Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Sexologia
Com R$ 22 mi o %u2018multimilionário%u2019 compra apartamento não muito luxuoso na Avenida Delfim Moreira, no Rio, e fica sem dinheiro para botar gasolina no carro blindado

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 14/09/2014 04:00

 

Parodiando personagem do Eça, a modesta situação dos meus pais não me permitiu a honra vantajosa de conhecer uma francesa. Que me lembre, além das nacionais só portuguesas, paraguaias e norte-americanas, as duas últimas nacionalidades mediante justa remuneração em moeda corrente. 

Dizem que os franceses sempre estiveram na vanguarda em questões sexuais e o presidente François Hollande, com aquela barriguinha, parece confirmar o boato. Primeiro, teve quatro filhos sem se casar com Ségolène Royal, trocou-a pela jornalista Valérie Trierweiler, que já se considerava primeira-dama quando descobriu que le président tinha um caso com Julie Gayet, linda atriz mais moça que ela.

Agora, o jornal Le Figaro listou algumas gírias que fazem sucesso na França, país que inventou um dos maiores fetiches da humanidade, o ménage à trois, de larga aplicação no Brasil em famílias ricas e famosas. Na lista dos novos “eventos” sexuais há o mélangisme, que é uma espécie de orgia regrada entre dois ou mais casais heterossexuais. São permitidas carícias e outras coisas que minha pudicícia me impede de relacionar, mas rigorosamente proibidas as penetrações.

Pornocchio, mistura de “pornô” e “Pinóquio”, é novidade em França e muito comum nestas Minas Gerais: palavra usada para definir o sujeito que exagera na hora de se gabar de suas conquistas sexuais. Conheço inúmeros. E bangover, anglicismo, contração de “bang” (transa) e “hangover” (ressaca), segundo Le Figaro tem sido usada em França para definir aquele estado de quem fica fora de órbita no dia seguinte a uma noite de sexo espetacular. Em Minas o artista levita, do verbo levitar, tem a sensação de se erguer por cima do solo sem nada visível que o suspenda ou sustenha.

Serxorcisme, em português “sexorcismo”, é ir para a cama com alguém para se esquecer do ex: sai deste corpo que não te pertence! Sexit é a expressão “sair à francesa” levada às últimas consequências: troca-se um evento por uma escapada sexual. Brilhante providência, considerando que as escapadas podem ser deliciosas, enquanto os eventos são todos muito cacetes. 

Tolices 

No afã, na sofreguidão de noticiar qualquer coisa, mesmo que seja uma tolice como a ida à praia do casal Hulk com a filha Eva, um provedor de internet foi buscar num relatório da consultoria New World Wealth a informação de que o Brasil é o décimo país com a maior concentração de multimilionários e São Paulo a 17ª cidade do planeta em número de super-ricos. Veja o leitor a sutileza aqui do degas, que copiou a notícia sem escrever “décimo país do mundo”, considerando que não há país que não seja do mundo, mas fez questão de escrever 17ª cidade do planeta, pois as cidades tanto podem ser de um como de outro país.

A matéria seria respeitável se a consultoria New World Wealth não fosse sul-africana e sua definição de multimilionário não estivesse limitada aos indivíduos que têm ativos a partir de modestíssimos US$ 10 milhões, pouco mais que R$ 22 milhões. Ora, com R$ 22 milhões o “multimilionário” compra apartamento não muito luxuoso na Avenida Delfim Moreira, no Rio, e fica sem dinheiro para botar gasolina no carro blindado. Aqui mesmo na capital de todos os mineiros há residências que o “multi” não compra com R$ 22 milhões. 

Pelos critérios sul-africanos, o Brasil tem 10,3 mil multimilionários e São Paulo 4,4 mil deles. No ranking urbano Hong Kong lidera com 15,4 mil, Nova York tem 14,3 mil e Londres 9,7 mil. Moscou ocupa a 5ª posição, a Cidade do México a 10ª, Pequim a 13ª, Xangai a 19ª e a indiana Mumbai a 24ª. 

Os Estados Unidos tem 183,5 mil, a China 26,6 mil e a Alemanha 25,4 mil. O planeta, pelos critérios da consultoria sul-africana, tem 495 mil multimilionários, com um aumento de 71% nos últimos 10 anos. Não deixa de ser curioso notar que a China ainda é um país comunista e a Alemanha foi arrasada pela II Grande Guerra.

O mundo é uma bola 

14 de setembro de 1210: fundação da ordem religiosa dos Crúzios. Em 1514, fundação da ordem religiosa dos Teatinos. Em 1741, cês tão pensando na fundação de outra ordem religiosa, né? Pois fiquem sabendo que foi criado o município gaúcho de Viamão, onde passei bela tarde em doce companhia no ano de mil novecentos e muito antigamente.

Em 1812, invasão de Moscovo pelas tropas de Napoleão, que entraram em Moscou, mas a Wikipédia foi escrita no português de Portugal, neste caso ainda sem revisões, modificações e maldades dos computadores do Palácio do Planalto. Em 1844, reconhecimento pelo Brasil da independência do Paraguai. Em 1867, lançamento na Alemanha do primeiro volume de O capital, de Karl Marx, muito louvado e nunca lido pelos nossos comunas.

Em 1917, a Rússia é oficialmente proclamada uma república, quando procurou seguir os ensinamentos de Marx e deu no que deu. Em 1999, desmoralização da ONU: Kiribati, Nauru e Tonga são oficialmente admitidos como Estados-membros. 

Ruminanças 

“Humorista que já vem rindo: espécie sinistra” (Guilherme Figueiredo, 1915-1997).

 

 
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