao visitar o preso, seu marido e senhor, no presídio de Paracambi, RJ, transportava quatro celulares, algumas baterias e boa dose de maconha num único dos orifícios de sua anatomia. Fato que provocou, dia seguinte, imensa manchete no jornal regional: “Que vaginão!”.

Hoje, com os minicelulares chineses do tamanho de uma tampa de caneta, periquitas comuns transportam duas ou três dúzias.

Para entender Cuba e os cubanos antes, durante e depois do comandante Fidel Castro Ruz é importante recordar que Roberto Campos, quando jovem diplomata servindo em Havana muitos anos antes do paraíso castrista, nos contou em seu livro de memórias que um rapaz matara sua mãe a machadadas. A manchete dizia: “Mató su madre sin motivo justificado”. Um outro, para roubar cinco pesos de uma velhinha, que remexia um caldeirão de sabão fervente, atirou-a na grande panela. A manchete dizia: “Que barbaro consommé de viejita!”.

Patrocínio – Amparo, ajuda, auxílio, custeio total ou parcial de espetáculo, apoio como estratégia de marketing, patrocínio é tão importante que um dos mais famosos jornalistas brasileiros se chamava José do Patrocínio (1854-1905). Vaí daí que um blog metido a besta, com a pretensão de se transformar num espetáculo, pode sonhar com patrocinadores que ajudem o blogueiro a pagar suas contas.

Tem aquele caso do dono de um jumento que vendia as coberturas do distinto por 20 mil-réis e conseguia, com essa quantia ridícula, contentar quatro almas: a dele, a do jumento, a da égua e a do proprietário da fêmea do cavalo.

O patrocínio do meu blog, 16 mil-réis por dia ou 500 reais por mês, vai pelo mesmo caminho. É uma ninharia para a empresa patrocinadora e deixa o blogueiro feliz que nem pinto na bosta. Tudo, evidentemente, contra recibo. No mais, só copiando a Marselhesa: Aux armes, citoyens.

Romanada – Romana é balança constituída por alavanca com braços desiguais, suspensa por uma argola; o braço menor sustenta o objeto que se quer pesar, o braço maior é graduado e possui um peso que corre até equilibrar os dois braços. Romano moderno, na rubrica artes gráficas, é o tipo caracterizado por sua regularidade e simetria com base em um eixo vertical, serifas retas e finas, precisão e contraste acentuado nos traços finos e grossos. Romanada é família mineira da melhor supimpitude, natural do Morro do Ferro, município de Oliveira.

Temos agora o acadêmico Olavo Romano lançando o livro “A Cidade Submersa e outras histórias sortidas”, com o estilo e a graça que lhe são peculiares, grande contador de histórias que sempre foi.

Causídico, causeur, mestre da causerie, Olavo Celso Romano, excelso na amizade e no texto, dedica seu livro a Kátia “companheira de vida e sonho”.

A Editora Ramalhete, que adotou fonte ilegível para botar na capa do livro, ameaça com todas as penas do inferno a pessoa que ousar transcrever um trecho, um parágrafo, uma frase do grande Romano. Fica o registro.

Sentimento – Nunca vi de perto o político Sérgio Cabral Filho, mesmo passando quatro dias hospedado em casa de um amigo diante da casa do então governador do RJ, que, por sinal, passava o feriadão em Mangaratiba. Nunca vi de perto a advogada Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral Filho. Suponho que estivesse com o marido no tal feriadão. Da casa em que me hospedei dava para ver os PMs que guardavam o paraíso cabralino.

Cidadão deste país grande e bobo fiquei revoltado com a ladroeira do casal no estado em que nasci, como também ficaria se os dois assaltassem as Alagoas, estado sob jurisdição de outros ladrões conhecidíssimos.

Isso não obstante, devo confessar que as fotos de Cabral preso em Bangu, de Adriana presa no mesmo complexo penitenciário, não me alegram. Fico triste. Preferia ter nascido num estado e num país em que o casal não tivesse roubado.

Certeza – Certezas são muito perigosas porque geralmente erram, mas tenho a certeza de que o governo Trump será  melhor do que se prevê. Minha convicção se baseia no seguinte: é impossível ser igual ou pior que as previsões.

Ridículo, Isonomia, Redes, Mistério e Em pandarecos

Ridículo – Falta ao novo prefeito de São Paulo, empresário João Dória, uma assessoria que o preserve do ridículo, do escárnio, da zombaria inevitáveis se continuar na idiotice de suas exposições marqueteiras. Gari é profissão digna e útil à sociedade, aliás utilíssima, sem que haja cabimento no fato de um prefeito se vestir de lixeiro. O conjunto de atividades de marketing destinadas a influenciar a opinião pública sobre ideias relacionadas à atividade política, ações governamentais, campanhas eleitorais etc. sempre teve limites.

Pelo andar da carruagem, ao visitar um dos inúmeros pancadões que atormentam as noites de sua cidade, o prefeito paulistano precisará cheirar carreirinhas, fumar baseados e transar ao vivo e em cores com a primeira jovem que encontrar. A cidade, o estado e o país dispensam tamanho ridículo.

Isonomia – Como termo jurídico, isonomia é o princípio geral do direito segundo o qual todos são iguais perante a lei.

Num país em que inúmeros governadores estaduais roubam milhões, muitos presidentes roubaram milhões, centenas ou milhares de prefeitos roubam milhões, é mais que justo, é isonômico que o diretor de uma penitenciária manauara, responsável pelo controle de centenas de presos de diversas facções da mais alta periculosidade, também defenda os seus caraminguás.

Amazonenses, roraimenses, gaúchos, catarinenses, pernambucanos, paulistas, maranhenses – os diretores dos presídios ganham uma tuta e meia para exercer atividade perigosíssima, das mais perigosas do mundo. E são denunciados, afastados, investigados, fotografados, coitados, quando embolsam meia dúzia de reais para permitir a entrada de um celular, 200 maços de maconha, alguns quilinhos de cocaína – tratamento que não é isonômico.

Redes – São chamadas de redes sociais, mas a maioria é antissocial do tanto que inventa, ataca, ofende, mente. Não deixa de ser curiosa a importância que as pessoas, quase todas, dão às redes sociais, ao que nelas é veiculado, quando é óbvio que o mundo pode e sempre pôde passar sem elas.

Mistério – Alta, magra, linda, poliglota, inteligente, mãe, jovem, simpática, brilhante jornalista, Joana Calmon era top na GloboNews, dava de dez a zero na maioria das colegas. De repente, sem aviso prévio, foi parar na Band, rede que não está nadando em ouro. Foi o fato mais espantoso do planeta tevê a cabo no ano de 2016 e passou batido, como se fosse normal. Algo muito sério deve ter acontecido. Se alguém souber o que houve, me conte, por favor.

 

Em pandarecos – Elegante, educado, alfabetizado – nunca antes na história deste país um homem foi tão odiado quanto o paulista Michel Miguel Elias Temer Lulia. Por qualquer motivo e até sem motivo algum milhões de patrícios exibem cartazes e gritam “Fora Temer”, a imprensa especula sobre o tempo que lhe resta na presidência, as redes sociais e os delatores da Odebrecht insinuam malfeitos, muita gente, mas muita gente mesmo acha que ele é o culpado pelo PIB negativo, pelos 12 milhões de desempregados, pela falta de chuvas no Nordeste, pelo excesso de chuvas no Sul. E o certo é que ele herdou um país em pandarecos, sem que fosse o principal responsável pelo quadro que aí está.

Não o conheço pessoalmente. Nunca o vi de perto. Jamais votei nele. Por isso, me sinto muito à vontade para dizer que não entendo esta raiva, esta michelfobia nacional.

Sua parcela de culpa na situação atual não é maior que a de milhares de pessoas e instituições, a começar pelos ladrões do PT seguidos pelos gatunos de outros partidos.

Enquanto philosopho, claro que fiquei horrorizado com a sua poesia e com a carta que escreveu à Búlgara queixando-se da vice-presidência “decorativa”. Poesia e carta ridículas, contudo, nunca foram crimes capitulados no Código Penal.

É certo que os seus ministros, quase todos eles, não são flores que se cheirem, mas cabe a pergunta: onde encontrar flores cheirosas na política brasileira? Admito que existam sem que sejam fáceis de encontrar. Nossos eleitores mais parecem insetos dípteros esquizóforos da subordem dos ciclórrafos, moscas atraídas pela merda.

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FONTE: philosopho.com.br



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