Blog dos alunos da Universidade Salgado de Oliveira, Campus Belo Horizonte, Curso de Direito.

Imagem
15 a 21 de junho de 2015

Imagem

Votações – Ninguém aguenta voto de ministro do Supremo mais que cinco minutos, seis no máximo. Todos jogam para a arquibancada presencial ou televisiva. Na votação das biografias lembrei-me de episódio ocorrido na Câmara Municipal de Lambari há muitos e muitos anos. Não assisti, mas conheci o vereador que não se dava com os calçados, chegava à Câmara em sua charrete, trocava os chinelos pelas botinas ao começar a sessão e logo pedia autorização ao presidente para descalçar as botinas e voltar aos chinelos.

Certa feita, como os debates se arrastavam, o ilustre homem público pediu a palavra: “Vossas excelências ficam neste mija remija, não resolvem nada e já passou da hora da minha janta”.

Na votação do Supremo, leitor amigo me garantiu que um dos ministros pronunciou gratuíto. Acredito. Muitos foram indicados pelo Lula.


Imagem

Maridos-ETA – Tenho um caminhão de amigos separatistas. Não fossem brasileiros, seriam do ETA, Euskadi Ta Askatasuna, que em basco significa “Pátria Basca e Liberdade”, ou de um dos inúmeros movimentos separatistas que se veem de Quebec à Catalunha passando pela Chechênia com todo o respeito, naturalmente.  Com uma diferença: em vez da separação territorial só pensam na separação conjugal, sonhando encontrar na próxima o paraíso que não conheceram com a última de uma série imensa.

Cabe a pergunta: por que se casam? Têm inteligência e instrução suficientes para saber que o casamento hétero é o tipo do negócio complicado. Envolve famílias diferentes, educações diferentes, sexos diferentes.

E o certo é que me sentei diante do computador para falar de dois dias que suscitam alto philosophar. Adoro o verbo suscitar, que deve estar no português desde o século XIV, di-lo Houaiss. O dia dos namorados e o mundial sem tabaco, sozinhos, permitem que a gente escreva dezenas de páginas. Vivi muitos dias dos namorados com aquela dificuldade de arranjar mesa nos restaurantes para jantar.

Em BH, jornalista famoso e deputado estadual muito rico, amigos que cultivam a mania de se divorciar, recém-divorciados saíram para jantar no restaurante da moda. Só então, vendo as outras mesas ocupadas por casais in love, perceberam que era o dia dos namorados. Foi quando o jornalista disse para o parlamentar riquíssimo: “Se você pedir champanha, me levanto e vou embora”.

O dia mundial sem tabaco, muito louvado pela mídia, decreta a falência irremediável do Brasil. Com tabaco e agrotóxicos, a expectativa de vida do brasileiro chegou aos 74 anos e há muita gente na casa dos 90. Sem tabaco e agrotóxicos a média vai alcançar os 90 e muitos. Onde arranjar dinheiro para sustentar tanta gente?

Se é verdade que o tabaco e os agrotóxicos matam, como parece que é, precisamos contabilizar os lucros da Previdência Social com a partida precoce de milhões e milhões de brasileiros. A violência tem ajudado. Ano passado, foram 150 homicídios por dia e mais 150, também por dia, nos acidentes de trânsito, 550 mil patrícios em cinco anos.

E o pessoal acha tudo muito natural. Basta dizer que no dia 1º de junho a BR-040 (Rio-BH-Brasília) esteve paralisada durante oito horas pelos moradores de Ewbank da Câmara, pequena cidade próxima de Juiz de Fora. Tocaram fogo em árvores e pneus, incendiaram dois ônibus depois de sugerir que os passageiros descessem dos veículos. Tudo muito civilizado: interromper durante oito horas o fluxo de veículos de uma das estradas mais importantes do país, tanto assim que as tevês noticiaram: “Não houve violência”. 


Imagem

Encontros – Ibrahim Sued, meu contemporâneo no Globo, vivia dizendo que “em sociedade tudo se sabe”. Nem tudo, mas o que chega ao nosso conhecimento já é de assustar.

Risco enormíssimo corremos nos encontros sociais, quando somos apresentados a uma porção de cavalheiros e damas, alguns deles simpáticos, muitos dos quais são da pesada.

Claro que são simpáticos. Os estelionatários são envolventes, encantadores e sempre reincidem no crime. Não há precedente de estelionatário regenerado, dizem os criminólogos.

Outro risco é o bandido gostar de você, admirar as coisas que você escreve, achar que você é um sujeito supimpa. Numa caçada norte-mineira, há mais de 40 anos, conheci um dos maiores matadores daquela região, excelente patrício que não matava para roubar, mas para se vingar dos que roubaram sua família: questões de terras. Matou mais de 40 e era procurado pela polícia havia anos. Seu nome não consta do Google, que não existia há 45 anos. É muito provável que tenha morrido.

O certo é que, a partir daquela caçada, sempre que fui a Montes Claros ele dava um jeito de aparecer no hotel, à noite, para me visitar. Tive um caminhão de leitores em MOC e minhas visitas eram anunciadas nos jornais da cidade. Foi pelos primeiros anos da década de 90 e o bom amigo, dos seus esconderijos, tinha notícia das minhas incursões montes-clarenses. Nunca me contou das suas matanças, de resto famosas em todo o norte de Minas.

Escrevo num dia em que a imprensa divulga as estripulias de um político petista, que sempre me fez muita festa. Certa feita, voltei de Brasília para BH no último assento de um avião da TAM em que viajava, na primeira fila de poltronas, o famoso petista. Pois muito bem: na Pampulha, quando levantei meu 1,88m da poltrona, o político me reconheceu e começou a gritar: “Olha lá! Olha lá!”. Quase morri de vergonha. Fraternizamos na fila de espera das malas e só o reencontrei duas ou três vezes em solenidades belo-horizontinas. Fiquei triste com o que dele se diz no dia em que componho estas bem traçadas. Espero que não seja verdade, mas em se tratando de petista tudo é possível.


Imagem

Fatos – Afamanado âncora de tevê criticou as pessoas que vaiaram Guido Mantega num hospital paulista, onde a senhora Mantega se tratava de um câncer. Acontece que apuparam na lanchonete do hospital de alto luxo, não sabiam do tratamento da senhora Mantega e só fizeram o que outras pessoas repetiram, semanas depois, num restaurante italiano da capital paulista.

Não cuspiram no autor da desastrada condução de nossa política econômica durante anos, nem o caçaram a pauladas: limitaram-se a vaiá-lo. A interpretação do âncora foi maldosa.

Ao comentar um fato, o jornalista deve ter honestidade profissional e um mínimo de bom senso. Dia 28 de maio faleceu o alemão Markus Muller depois de dez dias agonizando numa UTI, respirando por aparelhos, com o corpo todo queimado. Aquele alemão do apartamento que explodiu no Rio. Informada, uma repórter perguntou à colega: “Já foi divulgada a causa da morte?”. Caso típico de demissão por burrice.

Não é novidade para ninguém que a situação econômica (e social) do Brasil é catastrófica, mercê do Mantega e da gerenta incompetenta. Aí, entra um repórter televisivo noticiando que 10.800 trabalhadores perderam o emprego em abril numa determinada região de São Paulo. Os telespectadores ficamos arrasados até ouvir o mesmo repórter informar que no mesmo período foram admitidos 10.620 trabalhadores na mesma região com a invariável empulhação da carteira assinada. Sensacionalismo desonesto, pois o correto seria informar que 180 trabalhadores perderam o emprego. Aritmética elementar.


Imagem

Pergunta – Que lei autoriza um filho de vênus vulgívaga a sair pelas ruas num carro de som anunciando os preços praticados num supermercado? Pouco importa se às duas da tarde. Moro num apê dos mais silenciosos, mas posso ouvir a barulheira feita pelo filho da puta, que deve ser contratado por outro filho de vênus vulgívaga, o dono do supermercado. Se ouço daqui a gritaria posso imaginar o barulho nas outras ruas. Só a pau.


Imagem

Dependência – Fiquei três dias sem televisão e fiz um quadro de dependência que muito me preocupou. Vale notar que bebi cavalarmente durante meio século, parei de livre e espontânea, reincidindo nos uisquinhos de três em três meses sem qualquer problema. Donde se conclui que bebendo quase diariamente nunca fui dependente do álcool. Parei há mais de três anos.

Que diabo haverá com a dependência televisiva? Em rigor ligo o LG de 47 polegadas três vezes por dia, manhã, tarde e noite. Futebol europeu, corridas de automóveis, GloboNews às 10 e às 18 horas, Jornal Nacional, salvo nos dias em que há escândalos graúdos, como aquele da prisão dos ladrões da FIFA, quando fico horas diante do televisor. Já gostei mais do Estúdio i, que deu uma piorada ou é implicância minha. Tiraram o Balbio, craque em tecnologia, mas continua o Galeno com a lucidez dos seus comentários, se bem que prejudicado pela mania de chamar de presidenta a incompetenta. O médico é muito bom, mas assuntos médicos me assustam. Hematofóbico, fujo dos assuntos sanguíneos. Maria Beltrão é ótima, não fosse filha da arqueóloga Maria da Conceição de Morais Coutinho Beltrão e do saudoso Hélio Beltrão, que tentou desburocratizar esta choldra que tem hino, bandeira e Constituição.


Imagem

Lua – Depois de vários dias nublados, chuviscosos, frio danado, tivemos dois dias de sol ainda frios. À noite, através das janelas do meu quarto de cama, namorei a lua crescente. Lua que sempre me encantou nos muitos anos em que morei na roça. As luzes das cidades não permitem que se tenha ideia do espetáculo da lua nas roças.

Devo padecer de selenofilia, se me permitem a ousadia de recorrer ao antepositivo grego selene,es ‘lua’, que ocorre em cultismos do século XIX em diante como aprendo no Houaiss.

Ainda me lembro do dia em que Neil Armstrong pisou na lua porque estava fechando o negócio da compra de nossa primeira fazendinha com o Nelson, batizado Chozi, filho do Sr. Fukuda, que fora motorista do barão Smith de Vasconcellos, ascendente da senadora Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy. Naqueles dias a baronesa ainda vivia e tinha como cuidadora uma das filhas do Sr. Fukuda.

Nelson (Chozi) consultou o pai. Japoneses e seus descendentes respeitam os mais velhos, hábito desconhecido no Brasil. O velho Fukuda jamais acreditou na alunissagem dos americanos. Sua fazendinha, que passou para o filho, tinha a bandeira do Japão ocupando todo o teto da pequena sala de jantar.

Todas as frases ditas na lua por Neil Armstrong repercutiram na mídia mundial, menos uma, “Good luck, Mr. Gorsky”, que continuou misteriosa durante anos, até ser explicada pelo astronauta.

Em menino, vizinho do casal Gorsky, Armstrong brincava com os seus amigos quando a bola que jogavam foi parar embaixo da janela dos Gorsky. Ao apanhá-la, o menino ouviu a vizinha dizer para o marido: “Sexo oral? Só farei sexo oral com você no dia em que um dos filhos do vizinho estiver caminhando na lua”.

O episódio e a frase tiveram diversas versões, mas, em síntese, só fizeram demonstrar o desapreço da senhora Gorsky pelo seu marido e senhor.


Imagem

Entendi? – Certa publicidade a gente lê, relê e não entende absolutamente nada. Foi assim com o anúncio do Leilão 12 Marcas realizado em Brasilândia de Minas dia 13 de junho, sábado, às 12 horas. Anunciava 4.000 animais nelore de alta qualidade. E um prêmio que me intrigou: “Os dois maiores compradores (de machos e fêmeas) ganharão 1 automóvel 0 km. (50% para cada um). Venha conferir”.

Já pensaram? Não consta a marca do automóvel, tudo bem. Difícil, mesmo, deve ser dividir o veículo ao meio, 50% para cada ganhador.

Por falar em automóvel, o Peugeot é muito bom. Julgo por um que comprei zerinho, usei durante três anos e nunca deu oficina, a não ser para as revisões de praxe. Sei que não se pode julgar a montadora por um só veículo, mas o meu funcionou muito bem. Eis senão quando, bumba!, pintou no pedaço televisivo a publicidade da Peugeot, vídeo caprichado, em que o carro vem por uma estrada e, de repente, cai num buraco da mesma estrada reaparecendo noutra pista asfaltada ou de terra. Para encerrar o show de imbecilidade comercial o Peugeot cai num buraco aberto numa ponte sobre o mar.

Que é aquilo? Será que alguém compra um carro para desaparecer nas águas do mar?  No dia em que escrevo o imbecilérrimo comercial dos poupançudos da Caixa continua sendo veiculado na maioria dos canais de tevê. Que é aquilo? É publicidade?

FONTE: Jornal da ImprenÇa.

Anúncios

2 Comentário(s)

  1. Serafim Botelho Letra

    20 de junho de 2015 às 22:56

    E A Reis, continua imbatível.

    Curtir



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: