Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

TIRO E QUEDA
Futurologia  
Dá para imaginar a utilidade de contar com um negócio que nos avise quando a lata de lixo está cheia, função que tem ficado por conta da comadre

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 14/01/2015 04:00

 

Talvez não dê para o Luiz Inácio, mas o Lulinha e os outros filhos que ele teve com a Galega devem curtir as mudanças que a conexão 5G fará no mundo. A nova tecnologia, di-lo a BBC BRASIL.com, permitirá a existência de cidades inteligentes e interconectadas, cirurgias realizadas à distância de milhares de quilômetros e a interconexão digital de todos os nossos objetos cotidianos. Muito provavelmente permitirá, diz aqui o philosopho, a interconexão digital do marido com a mulher e vice-versa ao contrário. 

Tempo virá – e não demora muito – em que as pessoas começarão a usar roupas que se conectam à internet, comprar carros sem motorista, que se conectam com outros veículos para evitar acidentes. Geração que vai precisar de uma conexão muito mais rápida até para avisar – e aqui vai uma tolice tecnológica – quando as latas de lixo estão cheias. Ora, bolas: conexão 5G para avisar que a lata de lixo está cheia?

Começou a corrida mundial para desenvolver a internet 5G e os cientistas prometem fazer tudo diferente. O uso de robôs e a imersão das coisas na internet (IoT na sigla em inglês), ou seja, a interconexão digital. Cenário que deve ser comum em apenas seis anos: a partir a 2020, cientistas, governos e empresas de comunicações fazem planos para começar a usar a 5G, quando o atual número de conexões será multiplicado por 10.

O professor Rahim Tafazolli, que comanda o Centro de Inovação 5G da Universidade de Surrey, Inglaterra, acredita que será possível contar no futuro com uma conexão de dados sem fios a 800 Gigas por segundo, o que significa uma conexão 100 vezes mais rápida que as 5G que já estão sendo testadas. Uma velocidade de 800 Ggpse equivaleria a baixar 800 filmes em HD em apenas um segundo, 8 mil filmes em 10 segundos. Tenho um amigo que já viu, anotando em fichas, 14 mil filmes. 

Voltando à 5G, uma de suas características é que “não poderá falhar. Terá o nível de confiança que atualmente existe com as conexões de fibra ótica”, diz a cientista Sara Mazur, da Ericsson, empresa que prevê que o período de latência da 5G ficará em torno de um milissegundo, ou seja, imperceptível aos seres humanos e 50 vezes menor que a 4G.

Dá para imaginar a utilidade de contar com um negócio que nos avise quando a lata de lixo está cheia, função que tem ficado por conta da comadre que me assiste em domicílio. 

Ministério 

No ministério de dona Dilma, cabe tanta gente que me lembra um ônibus, marinete no regionalismo de Alagoas, Sergipe e da Bahia. Como sabe o leitor, esse regionalismo é devido a Filippo Tommaso Godoy Marinetti (1876-1944) escritor, poeta, editor, ideólogo, jornalista e ativista político italiano, criador do movimento futurista, cujo manifesto publicou no jornal parisiense Le Figaro, em fevereiro de 1909.

André Gide fez de Filippo Tommaso uma análise que se aplica à esmagadora maioria dos nossos atuais ministros: “Marinetti goza de uma ausência de talento que lhe permite todas as audácias”. Quando este primoroso philosophar, no dia 7 de janeiro, chegou a “todas as audácias” de Gide, tomei conhecimento do ataque aos jornalistas da revista Charlie Hebdo. Troquei o computador pela tevê no momento em que Obama e o papa Francisco utilizavam os adjetivos ultrajante e abominável para qualificar o ato praticado pelos “suspeitos”. Pois é, os sujeitos se vestem de preto, portam fuzis Kalashnikov, matam uma porção de gente e continuam suspeitos, mesmo depois de um dos tiros, que matou o policial deitado na calçada, ter sido filmado de uma janela.

Ultrajante e abominável é também o jornalista brasileiro que chama de suspeito um criminoso filmado atirando e matando. A partir daí, foram quatro dias de tevê, com intervalos para dormir, e um besteirol abominável e ultrajante de uma porção de professores de relações internacionais, cientistas políticos e outros “especialistas” ouvidos pelos canais de tevê. Não todos, é verdade, mas a maioria. Donde se conclui que a burrice disputa com a violência o pódio da nossa tevê. 

O mundo é uma bola 

14 de janeiro de 1506: a escultura clássica Laoconte e seus filhos (Grupo de Laocoonte) é redescoberta em Roma por Felice de Fredi e vendida de imediato ao papa Júlio II. Dia 8 de dezembro passado foi inaugurada em Ipanema, no Rio, a estátua de Tom Jobim. É duro imaginar que em poucos dias estará pichada, a exemplo do que se faz com a estátua de Carlos Drummond em Copacabana, e foi feito com a estátua do nosso Roberto Drummond, em Belo Horizonte.

Em 1724, o rei Felipe V, de Espanha, abdica em favor de seu filho mais velho. Nascido em Versalhes e conhecido como Felipe de Anjou, foi rei da Espanha de 1700 a 1746, sendo o primeiro monarca espanhol da Dinastia de Bourbon. Era neto do rei francês Luís XIV e governou também os reinos de Nápoles até 1707, e da Sicília até 1713. A partir de 8 de setembro de 1724, teve um segundo reinado na Espanha até 1746. Sei lá o que aconteceu com o seu filho e tenho a certeza de que o leitor também não se interessa. Hoje é o Dia do Treinador de Futebol.

Ruminanças

“Quem negará ao futebol esse condão de catarse circense com que os velhos sabidos de Roma lambuzavam o pão triste das massas?” (Oswald de Andrade, 1890-1954).

 

TIRO E QUEDA
Serviço  
É o suprassumo da ignorância: se num suposto assalto 20 bandidos matam duas pessoas, no assalto verdadeiro não deixam um sindicalista vivo

 

Eduardo Almeida Reis

Publicação: 15/01/2015 04:00

 

Vivo repetindo que jornalismo é serviço, ainda que certos profissionais prestem serviços da pior qualidade, já porque estão na gaveta dos governantes, já porque ligados a certas empresas que se confundem com as quadrilhas. Ou, então, porque são mesmo limitados, como os muitos que insistem em chamar de suspeito um serial killer, autor confesso de vários crimes, ou informam que num suposto assalto foram mortos o presidente e a tesoureira de um sindicato paulista. É o suprassumo da ignorância: se num suposto assalto 20 bandidos matam duas pessoas, no assalto verdadeiro não deixam um sindicalista vivo.

A internet vem sendo criticada pelos malfeitos dos malfeitores que dela se valem. Rede de computadores dispersos por todo o planeta, que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo comum, unindo usuários particulares, entidades de pesquisa, órgãos culturais, institutos militares, bibliotecas e empresas de toda envergadura – a internet nos presta serviços inestimáveis em termos de informação, inteligência, cultura, ciência, arte e o mais que o leitor possa imaginar, serviços de graça ao alcance de um clique dos nossos computadores domésticos. Destaco dois endereços eletrônicos de brasileiras que não conheço pessoalmente, mas tenho na conta de queridas amigas, uma paulista e uma carioca.

Sugiro que o leitor interessado no que há de muito bom na rede anote e visite os dois sites, que tento escrever abaixo, limitado pelos problemas da diagramação do jornal. Por isso, vão aos pedaços e o seu trabalho será somente o de juntar todos no mesmo endereço. O primeiro, da carioca, é: http://antesqueeumeesqueca.weebly.com/jornal- da-imprenccedila. html. Juntando tudo – de http. até html. –, garanto que você vai encontrar um site inteligentíssimo feito pela jornalista Marcia Lobo, karisi Moacir Japiassu. Claro que ninguém sabe o que é karisi em turco, mas em francês é épouse e em inglês é wife. O outro site enriquecedor da nossa existência é o da paulistana Fabia Vitiello Azevedo, sexóloga, tradutora, autora de livros excepcionais: http:// dropsdafal.com.

Errores 

Penitencio-me das muitas vezes que usei, dourando a pílula, homoafetividade em lugar de homossexualidade. E me penitencio pelo seguinte: afetividade e sexualidade não são a mesma coisa. Pode haver afetividade sem sexo, como também existe, mesmo nos casamentos entre pessoas de sexos diferentes, sexualidade sem afetividade. Na prostituição, nem se fala. E o assunto veio à liça, lugar onde se discutem questões graves e de importância, numa hora em que me sentei diante do computador para falar de um assunto “original”, que tem servido de tema para o filosofar midiático botequineiro: palmas para o pôr do sol. 

Há crepúsculos vespertinos muito bonitos, assim como há crepúsculos matutinos lindos. Por aí, deu para perceber que o substantivo crepúsculo não serve apenas para o pôr do sol: é a claridade no céu entre a noite e o nascer do sol ou entre seu ocaso e a noite, devido à dispersão da luz solar na atmosfera e em suas impurezas. Daí para bater palmas, aplaudir a cena, vai uma esquisitice difícil de explicar e engolir, que nos lembra conhecido governador de Minas, suposto de ser muito ignorante, quando discursou: “Ao povo que me aplaúde…”. Num ataúde sua excelência, há decadas, subiu aos céus.

Aplaudir, bater palmas em sinal de aprovação, aprovar (algo ou alguém) através de aplausos, é coisa que faço para Fernanda Montenegro, FHC, Joaquim Barbosa, o juiz federal Sérgio Moro e mais meia dúzia de pessoas e situações. Bater palmas para o pôr do sol ultrapassa o meu entendimento de philosopho, mesmo porque preciso aproveitar o espaço que me resta neste belo suelto para transcrever, ipsis litteris, notinha da Revista do O Globo, edição de 7 de dezembro passado: “Pecado original. Criada há um ano pelos DJs Filipe Raposo, Paulo Sattamini e João Brasil, a debochada festa Fodasse tomou proporções nababescas, com filas na porta. Saudoso do clima intimista, o trio faz uma edição no próximo dia 13, no Pura Vida Hostel, em Copacabana, onde tudo começou. Celebrando a origem, uma instalação com a imagem de uma vagina artificial flutuará sobre a pista”. Dizer o quê? 

O mundo é uma bola

15 de janeiro de 69: Galba é morto pela Guarda Pretoriana. No mesmo dia, o senado reconhece Otão como novo imperador romano. Otão, que se chamava Marcus Salvius Otho, foi imperador por três meses até se suicidar, mostrando que não era fácil a vida de imperador romano.

Em 1559, coroação da rainha Elizabeth I da Inglaterra. Reinou até morrer, em 1603, isto é, durante 44 anos. Seu reinado ficou conhecido como Período Elizabetano ou Era Dourada, marcando os primeiros passos daquele que seria o Império Britânico. Na dramaturgia, rendeu nomes como Marlowe e Shakespeare. Era filha de Henrique VIII e Ana Bolena, mandada executar pelo maridão.

Em 1759, abertura do Museu Britânico. Em 1833, criação do município de Nova Iguaçu, onde nasceu o professor Wanderley Luxemburgo, futuro senador pelo estado de Tocantins. Em 1943, inauguração do Pentágono, Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que ainda não teve a sorte de ser comandado pelo ministro Celso Amorim, que rivaliza em ferocidade com o general Belizário, aquele que mandou degolar 30 mil sujeitos na Revolta de Nika, em Constantinopla, no ano 532. Hoje é o Dia dos Adultos.

Ruminanças

“Ser adulto é estar só” (Jean Rostand, 1894-1977).


1 Comentário(s)

  1. João Alhais

    2 de maio de 2015 às 14:29

    Por onde anda Eduardo Reis? Onde publica?

    Curtir



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